O vexame em Salvador e a carta de Fernando Horta

E aí caro cruzmaltino ? Desde o início aqui nesta coluna, desde Cristóvao Borges, ao se olhar para o elenco montado, sempre foi colocado por aqui que precisávamos avaliar com certa prudência. Hoje, apesar de termos tido mais chances no primeiro tempo, a impressionante incompetência de nosso ataque não conseguiu fazer a bola entrar, tomamos um gol em um escanteio e um gol de contra ataque. Isto resume o lamentável e duro revés na Fonte Nova, de 3 a 0 para o Bahia. E o Bahia ainda perdeu mais chances. Poderia ter sido pior.

O jogo de hoje teve dois tempos distintos. Começou com o Bahia tentando marcar com pouco mais de um minuto. Mas Breno travou o chute de Renê Junior. Em seguida, a resposta cruzmaltina, em bom cruzamento de Ramon, que passou por LF9, e chegou em Wagner, que bateu de primeira, para fora, rente à trave. Passaram-se os quinze primeiros minutos, nenhuma chance de perigo. Entretanto, a defesa baiana constantemente cometia erros em sua saída de bola; com isso o Vasco passou a ser melhor no jogo. Mas isso significou pouca coisa; pelo volume de jogo, era para se criar mais e o Vasco pouco se aproveitava dos erros do adversário. Teve mais uma boa chance com Paulinho. O Bahia dava chances para nossos ataques. Mas quem não faz, toma. E aos 35 minutos, escanteio da esquerda cobrado por Renê Junior; o zagueiro Thiago sobe entre Breno e Anderson Martins e cabeceia certeiro, sem chances para Martin Silva. Bahia 1 a 0. No final do primeiro tempo, pinta uma chance para o empate: bate-rebate na defesa baiana e Wagner tem tempo de dominar a bola livre e carimbar a trave. No entanto, no finalzinho do primeiro tempo, contra ataque do Bahia, Ramon tenta tocar para Martin Silva; porém o toque sai fraco, Mendoza aproveita, dribla Martin Silva e entra com bola e tudo. Uma verdadeira lambança, lembrando o afoito Ramon lá de 2009, uma avenida. Bahia 2 a 0.

E mal começa o segundo tempo, com um minuto e meio, chute de fora da área, Martin Silva rebate para o lado de forma bisonha, e a bola encontra Mendoza que chega antes de Ramon e toca sem dificuldades para fazer 3 a 0 Bahia. Nenê e Bruno Paulista entraram e com um gol tomado no primeiro minuto de jogo, nada fizeram. Peças nulas. Mas convenhamos: entrar no segundo tempo, com 2 a 0 contra, realmente para reverter uma situação, time entregue e ainda a passear em campo, nada poderia se fazer. Ao tomar o terceiro gol, a equipe cruzmaltina simplesmente desistiu. Desistiu de lutar, correr. Parecia um time de pelada de casados e solteiros, totalmente decompromissado, passeando em campo. Ficou claro neste instante, que MM não tem mais o elenco na mão. Percebeu-se de forma clara a total falta de compromisso dos jogadores em campo, visivelmente na atitude. Então, por uma questao de bom senso, é melhor que MM peça para sair. Não adianta insistir. Neste momento, a Chape está a vencer o Palmeiras por 1 a 0 e a permanecer esse resultado, o Vasco ficará na décima sexta posição, na beira do Z4. Na coluna anterior já se falava sobre isso. E pelo visto, o espetáculo do Z4 já está por começar. E vimos este filme por três vezes. MM tentou o que pôde dentro das limitações do elenco. É o fim do caminho. Não adianta mais, embora para tentar levar o Vasco aos tão sonhados 46 pontos, quem vier terá muito trabalho. Os bons nomes do mercado já avisaram que descansarão até o resto do ano, casos de Roger Machado e Eduardo Baptista. Restam poucas opções. Turbulência a vista.

Por fim, sobre a carta de Fernando Horta. Nada do que a gente já não saiba do estilo de quem está naquela cadeira. Só que soa no mínimo estranho o desabafo de Horta, depois de tanto tempo. Por que não falou isso durante esse tempo ? Se Horta não fosse um homem extremamente ocupado com suas vinícolas em Portugal e sua empresa de vidros, poderia ser um nome interessante. Mas por que se candidata a presidência do clube se mal terá tempo para isso ? E ainda preside a Unidos da Tijuca. Horta tem um estilo similar a Calçada, mais conciliador, integrante da colônia portuguesa. Mas como ele pretende se dedicar ao Vasco ? Sua carta até faz algum sentido, mas foi uma carta meio que estranhamente tardia.