O Vasco e suas peculiaridades

Para entendermos o nosso Club de Regatas Vasco da Gama, é preciso entender a complexidade de situações e meandros que lá existem. Por isso, vamos aqui colocar algumas curiosidades sobre o clube. E aí, depois de colocadas todas essas peculiaridades, talvez possamos fazer uma análise precisa e correta.

A primeira delas é o fato de sermos um clube de colônia, como a Portuguesa de Desportos e o Palmeiras. Fomos fundados como um clube de remo em agosto de 1898 por portugueses e seus descendentes, para a prática do remo por estes. A maior parte dos imigrantes lusos eram pequenos comerciantes a começar seus negócios cá. E como boa parte destes era oriunda da Zona Norte, mais precisamente de São Cristóvão e bairros próximos, onde ficaram nossos monarcas, o clube se estabeleceu na região. Aliás, o único dos quatro chamados grandes que não é da Zona Sul. Essa característica persiste até os dias de hoje. Por isso, nas eleições do clube, a colônia portuguesa é um forte grupo, senão o mais significativo. É ele geralmente quem decide as eleições no Vasco. Ao contrário do que muitos pensam, a colônia portuguesa não suporta o Eurico, tanto que, enquanto Calçada teve saúde para comandar o Vasco, os votos eram para ele, para barrar Eurico Miranda. Um dia, Calçada convidou Eurico para a vice-presidência de futebol. Seus simpatizantes dizem que sem ele, Calçada não seria o multicampeão que foi. Pura especulação. Manipulação das massas, conforme Chomsky.

Por ser um clube de colônia lusa, o Vasco tem um perfil conservador, católico, de pátrio poder, características inerentes aos ibéricos. Somos um clube de raiz, outro ponto em que os euriquistas se escoram, de forma vergonhosa, para mais uma vez enganar os torcedores e sócios. Tivemos presidentes vencedores, que aglutinavam os outrora pequenos comerciantes portugueses, que anos depois tornaram-se grandes empresários do varejo, como Manuel Antonio Sendas, depois sucedido pelo filho Arthur Sendas, que ajudavam o clube nesses tempos. O supercampeonato de 1958, o título de 1970 com Agathyrno e a era Calçada provam isso. Nessas gestões, o Vasco era unido; era então um clube forte e respeitado.

Hoje não somos um centésimo do que fomos nessas épocas idas. Estamos nas décadas perdidas e Eurico, que dirigiu o Vasco por uma década e meia dessas duas, é o principal responsável por essa situação, por ser centralizador e não aceitar ajuda externa. Com isso, afastou parte de colônia lusa que sempre ajudou o clube quando pôde fazer isso. Eurico faz um anti-marketing, como se o Vasco não precisasse de seus sócios. O que é contraditório, pois com sua política de centralizar a administração em torno de seu superego, acaba afastando potenciais interessados em se associar. Afinal, quem se associará a um clube com um dirigente que diz o “Estado sou eu” ?

Terceiro: correntes políticas igualmente malévolas. O grande problema hoje do nosso amado Vasco da Gama é que, por mais que saibamos que a atual diretoria é incompetente e ineficaz em gerir o clube, por outro lado a oposição não oferece uma luz no fim do túnel. Hoje não há um nome ou alguém da colônia, alguém como os Sendas, disposto a reerguer o clube. E o que precisamos é de um nome que surja e una o clube em torno dele para reerguermos o nosso gigante. Mas o fato é que não temos hoje essa pessoa.

Por fim, diante do apresentado aqui, aí sim podemos começar a análise e tentar encontrar uma solução para colocarmos nosso clube no lugar em que ele merece. O Vasco é conservador por natureza. Então, precisamos convencê-los de que o jeito em que está não é o melhor para o nosso clube. Fatos comprovam que Eurico não é capaz de gerir nem a si próprio. Basta uma boa pesquisa de seu curriculo. A situação em que o Vasco se encontra não é de hoje e sim remonta a 2001, com gestões temerárias que levaram o clube à beira da insolvência. Logo, é preciso analisar nossas peculiaridades para que enfim possamos virar esta página para perspectivas melhores.

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