O Vasco já venceu

Há três meses vemos um time honrar a camisa do Vasco. Disputar finais sucessivas, jogando no fio da navalha. Jorginho, pra quem todos nós torcemos o nariz quando foi contratado, conseguiu fazer o milagre. Montou um time em cima de um bando esfacelado e moralmente destruído. Recebeu um bando de desconhecidos como reforço. Jogadores contratados sem nenhum critério. Teve coragem para fazer mudanças pesadas no time, dentre as quais sacar o líder e xodó do time, Guiñazu.

Resolveu o problema.

Chegamos à última rodada dependendo de terceiros, mas vivos. Fomos até onde pudemos ir. O que vimos ontem em São Januário, debaixo de um dilúvio bíblico, é amor e orgulho. Deu orgulho. Pela torcida e seu comportamento. Pela dedicação furiosa do time. Pela verdadeira ressurreição de um amor chamado Vasco.

Por isso, o Vasco já venceu.

Aconteça o que acontecer em Curitiba, no final da próxima semana, este time será aplaudido. Se cairmos, o que é muito provável, o vascaíno certamente ficará triste. Seremos motivo de chacota? Claro que não!

Isso não ausenta de culpa quem nos colocou nessa situação. Quem trouxe Roth. Manteve o maldito, que nunca mais deveria ter pisado em São Januário. Mas toda essa nojeira ficou em segundo plano ultimamente. Graças ao comportamento exemplar do time em campo. Em 2015, com todo o sofrimento, só o Vascaíno teve motivos para se orgulhar de seu time.

Nos últimos três meses, a imprensa anunciava o rebaixamento do Vasco. Enquanto isso, o mais querido “lutava” pelo G4. Nos últimos dez jogos, oito derrotas. Campanha igual à do Vasco no primeiro turno. Foram eliminados da Copa do Brasil pelo Vasco. Ontem, em Curitiba, contra o Atlético Paranaense, cumpriu mais uma etapa de um ano humilhante. Jayme, o eterno interino que comandou o time depois de mais uma demissão de técnico, se disse envergonhado com a atuação ridícula de um time desinteressado.

O Fluminense também teve um ano complicadíssimo. Garantiu-se na primeira divisão duas semanas atrás, ao vencer o Avaí. E agora chega à última rodada como protagonista, pois o rebaixamento ou não do Vasco depende diretamente do seu resultado.

Enquanto parte da torcida faz campanha para que o Flu entregue seu jogo, eu lembro aqui do bando de amigos tricolores que tenho. Um dos quais, amigo de vinte e cinco anos de estrada, que escreve aqui neste Panorama. Tenho certeza de que estes torcem para que o Fluminense jogue com seriedade.

Ganhar ou perder é do jogo. Entregar não.

Colocar um ladrilheiro em campo, dizer que roubado é mais gostoso, por exemplo, é como martelar um prego na taça que se levou para o clube. A taça está lá, mas a marca é pra sempre.

O futebol não apaga roubalheiras e entregadas.

Então, a situação se inverte. Torço sinceramente para que dirigentes e jogadores não ponham esta mácula na história do Fluminense para o qual torcem meus amigos. Porque ela simplesmente não se apaga.

Lembrem-se, também como exemplo, daquela ridícula caravela de 1990.

Podem ter certeza de que, infelizmente, se estivéssemos no lugar do Flu, haveria hoje campanha idêntica pedindo que se entregasse o jogo, exatamente como está acontecendo por lá. E nós torceríamos para que isso não acontecesse. Não por eles, mas por nossa própria história e dignidade.

Isso nada tem a ver com torcer ou não para que o time adversário caia.

De qualquer forma, isso não interessa. O que interessa é ganhar do Coritiba. Vencer a última final. No ano que vem, na 1a divisão ou na segundona, as coisas serão diferentes. Não pela administração do clube, mas por causa da ressurreição comandada por este time.

Obrigado, jogadores. Obrigado Jorginho e Zinho.

/+/

Temi pelo pior ontem. Outro jogo valendo o rebaixamento com um atraso gigante, fazendo com que o Brasil inteiro visse o que se passava em São Januário. Graças a Deus deu tudo certo.