“Oba! Uma derrota!”

Você sabia que o número de leitores dos nossos textos crescem quando de derrotas? Pois é… Você certamente tem algum amigo ou conhecido que parece adorar as derrotas. No facebook, com o time líder isolado, ganhando fora de casa, com o goleiro tendo atuação de gala, esse povo mantém o mais completo silêncio. Surge uma derrota – quando podemos nos dar ao luxo de perder! – e pronto. Ressurgem os cavaleiros do apocalipse, montados em si mesmos, e se põem felizes a descer o cacete em tudo o que tem sido feito até agora. Na minha timeline tem uma meia dúzia que parece Botafoguense. Custo a acreditar que são vascaínos.

Antes que algum desses, que porventura esteja lendo o texto, comece a pensar que “esse cara tá feliz com a derrota pro Paraná”, sugiro que siga na leitura.

São Januário, segundo tempo, jogo encardido contra um adversário mais fraco que joga retrancado, fazendo cera, batendo no Vasco ante um juiz bandido e complacente.

As sociais se irritam, começam a vaiar o time, especialmente os jogadores que não estejam à altura do resto do time. O time começa a partir pra dentro do adversário de forma atabalhoada, forçando o gol que insiste em não sair. De repente, surge o contra-ataque do adversário e gol. E ai, o que já era ruim vira um filme de terror.

Todo vascaíno já se cansou de ver esse filme de final triste.

Escrevi este texto cerca de um mês atrás, quando da sofrida vitória sobre o Goiás, em São Januário.

De lá pra cá, perdemos duas vezes para adversários inferiores exatamente dessa forma. Paysandu e Paraná são fracos, se socaram na defesa e exploraram exatamente o desespero vascaíno para matar os jogos no final. Ontem, na derrota para o Paraná, o time até que não jogou mal. Leandrão funcionou. Botamos bola na trave, perdemos gols.

No entanto, mais uma vez perdemos na persistência (teimosia?) de Jorginho em repetir as mesmas (não) soluções. Por mais que tenha uma história de dedicação e seja um bom sujeito, Éder Luis não pode mais ser considerado solução para o time quando precisamos agredir o adversário e resolver uma partida complicada. A quantidade de bolas perdidas (e contraataques armados nas suas costas) é inadmissível. E isso tudo justo ontem, quando surge a notícia de um pagamento astronômico, ao Benfica, pelo seu passe.

Madson, ontem, arremessou um lateral para o gol de Nenê, logo no início do jogo. No entanto, não podemos manter em campo um lateral para jogar de quarterback e bater laterais. Pikachu foi bem nas partidas em que atuou e já merece uma chance há tempos. A avenida que temos na lateral direita precisa urgentemente ser fechada.

Até porque ela sobrecarrega a zaga… E na zaga, tivemos, por dois jogos seguidos, a presença de Aislan. É muito azar que logo agora percamos o Jomar – em quem boto a maior fé – por mais de mês. Rafael Vaz, o outro reserva, foi embora. Como vimos, continua nos dando alegrias.

Aislan infelizmente não tem condições mínimas de vestir nossa camisa. Parece dedicado, sério, e só. Não posso acreditar que não tenhamos pelo menos um beque vindo da base para colocarmos no banco no próximo jogo – contra o Avaí, que nos meteu cinco gols em casa no ano passado e que, pelo menos na minha garganta, segue entalado.

Espero sinceramente que a equipe sofra mudanças nessas três posições nesta semana. Com esses três, deu. Aliás, já cansei de sentar o pau no Madson.

Ao contrário do que disse o Ricardo Fortes em seu texto, não foi uma noite para se esquecer. Pelo visto, Jorginho esqueceu do Paysandu e repetiu as barbaridades ontem. Deu no que vimos. Espero que se lembre bem dessa noite, porque ela vai certamente se repetir N vezes em São Januário. E o placar tem de ser diferente.

Por fim, para os indignados oportunistas, aqueles que se deliciam com derrotas para aproveitarem politicamente de um mau momento, uma explicação de como funcionam as coisas por aqui. Este site iniciou suas atividades após aquela maldita tarde de Joinville, na qual ocorreu o ainda inexplicado escândalo da escalação do jogador irregular pela Portuguesa de Desportos. Seguido a isso, a Nissan, então parceira do Vasco, nos aplicou uma rasteira vergonhosa, acusando a torcida do Vasco (eu, você e até os oportunistas) de sermos uma torcida violenta.

Até o fim dos meus dias, ou até um pedido formal de desculpas, o que nunca acontecerá, eu farei propaganda contra a Nissan e não comprarei um palito de fósforo de sua fabricação. No entanto, já ouvi críticas (de vascaínos!) por pensar desse jeito. A esses, recomendo uma leitura do caso The Sun – Liverpool.

Sigamos adiante. Vasco sempre.