O Vasco de 1977: um tributo ao time dos sonhos – Parte II (por Jorge Medeiros)

vasco 1977

       Segundo Turno[1]

Ao lerem o Jornal dos Sports de 14 de julho de 1977 os torcedores vascaínos se emocionaram com a notícia da morte do Jorginho Carvoeiro, ponta-direita e autor do gol do título do campeonato brasileiro de 1974. Aos 23 anos, o jovem morria no Hospital da Lagoa depois de dois anos de tratamento de uma doença incurável. (Proença, 1981, p.70).

Ainda em julho, na volta para disputar o segundo turno havia a expectativa para saber como estavam as condições físicas depois de desgastantes viagens. O ótimo preparo dos jogadores mantido pela dupla de preparadores físicos, Antonio Lopes e Djalma Cavalcanti[2], foi confirmado pelo desempenho em campo com quatro vitórias consecutivas no início do segundo turno.

Preparo físico era o que não faltava aquele time, especialmente Dirceu, o “motorzinho” da equipe. Dono de um pulmão invejável, o ex-ponta esquerda mostrava toda a sua versatilidade ao desempenhar suas novas funções como ponta-de-lança. Uma posição que não era novidade para ele pois já havia atuado na posição de meia-esquerda em seu início de carreira no Curitiba.

Força física e consciência política combinavam em Dirceu e Zé Mário, juntos eles fundaram naquele ano a APAF (Associação Profissional do Atleta de Futebol). Enquanto os movimentos sociais e sindicatos davam tímidos passos na busca da redemocratização da sociedade brasileira, os jogadores lutavam pelos seus direitos. Zé Mário[3], escolhido presidente da entidade e Dirceu (tesoureiro) prometiam “transformar a associação em sindicato em seis meses”.

O espetacular desempenho de todo o meio-campo vascaíno foi muito bem aproveitado por Dirceu que voltou a seleção brasileira em grande forma, garantindo, inclusive, seu lugar no time titular e viu crescer as possibilidades de ver seu nome na lista definitiva para disputar a Copa de 1978 (o que acabaria se confirmando no ano seguinte), pois ele poderia jogar em várias posições. Dirceu combinava inúmeras qualidades em um único jogador: tinha um bom chute de canhota, cobrava faltas, marcava como um “carrapato” e era um jogador com forte liderança e “espírito de grupo”.

A liderança no segundo turno incomodava os adversários pois caso o Vasco vencesse o campeonato não teria uma final (como nos anos anteriores). O Vasco era o inimigo a ser batido. Neste momento o maior concorrente do Vasco era o Flamengo que vinha de uma campanha apagada nos estaduais de 1975 e 1976. Dividindo a liderança com o Vasco e com Zico e Roberto disputando gol-a-gol, para ver quem seria o artilheiro do campeonato, o “Clássico dos Milhões” em agosto de 1977 prometia muitas emoções e gols. No entanto, o jogo terminou empatado em 0 a 0.

Assim como no primeiro turno, novamente mais de 100 mil pessoas proporcionaram uma renda de Cr$ 3 033 103,00 para um público de 104 560. Para se ter uma idéia da grande diferença daqueles anos[4] para os dias de hoje (2010). Juntando o preço das maiores contratações do ano no Vasco (Ramon e Dirceu) dava o mesmo valor do valor da renda. O salário da maioria dos jogadores titulares do Vasco era em torno de Cr$ 30 mil. Zico (o principal jogador do Flamengo) lutava por um aumento de Cr$ 80.000 para 200 mil. Em termos comparativos  vale mencionar o valor do salário mínimo da época: Cr$ 768 (até maio) e depois 1.106,40. O preço da arquibancada era de Cr$ 40,00.

Com medo de não contar com Roberto e Dirceu em boa parte do ano de 1978, os dirigentes vascaínos partiram em busca de reforços e optaram por dois jovens desconhecidos do interior de São Paulo, para compor o banco de reservas ainda em 1977. Do XV de Piracicaba veio o centroavante Paulinho[5] e do Comercial de Ribeirão Preto, o meia atacante Guina. Ambos promessas de craques e titulares da Seleção Brasileira de Juniores[6]. Assim que chegaram logo foram integrados ao grupo e disputaram algumas partidas, ajudando a fortalecer ainda mais a equipe.

