Os caminhos

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É natural que a torcida do Vasco viva um momento de ansiedade e expectativas. Desde a Libertadores 2012 e a malfadada finalização de Diego Souza, as coisas nublaram até o péssimo final de 2013.

Agora é um momento de renovar as forças e seguir caminho, um tanto sem certeza de qual será exatamente a estrada; afinal, se a incrível coincidência Gávea-Canindé revelar muito mais do que uma simples coincidência, ninguém sabe ao certo o destino do campeonato brasileiro no segundo semestre.

Só que o Vasco é maior do que qualquer das rotas que surjam no caminho, sejam as das séries A ou B.

Certo mesmo é que o novo governo vascaíno, constituído nas eleições deste ano, vai clarear os horizontes de uma gestão que já conta suas horas derradeiras.

Em campo, muitos cruzmaltinos poderão dizer que o time é muito aquém das tradições vascaínas. É justo. Mas penso em 2013 e, com todas as dificuldades, me pergunto: olhando aquele campeonato, o Vasco era um dos quatro piores times dentre os vinte?

Minha resposta, isenta de paixão por motivos óbvios, é simples. Não.

Não mesmo.

Sem querer crucificar jogadores, algo muitas vezes inevitável, e sem falsos reducionismos, o fato é que o Vasco pagou caro por diversas falhas cometidas pelos goleiros que se revezaram na titularidade. Pontos preciosos, nove, desperdiçados por erros individuais na posição capital. Nada de tapar o sol com a peneira, mas que time resistiria a isso? Nenhum.

Novamente sem reducionismos: o Vasco tinha um time pior do que o Coritiba, que terminou em 11o lugar com 48 pontos? Ou do que o Santos, 7o com 57 pontos?

Não.

Detalhes, pequenos muitas vezes e grandes também, explicam a posição final. Pequenos detalhes podem explicar até grandes diferenças de pontuação.

O que quero dizer com isso é que 2014, o Vasco pode e deve se reencontrar com o caminho de boas vitórias e de resgate da sua história. Apesar de particularmente eu considerar o trabalho de Adilson bastante fraco em equipes anteriores, a impressão que tenho hoje é que ele tem o elenco nas mãos, item fundamental no mundo boleiro.

A excelente atuação de domingo passado em São Januário na goleada sobre o Friburguense, principalmente nos pés de Montoya, pode ser a primeira luz de confiança que, às vezes, empurra um time e uma torcida para grandes momentos. Sim, quem for mais pessimista logo dirá que o Estadual não é parâmetro para voos maiores. Mas é melhor ganhar de times mais modestos do que empatar ou perder.

É claro que reforços não necessários, mas nada como reflexão e cabeça fria para solidificar os primeiros bons passos.

Já, já, as piadinhas da imprensa marrom não vão ajudar.

Mas desde quando ela foi diferente?

Desde a fraude na disputa da Taça Salutaris de 1927, a grande marrom já mostrava suas garras e suas duas cores de fascínio.

O Vasco seguiu seu caminho do mesmo jeito.

@pauloandel

Imagem: terra.com.br