O time da vontade

No Brasil de 2018, a honestidade virou virtude. Num país de ladrões e corruptos, os poucos que agem com retidão de caráter viram exceções. Ou seja, o que era para ser um elemento básico do comportamento do brasileiro virou, infelizmente, diferencial.

Garra, vontade e luta deveriam ser obrigatórios em qualquer time de futebol do Brasil. Quem veste uma camisa de um clube grande do Brasil é um privilegiado num país de famintos. Ganham pequenas fortunas para fazer aquilo ali.

Mas isso não é verdade. Tal como a honestidade, que deveria ser obrigação, a garra virou virtude de poucos. E nesse sentido, dá gosto de ver a luta desse time do Vasco. Estão longe de ser um grande time de futebol, mas se dedicam como poucos, e não desistem enquanto o jogo não acaba. Talvez por isso venham sendo repetidamente premiados em finais de jogos, com vitórias improváveis. Como a de hoje, por 2 a 1, de virada, sobre o Atlético-MG, sabidamente um time mais forte que o nosso, cheio de bons jogadores e com um goleiro em tarde iluminada. O Vasco sofreu um gol esquisito ainda no primeiro tempo, numa bola em que Martin Silva foi muito mal, sendo encoberto.

Apesar de momentos de desatenção e dá má atuação de alguns jogadores (Evander segue sendo irritante), o time pressionou o time do Atlético e o abafou, criando sucessivas chances de gol. Mais impressionante, não esmoreceu quando Vitor fez repetidas defesas difíceis, dando a impressão de que o dia não seria nosso. O gol de empate veio já aos 42 do segundo tempo, num chute muito bem colocado de Wagner, que correu o tempo inteiro, criou, marcou e liderou o time em busca do resultado.

Empatado o jogo, o time teve a virtude de não diminuir a pressão. Seguiu em busca do gol da vitória, que viria num pênalti (pra mim bem marcado) sobre Rildo. Cansamos de ver o Vasco desistir de ganhar jogos quando jogava melhor e se entrincheirar tentando segurar resultados incertos, com resultados sempre trágicos. Isso foi um pouco o que aconteceu com o próprio Atlético hoje. Cientes de sua superioridade, recuaram para sair em contra-ataques e matar o jogo. Deixaram o Vasco abafá-los, a saída em velocidade não funcionou, e o pouco de soberba fez mais uma vítima.

Três pontos importantíssimos, contra um dos times fortes do campeonato. Temos tudo para acabar muito bem esse primeiro mini-campeonato pré Copa do Mundo, e passarmos o torneio em ótima posição para a reta final.

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Desabato é um inacreditável achado. Não erra passes. Marca muito bem. Sabe sair jogando.

Wagner vem se desdobrando para ser o líder de um time sem estrelas. É impressionante a vontade que mostra em campo. Tido como um jogador frio, ausente, tem sido justamente o contrário. Merece o reconhecimento da torcida

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Quinta-feira, o jogo do ano: Racing, em Avellaneda.