Onde o pesadelo ainda reside

Em primeiro lugar, gostaria de agradecer à toda equipe por minha aceitação como mais novo quadro no time de colunistas desse espaço vascaíno, no qual me orgulho de estar postando meus textos sobre Vasco aos sábados! Gostaria de agradecer, em especial, aos companheiros Zeh Catalano pela minha aceitação, e Paulo Andel, que fez a “ponte” entre nós para que o restante pudesse acontecer! Tal como nos demais sítios vascaínos no qual escrevo (www.supervasco.com, www.semprevasco.com e www.webvasco.com ), assumo desde já o compromisso de relatar minha opinião de maneira fidedigna ao que penso como de melhor para nosso clube, sempre colocando-o em primeiro lugar, independentemente das divergências de pensamentos, o que é normal no exercício da democracia.

E já que o papo é Vasco, então vamos aos fatos…

*****

Coincidentemente ao dia de minha estreia aqui no sítio, o Vasco retorna ao local de onde o pesadelo se consolidou com requinte de crueldade, inclusive. É bem verdade que as imagens de TV ocultadas pela mídia que manda no nosso país transformaram, a mais de cinco meses atrás, nossa torcida em ré ao invés de vítimas que fomos naquela barbárie cometida em Joinville. O impressionante foi o furto de informação, dadas as evidências – durante aquela semana que antecedeu ao prélio – que a torcida do clube rubro-negro paranaense preparava aos vascaínos uma emboscada, ameaças essas espalhadas pelas redes sociais e ao alcance de todos: CBF, Atlético-PR e Prefeitura de Joinville, inclusive.

Curiosa, ainda, a diferença de tratamento dada pela entidade máxima do esporte entre essa batalha fora de campo citada e o adiamento da partida do último sábado entre Náutico vs Vasco, por falta de…segurança!

Não é preciso ter a sensibilidade muito apurada para se constatar que a CBF assumiu subliminarmente sua mea-culpa pelo ocorrido de outrora, por sua omissão e pela não intervenção chamando às falas, em especial, ao Atlético-PR pelo descumprimento da portaria do RGC da própria entidade, em que obriga ao mandante do jogo “tomar medidas a fim de garantir a ordem e a segurança em sua praça de desporto”. Diante desse quadro, os provocados (torcida do Vasco) viraram réus, o Vasco por tabela mesmo na condição de visitante, inclusive. O tribunal que, bem como falou meu companheiro advogado Dr. Luciano Pereira, é um “apêndice da CBF”, julgou a questão sob a ótica dos interesses de quem lhe é conveniente, e o restante a história registra…

Fato é que estamos a pagar essa conta até hoje, e por isso que o Vasco ainda não soube o que é jogar em seu estádio com sua torcida na arquibancada por conta disso. E para lá, o destino se encarregou de nos enviar novamente, ainda com as feridas desse acontecimento abertas, que foi ainda pior porque sacramentou o que a maioria já esperava que fosse, infelizmente, acontecer.

Pelos idos de 1998, mais precisamente em cinco de setembro daquele ano, assistia eu em casa, por volta das 11 horas da manhã pela TV Bandeirantes (sim, esse horário mesmo) ao jogo entre Joinville 0 vs 2 Fluminense. Flu na segunda divisão, em franca decadência institucional, se arrastando naquela série B que determinaria sua queda para a Terceira Divisão, ao seu final. Com o Vasco campeão da Libertadores, rumo a Tóquio, JAMAIS no pior de meus pesadelos imaginava assistir ao Vasco jogar contra tal adversário em confronto válido por essa mesma competição.

Pois é: a vida dá voltas…

Hoje, o cenário não é muito diferente daquele que presenciei há quase dezesseis anos. O Vasco, infelizmente, na crise institucional faz, pelo menos, onze anos. Início de segunda divisão, sexta partida, e o Vasco não consegue engrenar. Joinville está LONGE de ser um ótimo time, mas joga em casa e vai ter – mais uma vez – algo que o Vasco ainda não teve nessa competição, que é o apoio de sua torcida. Em circunstâncias normais (o Vasco no G4 e brigando pela dianteira da tabela), o empate hoje nem poderia ser considerado de todo ruim. Nas atuais em termos de pontuação, sim, pois deixa de dar um salto rumo ao lugar onde se imagina que ficaremos ao final das trinta e oito rodadas de sofrimento. No entanto e tomando como referencial o desempenho observado até aqui por essa equipe (os desfalques contribuem para isso), o empate volta a ser, sim, um ótimo negócio, infelizmente tendo que admitir…

O que todo vascaíno pode esperar, então, do confronto de logo mais? Sinceramente sem “dourar mais essa pílula”, o menos pior possível! Pelo menos, que o time – com uma escalação bem mais adequada e perto do aceitável – jogue com a disposição de quem veste uma camisa mais do que centenária de uma torcida espalhada pelo Brasil afora, em Santa Catarina inclusive, e que se tenha MUITO mais futebol a apresentar do que ao “show de horrores” da última terça-feira, em que dependemos de Biteco no último lance do jogo para que a vergonha máxima não fosse consumada.

Rumo à série A! Mesmo com justificável desconfiança, estamos fazendo a corrente!

*****

Incrível como medidas de impacto passam longe de São Januário para resolução de certos problemas! Medidas que se fossem tomadas em ocasiões oportunas, poderia ter evitado MUITA coisa! Assim foi, por exemplo e só citando as mais recentes como na derrocada de ano passado na série A, quando se demorou para se chegar à conclusão de que Dorival Júnior já tinha esgotado nossas esperanças de salvamento sob sua batuta à frente do plantel. E assim é, ao que observo até então, nessa famigerada série B, em que Adílson tem feito por onde para ser chamado de “burro”.

No entanto, atribuir-lhe toda a culpa é ser míope futebolístico ao extremo. Adílson erra, sim, em demasia, além de ser um bocado teimoso e, por que não dizer, turrão ao comprar brigas desnecessárias com a torcida ao insistir em certos nomes que deveriam passar LONGE de São Januário, tal como Fellipe Bastos e o estigma do rebaixamento, Diogo Silva. Além da insistência em se jogar sem meias, mesmo contra os mais fracos dos adversários, tal como vimos em muitas ocasiões. Na verdade, Adílson é somente mais um representante desse Vasco que se acostumou a pensar pequeno nessa virada de milênio. Não é a toa que, por seu cargo ocupado nos últimos anos, passaram Cristóvão Borges, Marcelo Oliveira, Gaúcho, Paulo Autuori e Dorival Júnior, todos com sua dose de erros, criticados pela torcida mas, também, inseridos em meio ao processo de apequenamento da instituição.

Há de se mudar tudo, e só acredito em tais mudanças advindas da mais alta hierarquia, propagando-se para todo o clube. O Vasco precisa, em primeiro lugar, de um “choque de consciência” por parte de quem o vier a gerir nos próximos tempos. Consciência da grandeza do clube e da necessidade de relegar-se às vaidades pessoais, sob pena da total inexpressividade de um clube, outrora talvez o mais “odiado” ao final do milênio passado.

Vamos mudar…?!

*****

Não poderia deixar passar “em branco” nessa minha estreia, coincidentemente com a final do maior torneio de clubes do mundo, a UEFA Champions League…

#FECHADO_COM_ATLETICO_DE_MADRID !

@crismariottirj

cris.mariotti@crvasco.com.br