Em agosto de 1977, o mundo recebia a triste notícia da morte do “Rei do Rock”, Elvis Presley, foi encontrado morto em sua mansão. A música americana (rock, black music, disco etc) teve um alcance muito grande no comportamento de todo a juventude. No Brasil, isto não seria diferente. No início dos anos 1970 e durante toda a década, era visível nas roupas e no visual dos jogadores (com suas grandes cabeleiras),  a influência da moda da contracultura. Entre os negros era comum o cabelo estilo “Black Power”. Estrelas da música, como Gilberto Gil, divulgavam a cultura negra, era o orgulho da raça, “Black is beautiful”.

No Vasco, os blacks mais famosos estavam no ataque: Fumanchu e Ramon. A dupla foi muito importante para manter o time como um dos melhores ataques durante todo o campeonato. Cria do Vasco e da mesma geração de Gaúcho e Dinamite, Luis Fumanchu, um ponta atrevido que vivia colocando apelidos nos seus colegas de time: Mazarópi era o Lobão, Abel era o Xerifão, M. Antonio era o Sherlock, Zé Mário o Narigueller (Pinoquio mais Uri Gueller), Zanata era o Brancão, Ramon era o Cara Inchada e Luis Augusto, o Dinossauro. Mas na sombra de Fumanchu, um ponta também formado na base do clube começava a aparecer muito bem, a ponto de ganhar a posição de titular no segundo turno: Wilsinho.

Ramon foi contratado na esperança dele ser o auxiliar perfeito do grande artilheiro do Vasco, Roberto Dinamite. Logo começaram as especulações de que aquela dupla não iria dar certo. Ramon provou o contrário foi o vice artilheiro do Vasco na competição com 13 gols e ganhou todo a confiança da torcida e do técnico. A força de nosso ataque surpreendia até o massagista Santana, conhecido por realizar mandingas a favor do Vasco,  tamanha a facilidade do time marcar gols: “se ganham de quatro, querem marcar o quinto. Se vencem de cinco, o objetivo é fazer o sexto”.

Outro black de destaque naquele time era Marco Antonio (campeão na Copa de 1970). De todos os negros do time, ele era o que tinha o cabelo mais curto. De todos os jogadores de defesa (famosa por “arrepiar” os adversários), ele era o mais clássico. De todo o time do Vasco, ele era o que menos despertava amor da torcida, mesmo considerado um craque. Em comparação com Abel, por exemplo, que parecia suar por todo o time, Marco Antonio terminava o jogo com a sua camisa “seca”, na mesma elegância que começou…

Por sinal, em 1977, começou a surgir a polêmica sobre a propaganda no uniforme dos jogadores (já utilizado na Europa). Para o diretor da revista Placar, Jairo Regis, não se poderia mexer nas camisas: “esse símbolo de fidelidade, de disposição para a luta está ameaçado. Fala-se, mais uma vez, na utilização dos jogadores como veículo de publicidade”.  No mesmo sentido se posicionava o poeta (vascaíno) Carlos Drummond de Andrade que, com fina ironia, critica: “locutores e cronistas esportivos passarão a referir-se a partida entre ‘um raro prazer’ e ‘exportar é o que importa’. A ‘marca mundial das três listas’dá de 2 a 0 no ‘bonzão’” (Drummond, 2002, p.144). No mesmo ano passava a ser permitida a publicidade[7] dentro dos campos (Helal, 1997). No entanto, a recusa por mudanças e a pressão de dirigentes e torcedores foi mais forte e, somente em 1983, é que os clubes passaram a adotar a propaganda nos uniformes, embora muitos achassem que tal atitude fosse uma profanação de algo sagrado.

Torcida e torcedores estavam em evidência naqueles anos. Muito se comentava sobre a “invasão corintiana” no Maracanã, em 1976, na semifinal do brasileiro. Em 1977 a torcida do clube paulista lotava os estádios para finalmente ver o clube campeão depois de 23 anos sem títulos. Nos 48 jogos (sendo três finais contra a Ponte Preta), mais de 2,2 milhões de pessoas acompanharam os jogos do Corinthians, com uma média de 46 mil pagantes. No Rio a torcida vascaína[8] não ficava atrás. É claro que nos anos 1970 muitos jogos dos outros clubes cariocas levaram mais de 100 mil pessoas ao Maracanã. No entanto, é inegável que neste ano a força da torcida vascaína ficou evidenciada: ao fazermos uma média de público nos jogos do Vasco contra os 4 grandes, pudemos constatar uma média de 100 mil pessoas nos nove clássicos (turno-returno e final).

