O Vasco desceu

Um dos primeiros aprendizados da minha vida de pai foi o de não me apavorar com os tombos da minha filhinha. Tomasse o tombo que tomasse, respirar fundo e dizer: caiu! caiu! Depois acudir, dar carinho e tomar as providências devidas. Por mais enfurecido que você esteja.

É assim que enxergo o atual momento.

Todos sabemos quem é o culpado por mais uma queda.

Todos nós estamos na mesma nau furada há meses. E no mesmo barco afundado desde ontem. Hoje é o dia de aturar o escárnio dos demais. E a reação da própria torcida, dos decepcionados, dos enfurecidos, dos desaparecidos, dos oportunistas.

Olhei pro título do meu próprio texto de uma semana atrás. “O Vasco já venceu”.  Apesar de entender o que eu mesmo disse, confesso que me irritei comigo mesmo. Deu vontade de me mandar, e ao ser onipotente que nos colocou nessa situação, para aquele lugar.

No entanto, infelizmente não adianta nada me xingar ou a quem quer que seja. Estamos, há muito meses, mergulhados numa maldita piscina de ódio. E o Vasco, o pobre Vasco, sofrendo as consequências. Por isso a comparação com a minha filha. Na hora em que caiu, não adianta o pai sair no cacete com a mãe e a avó para decidir quem é que deu mole pra que a criança se estabacasse. É cuidar da criança primeiro.

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Ontem à noite, estava numa festa. Testemunhei o jogo nesta festa, na casa de um vascaíno. Com toda a calma e resignação. Ao meu redor, entre dez pessoas, um flamenguista testava a minha capacidade de abstração e autocontrole e um vascaíno tentava me consolar. Por incrível que pareça, este, na melhor das intenções, me irritou muito mais. Estava eu quieto, no meu canto, sem rir, chorar, xingar, apenas quieto assistindo àquele polo aquático e um sujeito me dizendo pra ficar calmo e me consolando. Confesso que lembrei da piadinha de como enfurecer uma mulher nervosa: “Calma, meu amor!”… Por uma grande sorte, fiquei sem bateria nos dois celulares. Cheguei em casa quase onze e meia da noite. Li desabafos, xingamentos, resmungos, piadinhas – algumas engraçadíssimas – e uma meia dúzia de atitudes inaceitáveis de veículos de comunicação. Futebol tem de ter humor. Não deboche.

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Minutos depois…

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Tirem suas próprias conclusões.

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O que mais me preocupa agora é a entrevista que Eurico dará hoje à tarde. Não se sabe o que virá dai. Nos meus sonhos, seria uma despedida. Uma humilde confissão de culpa e uma saída para o ostracismo, onde Roberto Dinamite o espera.

Mas temo o pior. Bravatas, arrogância, promessas a serem ignoradas. Pior… algum subterfúgio, alguma fresta na lei, algum malfeito de algum adversário. Uma briga jurídica. Tapetão. Virada de mesa. Mais motivos para que os adversários nos odeiem. Esta carga negativa não pertence ao Vasco, mas ao Eurico. Mas nos atinge em cheio.

Que Deus nos livre deste novo mal. A gente não merece.

O Vasco desceu, mas não acabou.

Vamos começar tudo de novo.

A vida é isso. Estou cansado de recomeçar, mas é o que nos resta.

Não há noite que perdure para sempre.