O silêncio dos jornalistas hipócritas

flavio prado 1  renato mauricio 1

Passados 180 dias daquela que foi a maior coincidência enrustida da história do futebol brasileiro, estamos às vésperas da Copa do Mundo de 2014 e, claro, “ocupadíssimos”, alguns dos mais conhecidos homens de imprensa esportiva do Brasil (outros nem tão homens assim) exercem a faceta mais conhecida de seus trabalhos jornalísticos: a da hipocrisia.

Ontem, o STJD por unanimidade puniu o Criciúma pela perda de três pontos em função da irregular escalação do atacante Cristiano, na ocasião do confronto contra o Goiás pela segunda rodada do Brasileirão 2014.

Até aqui, nenhuma novidade: isso acontece regularmente e o STJD foi exemplar ano passado, mesmo com a grita de boa parte da mídia nacional em relação ao caso André Santos-Heverton – Flamenguesa, melhor dizendo.

Fato novo (mas nem tão novo assim): o silêncio covarde e sonso de mil cemitérios das gralhas furiosas de seis meses atrás, tais como Judas Kfouri, Antero Fraco, RMPZan, Lofredo, Rizek, Ricardo Tanure Boechat, Mauro Cézar Gávea e, last but not least, Flávio “Vanessa” Prado, dentre outros do segundo escalão.

Afinal, é Copa do Mundo e ninguém ia prestar atenção nisso. Não?

Seis meses depois, milhões de torcedores não engoliram a carnavalização que se foi feita no fim do campeonato de 2013. Exilaram o Vasco depois da surreal realização do jogo em Joinville, jogaram gasolina em cima do Fluminense para queimá-lo vivo e… um silêncio monumental que ninguém conseguiu explicar até agora: como a imprensa esportiva do Brasil ESQUECEU-SE de noticiar a irregularidade de André Santos no sábado, 07/12/2013, que custaria a perda de pontos do time rubro preto e o rebaixamento, mudando todo o cenário do andamento da rodada que estaria por vir horas mais tarde?

A leitura é fácil demais. O jogo em Joinville teria que acontecer de qualquer jeito, com ou sem polícia, com ou sem mortos, o diabo que fosse por um simples motivo: se a partida fosse adiada, o que seria o óbvio, o Vasco não entraria mais em campo contra o Atlético-PR apenas para se salvar da série B, mas também com seu resultado atingindo diretamente o rival – que perderia os pontos no STJD de qualquer maneira.

Depois que o Vasco perdeu, muita gente ficou aliviada, já que o álibi estava forjado com bons elementos, mesmo que a bomba explodisse na terça-feira, como realmente aconteceu. Depois, era só utilizar o Fluminense como boi de piranha, empurrando-lhe a culpa de todo o causo, e a jogada estaria limpa.

O que deu errado foi não estarmos mais em 1997 ou 1998, tempos mais propícios para abafar pilantragens dado que não existia a internet com a força de hoje, por exemplo. A verborragia agressiva e colérica das redações e estúdios encontrou forte oposição nos sites, blogs e redes sociais.

Seis meses depois, o silêncio hipócrita dos cavaleiros da ética e da moral é cada vez mais revelador sobre tudo aquilo que aconteceu naquele fim de semana de dezembro de 2013. Onde estão os falsos moralistas da imprensa em defesa do Criciúma? A regra não é a mesma para todos? E a ética? E o critério?

Há quem veja nisso tudo apenas coincidência, especialmente os ingênuos.

@pauloandel