Sem a televisão para transmitir os jogos ao vivo, a grande fonte de receita dos clubes, até o início dos anos 1980, era proveniente da arrecadação das partidas. Se a média do campeonato carioca de 1977 foi em torno de 12.000 (Helal, 1997), o Vasco, por outro lado, teve uma média muito superior. Algo em torno de 30 mil pessoas. O que prova que o campeonato carioca daqueles anos não era tão deficitário, mesmo nos padrões de hoje.

Profundamente combatido nos dias atuais, visto como ultrapassado para o futebol moderno, os campeonatos estaduais nos anos 1970, tinham um grande charme e eram competições que alimentavam as rivalidades locais e estimulavam o gosto de todo carioca pelo futebol. Talvez mais que o campeonato brasileiro[9] e competições internacionais (como Libertadores, por exemplo).

A circulação dos grandes clubes pelos subúrbios e todas as zonas da cidade fazia o carioca se identificar mais com o seu clube ao ter a oportunidade de ver seus ídolos jogar perto de sua residência. Isto hoje é uma lembrança remota com o enfraquecimento dos clubes pequenos, da destruição de seus estádios e da falta de vida nos clubes por toda a cidade, sem falar na eliminação dos milhares campos de peladas. Lutar pelo campeonato carioca que já trouxe muitas alegrias para seus moradores virou démodé… Em vez de vermos o crescimento de todas as regiões da cidade, do fortalecimento dos seus clubes, da transformação dos seus estádios em locais decentes, vemos o esfacelamento destas agremiações, disputando eternas segundas divisões…

No final de agosto o Vasco voltava a Europa[10] para disputar mais 3 partidas. Antes da viagem, o clube enfrentaria o Botafogo no dia de seu aniversário (21 de agosto). Mais uma vitória (2 a 0) e o Botafogo cujo símbolo era o Pato Donald, realmente confirmava ser um grande “pato”, um eterno freguês.

De volta ao Brasil, em setembro[11] o campeonato entrava na reta final faltando 7 adversários para o Vasco colocar a mão na Taça em definitivo, mas em sua cola o Flamengo fazia uma boa campanha e esperava um tropeço do rival. Algo improvável pois o time não tomou um gol neste segundo turno  e o ataque continuava a pleno vapor. Só não podia contar com a expulsão de Dinamite no tumultuado jogo com o São Cristóvão (1 a 0)  em Moça Bonita (10-9) e com o empate na penúltima rodada com o Volta Redonda (0 a 0), em pleno estádio de São Januário. O resultado deu outro ânimo ao Flamengo pois o Vasco não dependia mais dele para ser campeão  por antecipação, além de termos  que enfrentar o Bangu (em partida adiada)[12].

O último jogo no segundo turno seria contra o Fluminense que jogava suas últimas esperanças na conquista do tricampeonato. Dependendo dos resultados, o Fluminense seria campeão do segundo turno e disputaria a final com o próprio Vasco. Hipótese que os vascaínos queriam ver descartada logo em função da terrível “escrita” contra o tricolor. No final da partida, o Vasco venceu por 2 a 0 com um show de Wilsinho[13].

Vasco e Flamengo terminaram o segundo turno empatados em primeiro lugar. Haveria a necessidade de uma partida decisiva para sair o campeão do segundo turno. Uma vitória vascaína representava o fim do campeonato e a consagração do grupo cruzmaltino, caso contrario, uma nova decisão seria disputada, entre o vencedor do 1º turno com o vencedor do 2º turno.

A disputa seria acirrada não só em campo mas na audiência das três principais emissoras de rádio esportivo: Globo, Tupi e Nacional. A Rádio Globo, comandada por Waldir Amaral e Jorge Curi (João Saldanha era o comentarista principal), até então, disputava o primeiro lugar com a Tupi, de Doalcei Camargo (apoiado por Ruy Porto nos comentários). No entanto, a novidade no radio esportivo carioca naquele ano era o “Garotinho” Jose Carlos Araújo “que em 1977 decidiu aceitar a proposta da Rádio Nacional para comandar o esporte da emissora” (Ribeiro, 2007, p.243). Junto com o “Garotinho”, vieram Luiz Mendes, Washington Rodrigues, Denis Meneses, Jose Cabral e toda uma equipe que trouxe uma série de inovações na transmissão esportiva.

