Obrigado. O Vasco não precisa mais do senhor.

Terça feira, romanticamente falando, estará em jogo o futuro do Vasco da Gama, clube que é a paixão de milhões de brasileiros.

Objetivamente, dois ou três grupos de pessoas disputam o controle de um orçamento de milhões de reais por mês. O Vasco gira mais dinheiro do que a grande maioria dos municípios do nosso país. Tudo isso sem auditorias, fiscalizações, tribunais de contas. Em termos financeiros, não há, no Brasil, negócio melhor. As dívidas estratosféricas em impostos sempre são renegociadas, perdoadas, postergadas. As negociações de jogadores, ações trabalhistas e demais confusões envolvendo funcionários dos clubes são mais oportunidades para se movimentar quantidades astronômicas de dinheiro. Não preciso me alongar nas consequências disso.

Existe amor ao Vasco? Existe. Em uns mais do que em outros. Mas o Vasco, mesmo quebrado financeiramente, como qualquer grande clube de futebol, é uma montanha de dinheiro circulante.

A situação atual é a seguinte: Quem controla o Vasco é o gestor de um negócio que lhe permite girar milhões e milhões de reais por mês sem ser questionado nem prestar contas a ninguém (sem ilusões, isso é o que ocorre na prática). Certamente quer continuar nessa bocada. E faz de tudo para se perpetuar nessa posição, inclusive cercar-se de pessoas totalmente fiéis ao seu projeto em pontos-chave da administração – o futebol profissional e a gestão dos juniores, a maior fábrica de dinheiro do clube.

Tirando de frente as nuvens do romantismo, temos na terça feira uma luta pelo poder. Pelo dinheiro, como tudo nesse mundo atual.

Na última eleição, tinha a sensação de que tirar o Eurico para colocar um desconhecido era um golpe de muito risco. A maioria dos meus amigos pensava diferente. Alguns concordavam, na encolha. Meu principal temor residia no destino de São Januário.

Hoje, tenho certeza de que a mudança é imprescindível. O Vasco precisa se descolar de uma imagem arcaica, parada no tempo. Nosso presidente segue se comportando como um Don Quixote do futebol, que ataca os rivais como se fosse a última fortaleza na defesa do Vasco. Ainda tenta combater a Globo, sem no entanto ter, nesses três anos, criado saídas para independer dela.

Como disse aqui em textos passados, interessa a nossos inimigos um Vasco risível, um Vasco ultrapassado, sendo sparring de luxo do time querido da mídia. Semanas atrás, promovi uma enquete informal, na qual perguntei aos meus amigos não vascaínos sobre as eleições do Vasco. Embora o quórum tenha sido reduzido, doze pessoas – a maioria flamenguistas – reelegeriam por aclamação a atual gestão.

Tal como um leão velho e banguela de um circo decadente, o nosso atual presidente já não mete mais medo nas torcidas adversárias. Pelo contrário, torcem fervorosamente por sua permanência.

Querem que o circo permaneça decadente.

O Vasco forte mete muito medo. Chegou a hora de mudar.

Vote com o seu coração. Ao Vasco, tudo.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *