O Vasco e o novo Maracanã

No último domingo, em companhia do amigo Helinho Mendes, colunista deste Panorama Vascaíno, tive a oportunidade de voltar ao Maracanã. Antes do clássico com o Flu do Paulo-Roberto Andel, outro parceiro de site, eu tinha ido ao estádio apenas na final da Copa das Confederações, ano passado, ficando atrás de um dos gols ao lado da minha esposa. Confesso que detestei o estádio – especialmente o fim daquela aura de esculhambação que era o Maracanã dos meus tempos de jovem, com seus banheiros fétidos, suas colunas sempre urinadas, seus bares em que a lei era gritar mais alto e seu conforto pero de zero.

Para mim, faltava alma de torcedor ao novo Maracanã.

Minha visão mudou depois de domingo. Experimentei um novo lugar, o Setor Leste, e confesso que, desde a entrada, minha opinião foi outra. Talvez porque pude reencontrar um pouco do espírito de um jogo entre equipes – algo diametralmente diferente de uma partida entre seleções, que tem um quê de frieza e cavalheirismo -, talvez por que, enfim, me vi conquistado por uma coisa que nunca existiu no Maracanã das antigas: o espírito de espetáculo, sem o clima de guerra campal.

Tudo era mais limpo, mais organizado e mais humano. Talvez por isso, tenha sentado perto de tricolores e nem me incomodado com a torcida deles. A integração dos diferentes faz parte da vida naquele espaço.

E aí fiquei me perguntando o óbvio: e o Vasco?

Bom, o Vasco está fora desta realidade, e em dose dupla. Está fora do Maracanã, por ter São Januário, e está fora da modernidade, pois insiste em manter São Januário praticamente intacto aos quase 90 anos de idade.

As duas coisas são péssimas para o Vasco. Não podíamos estar de fora deste novo Maracanã. Ali, desde 1950, sempre fomos os verdadeiros donos da casa, tendo conquistado a posse do nosso lado ao vencer o Carioca daquele ano com Barbosa, Augusto, e Laerte; Eli, Danilo e Jorge; Alfredo II, Ipojucan, Ademir, Maneca e Djair, batendo o America por 2 x 1 na partida final, com dois de Ademir, artilheiro daquela edição com 25 gols. Aliás, naquele ano, em nove clássicos disputados no então “maior do mundo” (o jogo com o America do turno foi em São Januário), ganhamos sete e perdemos dois jogos.

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A culpa de nosso atraso em relação ao Maracanã está na eterna lentidão da atual diretoria do Vasco, sempre correndo atrás dos outros. Já a culpa em relação ao estado de São Januário tem dois responsáveis: Roberto Dinamite e Eurico Miranda. O primeiro, por pouco fazer. O segundo, por ter rasgado contratos que iriam dar ao Vasco uma cara moderna, com um estádio de primeira. Mais precisamente, o acordo com o Nations Bank/Bank of America, que era o caviar dos patrocínios esportivos e que ele mandou para a cova rasa, arrastando o clube junto.

Espero, sinceramente, que os candidatos à presidência do Vasco (quais, meus Deus!, fora Eurico e Roberto Monteiro???) não se esqueçam que o projeto de resgate do clube passa por um bom acordo em torno do Maracanã e por uma revolução em São Januário. Hoje, embora tenhamos um belo patrimônio em termos financeiros (São Cristóvão vai ser alvo de uma mega-especulação imobiliária em poucos anos, podem apostar), cujo lado histórico tem de ser preservado em qualquer projeto de modernização, perdemos um ponto importante de renda e receita ao ter um estádio antigo. Basta lembrar que, com o Maracanã dedicado exclusivamente ao futebol este ano, por causa da Copa, e com o Engenhão fechado pela incompetência das autoridades, hoje poderíamos ter uma agenda de shows internacionais em São Januário, como preparativos da Copa, engrossando os cofres do clube.

Em vez disso, temos São Januário largado às moscas, como descrevi outro dia. É muita incompetência.

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Uma das coisas mais chatas do mundo é ser repetitivo. Mas não tem jeito, vou ser: Adilson Batista não é técnico para o Vasco. Seu desempenho é medíocre em todos os sentidos.

Entra jogo, sai jogo, ele segue fazendo experiências, mexidas sem sentido e não dá padrão de jogo, nem define um 11. Barra jogadores que estão bem, como Montoya, que pintou com tudo, saiu do time e nunca mais voltou – espero que a noite carioca não tenha nada a ver com isso. Insiste em escalar um poste no meio de campo – antes era o Bastos, agora é o Pedro Ken. Acovarda o time quando este joga bem. E mexe mal, como fez contra o Bonsucesso e contra o Fluminense.

O triste é saber que ele tem chances de ficar no clube mesmo perdendo o Carioca. Vai avançar umas rodadas na Copa do Brasil e pegar a teta que está a Série B, para enfrentar Luverdense, Boa Esporte, ABC, América de Natal, Bragantino, Icasa e Oeste de Itápolis, entre outros. Uma Série B que, mesmo com a covardia habitual do nosso treinador, será ganha com folga por este bom time do Vasco.

E aí, meu caro, corremos o risco de emplacar 2015 com Adilson no banco.

Sinceramente, nós não merecemos este castigo.

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A política do Vasco está pegando fogo nas redes sociais. Pena que Fernando Horta e Jorge Salgado continuem como duas “prima donnas” em noite de ópera em Veneza. Fariam papel melhor se decidissem entrar na disputa com boas propostas e, sobretudo, união, para evitar o mal pior: a volta do Eurico ao comando do Vasco.

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Por falar em Eurico Miranda, deixo aqui umas perguntas, para ver se obtenho resposta:

1) Por que os cheques 5869 (no valor de R$ 50.000) e 5871 (no valor de R$ 15.000), da conta do Vasco no Bradesco, foram depositados em 14/07/1997 na conta do Eurico no mesmo banco?

2) Por que o cheque 4171 (no valor de R$ 15.776,75), da conta do Vasco no Bradesco, foi depositado na conta do Eurico no mesmo banco em 01/08/1995?

3) Por que o Eurico determinou que a Vasco da Gama Licenciamentos enviasse mais de R$ 2 milhões, entre agosto e dezembro de 1998, para a conta do senhor Aremithas José de Lima, então funcionário do Departamento de Futebol Amador do clube?

4) E ainda: por que o senhor Aremithas pagou, com o cheque nº 163973, de 13/05/1996, uma fatura de R$ 7.652,46 de um cartão de crédito do Diners Club cujo titular era Eurico Ângelo de Oliveira Miranda?

5) Por último: por que o senhor Aremithas deu o cheque nº 627984, no valor de R$ 90.000, emitido em 05/05/99, para a SAME Empreendimentos Imobiliários, empresa que tem como proprietário, entre outros sócios, Eurico Ângelo de Oliveira Miranda?

Aguardo as respostas. E prometo publicá-las até com mais destaque que as minhas dúvidas.