       Decisão nos pênaltis

Maracanã lotado, dia 28 de setembro de 1977. As 21 h. as duas equipes estão prontas para o confronto. No Vasco nenhum desfalque, no Flamengo a mesma situação. Não há favorito e a tensão toma conta de todos em campo e nas arquibancadas. A cidade para e fica com os ouvidos coladinhos aos rádios de pilha (a TV não transmitiu o jogo). Rola a bola… 90 minutos e o placar não se modifica: 0 a 0. Conforme o regulamento, a partida vai para a prorrogação e mais 30 minutos de pura adrenalina. Os jogadores lutam de cada lado, mas não há grandes chances de gol para nenhum time. O juiz apita o final da prorrogação e o placar continua igual. Na cobrança de pênaltis, Vasco 5 a 4[14]. O Vasco  é o campeão[15] carioca de 1977!!!

A noite é de festa e confraternização de toda a equipe, mas um herói sai de campo consagrado: Geraldo Pereira de Matos Filho. Não, não foi o zagueiro Geraldo o autor do quinto e definitivo gol vascaíno (convertido por Dinamite). Mas foram nas mãos de Geraldo que a torcida vascaína pode antecipar a esperança de comemorar o feito (como em 1976). Nesta vez foi Tita quem perdeu o  pênalti. Perdeu não, Mazarópi defendeu. E foi uma defesa espetacular, um salto para o lado direito espalmando a bola.

Geraldo é o nome de Mazarópi, goleiro do Vasco que chegou em São Januário ainda jovem (1970), com o seu jeito caipira, vestido com roupas simples, tranqüilo e arredio. Em poucos dias ganhava o apelido de Mazarópi. Da escolinha até sua profissionalização foram anos de treinamento e tempo para conhecer seu clube mais de perto (morava na concentração de São Januário). Começava a deixar a sua paixão pelo seu clube de infância de lado. Geraldo nasceu na cidade de Além Paraíba (a mesma do goleiro do Flamengo Cantarelle). O ídolo de Mazarópi era o goleiro rubro-negro, Marco Aurélio, famoso por seus vôos acrobáticos.

Ao chegar em São Januário, o atleta pode conhecer um goleiro também acrobático. Aliás, o mais acrobático de todos na história do clube (juntamente com Barbosa). O goleiro argentino Andrada foi o grande ídolo do Vasco nos anos 1970. Quando Mazarópi se tornou profissional pode conhecer todas as manhas e truques do arqueiro. Aos poucos Mazarópi foi ganhando seu lugar no banco de reservas, até que em 1976 Andrada se despedia do Vasco e ele se tornou titular. Depois da Taça Guanabara de 1976, Mazarópi ganhou a confiança de toda a torcida em definitivo, entretanto, Fantoni ao assumir o clube não achava que ele pudesse desempenhar sua função com excelência, chegou até pensar em pedir um novo goleiro. Começa o campeonato e as defesas milagrosas, a segurança constante, a sorte, as partidas irretocáveis, enfim, fizeram o técnico mudar de opinião: “quando cheguei vinha preocupado com um goleiro. E realmente o Mazarópi tinha muitos defeitos: saía mal do gol, era lento na reposição de bola (…) tinha as munhecas frágeis”, falhas que foram superadas, segundo o técnico.

Enquanto os vascaínos comemoravam por toda a cidade, os jogadores rubro-negros reclamavam de um provável pênalti de Geraldo em Osni. Durante toda a semana eles foram duramente criticados pelos torcedores ao irem para um bar depois do jogo. Zico relembra o momento: “quando perdemos aquele estadual, saímos todos juntos no ônibus e fomos para o Barril 1800 (um bar de praia, moda nos anos 70), ao lado do Jorge Ben, que fez até uma música para aquele pênalti que o juiz não deu”. O cantor gravou a música sobre o polêmico  lance no disco “A Banda do Zé Pretinho”.

Terminada a competição, a defesa vascaína era a menos vazada (5 gols) mas um recorde estava por ser batido, pois desde a 12ª rodada contra o Bonsucesso, o Vasco não tomou gol. Só foi tomar gol  no campeonato seguinte. Um recorde registrado no Livro do Recordes[16].

Se Mazarópi foi o grande herói, Wilsinho foi a grande revelação do campeonato carioca em 1977 (juntamente com Adílio). Era um ponta direito habilidoso, com jogadas faziam que lembrar Garrincha nas melhores partidas. Wilsinho terminou a competição como titular no lugar de Fumanchu (então titular absoluto) e conquistou uma vaga de titular da seleção brasileira no ultimo amistoso daquele ano. Com 20 anos, o ponta não conseguiu nos anos seguintes manter o brilho das atuações daquele campeonato. Ficou no clube mais alguns anos (saiu em 1981) e na seleção não voltou mais, foi apenas “um sonho de verão”.

O saldo final da campanha é para deixar qualquer vascaíno com boas lembranças. Nem mesmo o Expresso da Vitória alcançou algumas façanhas que aquele time conquistou neste ano. De acordo com a Revista Placar Especial sobre o Vasco (1999): “nenhum jogador do Flamengo, do Botafogo e do Fluminense fez gol em sete clássicos disputados contra o Vasco (…) foram 25 vitórias em 29 partidas, sendo que o time não levou gol em 17 jogos consecutivos. O ataque marcou 69 gols (2,38 por jogo) alimentado por um meio-campo onde Zé Mário, Zanata e Dirceu pareciam jogar por música. Juntos, Roberto Dinamite e Ramón fizeram 38 dos 69 gols” (p.57).

A alegria seria completa se Roberto Dinamite terminasse como artilheiro do campeonato, pois desde o início o atacante liderou a disputa mas terminou atrás de Zico      ( 27 gols) por apenas dois gols de diferença. Era o primeiro título estadual de Dinamite, então com 24 anos, e grande ídolo da torcida  a partir da saída de Andrada. Roberto e Zico, atuando juntos e destaques na seleção brasileira (desde 1976) dividiam a idolatria de suas respectivas torcidas. Formados nas bases de seus clubes, os dois atacantes travavam uma disputa amistosa e respeitosa e praticamente disputaram a artilharia de todos os campeonatos cariocas entre 1974 e 1982. Usavam o mesmo número na camisa (10) e eram exímios cobradores de pênaltis[17].

O que ficou para a História do Futebol Brasileiro foi um time inesquecível, como alguns outros nos anos 1970: o Palmeiras em 1972, o Internacional em 1975-76, o Fluminense em 1975-76, o Atlético MG em 1977… times que elevaram a paixão do torcedor a máxima potência.

 

Bibliografia consultada:

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FERREIRA, Fernando da Costa. O bairro Vasco da Gama: um novo bairro, uma nova identidade? (2004) – dissertação de mestrado. Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Federal Fluminense.

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LEVER, Janet. A Loucura do Futebol. Rio de Janeiro: Record, 1983.

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MERCIO, Roberto. A História dos Campeonatos Cariocas de Futebol :  Sprint , 1985.

MOTTA, Nelson. Noites tropicais. Rio de Janeiro: Editora Objetiva, 2000.

PINTO, Paulo César O.  Um ídolo chamado Roberto Dinamite  Revan, 1988.

SILVA, Francisco Carlos Teixeira da (org.) . Memória Social dos Esportes. Rio de Janeiro, Mauad, 2006.

SILVA, Silvio Ricardo da. Sua torcida é bem feliz … da relação do torcedor com o clube. Tese de doutorado (em Educação Física), Faculdade de Educação Física da Unicamp, Campinas, 2001.

SANTOS,  Joel  Rufino dos. História   política  do  futebol brasileiro.  São Paulo: Brasiliense, 1981.

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Histórico Esportivo da Equipe Principal do C. R. Vasco da Gama. No âmbito nacional e internacional, com todos os jogos e resultados até 25-05-1983. Revista Comemorativa do 85 anos de fundação do clube.

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Revista Placar Especial Grandes Clubes. Vasco, o Expresso da Vitória. São Paulo. Editora Abril, outubro de 1999.

Sites consultados:

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http://www.netvasco.com.br/forum/viewthread.php?fid=110&tid=20062&action=printable

http://www.netvasco.com.br/mauroprais/vasco/curios1.html

http://www.planetadofutebol.com/artigos/mundial-sub-20-argentina-2001-apresentacao-o-caminho-das-estrelas

http://pt.wikipedia.org/wiki/Campeonato_Mundial_de_Futebol_Sub-20_de_1977

http://pt.wikipedia.org/wiki/Torneio_de_Paris_de_Futebol

http://pt.wikipedia.org/wiki/Trofeu_Ramon_de_Carranza

http://pt.fifa.com/tournaments/archive/tournament=104/edition=191057/overview.html

http://sovascodagama.blogspot.com/2008/06/guina.html

http://wapedia.mobi/pt/Campeonato_Mundial_de_Futebol_Sub-20_de_1977

http://wapedia.mobi/pt/Taça_Intercontinental_de_1977

http://wapedia.mobi/pt/Taça_Libertadores_da_América_de_1977

[1] Troféu Manuel Nascimento Vargas Neto, homenagem ao ex-presidente da federação de futebol nos anos 1940 e sobrinho de Getúlio Vargas.

[2] Compunha ainda a comissão técnica o ex-jogador Roberto Pinto, campeão carioca em 1958, como auxiliar técnico.

[3] Fugindo do perfil do jogador de futebol que mal completava o antigo ginásio (ensino fundamental), Zé Mário  fazia faculdade de Educação Física, Zanata (Economia), Abel (Administração de Empresas) e Dirceu (contabilidade).

[4]  A maior contratação do ano no futebol carioca em 1977 foi a de Cláudio Adão vendido pelo Santos ao Flamengo por cerca de Cr$ 5 milhões.

[5] Paulinho (no lugar de Roberto, servindo a seleção)  seria o artilheiro do campeonato brasileiro em 1978 com 19 gols. No campeonato carioca de 1977 fez 4 gols.

[6] O primeiro Campeonato Mundial de Juniores da FIFA foi disputado na Tunísia entre 27 de Junho e 10 de Julho de 1977 e foi ganha pela União Soviética, 2º México, 3º Brasil e 4º Uruguai. O artilheiro foi Guina (camisa 10), 4 gols. A competição na África era o primeiro sinal de agradecimento de João Havelange aos países que o apoiaram em sua vitória na disputa da presidência da Fifa em 1974. Na Copa de 1982 aumenta o número de clubes disputantes de 16 para 24. Sobre a importância do dirigente nesta época ver (Murray, 2000). Embora seja tricolor, Havelange tem o título de grande benemérito do Vasco.

[7] Nos treinos os jogadores já exibiam a logomarca da  empresa Adidas em suas camisas. Para o uniforme de 1977 do Vasco valeu da superstição: o clube voltou a jogar com as meias zebradas, como na época do Expresso da Vitória.

[8] Depois de apoiar a chapa derrotada de Medrado Dias, Dulce Rosalina abandonava a liderança de 20 anos da TOV (Torcida Organizada do Vasco) para fundar a torcida Renovascão.

[9] Esta é a impressão da socióloga americana Janet Lever,  ao pesquisar o futebol brasileiro naqueles anos. Cf (Lever, 1983, p.189).

[10] Foi disputar o tradicional Ramon de Carranza, perdendo para o Atletico de Madrid por 0 a 3 (27-08) e vencendo o time da casa, o Cadiz por 5 a 3 (28-08), terminando em o terceiro lugar. Em Portugal jogou com o Sporting (30-08)  e perdeu por 1 a 2. O Troféu Ramón de Carranza é uma competição veraneia de futebol que acontece na cidade de Cádiz, na Espanha, aos finais de cada verão. É conhecido popularmente como a taça das taças. É disputado desde 1955 e o Vasco venceu três vezes: em 1987, 1988 e 1989. Cf. www.wikipedia.com

[11] Em setembro o Cruzeiro tentava o bicampeonato da Libertadores. A edição de 1977 da Taça Libertadores da América foi a 18ª disputada ao longo da história. Após ter sido derrotado na final de 1963, o Club Atlético Boca Juniors da Argentina conquistou o título pela primeira vez. Seu adversário na final foi o Cruzeiro do Brasil, campeão da Taça Libertadores do ano anterior.As finais foram disputadas em 6 de setembro: Boca Juniors 1-0 Cruzeiro, em  Buenos Aires; 11 de setembro: Cruzeiro 1-0 Boca Juniors, em  Belo Horizonte. O desempate em 14 de setembro, Boca Juniors 0-0 (pen 5-4) Cruzeiro, na cidade de  Montevidéu.

[12] O jogo com o Bangu “foi anulado por causa de um tremendo sururu ocorrido quando o Vasco fez 1×0 faltando dez minutos, por intermédio de Paulinho. Acho que o Roberto não pode jogar esse jogo. O juiz deu o gol, mas, pressionado pelos jogadores e dirigentes do Bangu, voltou atrás e anulou o gol, depois voltou atrás novamente e confirmou o gol, até hoje ninguém sabe direito. Houve então uma invasão de campo e o jogo foi suspenso por falta de garantias. A Federação decidiu anular o jogo e um novo jogo foi disputado no mesmo local, com vitória do Vasco por 2×0 com dois gols de Roberto”. Depoimento de Mauro Prais (Netvasco) em janeiro de 2010.

[13] “Na semana antes da vitória contra o Flu, o supervisor de futebol do tricolor, Domingos Bosco, passou a semana inteira fazendo provocações e perguntando quem era o Wilsinho (que naquela altura estava uma sensação no campeonato), dizendo que jogador com nome terminado em “inho” não podia ser grandes coisas (esquecendo-se que o Flu tinha Marinho, Edinho e Pintinho) e que o Flu é que era a Maquina e ia vencer (…) porque o Vasco era freguês, essas sandices todas. Mas no jogo o Wilsinho foi endiabrado, entortou o Marinho e o Edinho, que acabou até fazendo um gol contra depois de uma grande jogada do nosso ponta”. Depoimento de Mauro Prais (Netvasco) em janeiro de 2010.

[14] Marcaram os Gols do Vas­co: Paulinho, Orlando, Dirceu, Zandonaide e Roberto; os do Flamengo: Júnior, Cláudio Adão, Osni e Zico (Tita cobrou o quarto, que foi defendido por Mazarópi). Eis os dados do jogo: Local: Maracanã; Juiz: Giese do Couto; Renda: Cr$ 6 162 851,00; Público: 152 059; Cartão amarelo: Toninho, Cláudio Adão e Wilson. Vasco: Mazarópi, Orlando, Abel, Geraldo, Marco Antônio, Zé Mário, Zanata (Helinho), Dirceu, Wilsinho (Zandonaide), Roberto e Paulinho. Técnico: Orlando Fantoni. Flamengo: Cantarele, Ramírez (Tita), Rondinelli, Dequinha. Júnior, Merica (Vanderlei), Adílio, Zico, Toninho, Cláudio Adão e Adílio. Técnico: Claudio Coutinho. Cf. http//brfutblogspot.com/2009/campeonatocarioca1977 segundo turno, consulta em 24 de janeiro de 2010.

[15] As penalidades foram batidas do lado da torcida do Vasco Esta era a primeira vez na história em que o campeão carioca saiu após uma decisão por pênaltis. Foi o 14º título carioca de sua história.
 (www.netvasco.com.br)

[16] “a excepcional série sem sofrer gols do Vasco, que se estendeu por 20 jogos, sendo 18 deles completos, e mais uma prorrogação de 30 minutos, numa duração total de 1.761 minutos, só terminando no Campeonato Carioca de 1978. O extraordinário desempenho da defesa vascaína no Carioca de 1977 resultou na média de 0,17 gol sofrido por jogo, ainda hoje a melhor de todos os tempos no Campeonato Carioca. O gol que iniciou a série foi sofrido aos 13 minutos do 1º tempo do jogo Vasco 2×1 Bonsucesso, em São Januário, em 15/05/1977, na antepenúltima rodada do 1º turno do Campeonato Carioca de 1977. A série foi encerrada aos 34 minutos do 1º tempo de Madureira 1×2 Vasco, em Moça Bonita, em 07/09/1978, jogo da 2ª rodada do 1º turno do Campeonato Carioca de 1978. Mazzaropi é hoje reconhecido como o dono da maior série sem sofrer gols em campeonatos de 1ª divisão em toda a história do futebol, de acordo com a Federação Internacional de História e Estatística de Futebol. Cf.www.netvasco.com

[17] Nesta época Roberto ainda não havia se dedicado em cobrar faltas (depois virou um excelente cobrador), talvez um dos motivos de Zico ter superado na disputa.

jorgemedeiros@gmail.com