O senhor da razão e o despertar de uma ilusão!

O roteiro era o mesmo de toda sexta-feira. Perto das 18 horas, eu em meu carro, estacionando para cumprir a minha última obrigação da semana: uma aula (mais uma, de tantas que leciono semanalmente!) para os “concurseiros” do curso preparatório no qual também trabalho.

Confesso-lhes que não sou nada fã do programa “Globo Esportivo”, apesar de respeitar aos profissionais que lá trabalham, dignamente e cada um com sua opinião, mesmo que em muitos casos não sejam coincidentes com as minhas. Deixei de ser fã desse programa no momento em que, numa jogada que parecia para diminuir muito da voz do vascaíno que lá estava, Gilmar Ferreira é demitido da emissora e Loureiro Neto, por motivo de doença, é obrigado a se afastar. Quem assumiu colocou em seus lugares no mesmo horário Dé Aranha (se diz declarado torcedor do América-RJ) e Eraldo Leite (botafoguense). Os demais componentes dessa mesa “isenta” de debates são Sérgio Du Bocage (assumiu o lugar de Renato Maurício Prado) e Felipe Cardoso (tricolor). Vez ou outra, quando lhe dão espaço, o único vascaíno que “pinta nessa área” é Rafael Marques.

Enfim, escutei durante o trajeto inteiro da viagem uma rádio musical até que, ao estacionar, resolvi trocar de rádio e escutar os principais assuntos que estavam sendo debatidos. Para minha surpresa, o tema debatido era sobre o Vasco, e para surpresa ainda maior, a discussão era sobre as eleições vascaínas. O debate era em torno da possível extensão de mandato do Presidente Roberto, tratado como “golpe” por parte de Luiz Penido. Os componentes da mesa de debates, dentre eles Eraldo Leite, pareciam de certa forma concordar com sua colocação. Outros termos mais duros foram falados, em especial pelo locutor titular da emissora, tais como “brincadeira o que estão fazendo com o Vasco”, “gestão terrível”, “gestão desastrosa” (obviamente, se referindo à atual gestão vascaína)…

Ou seja: para nós que acompanhamos ao Vasco de perto, inclusive nos bastidores da política, nenhuma novidade…

Eis que, então, volta à tona o assunto rebaixamento, aliás, bi-rebaixamento do Vasco na gestão Roberto, assim levantado sob as palavras de “dois rebaixamentos” por Penido. Iniciou-se a “bulha” então, com Eraldo Leite de forma convicta combatendo essa colocação. Nas palavras de Eraldo, “o time do Vasco de 2008 cairia de qualquer jeito”, “era só observar quem estava lá e o que foi deixado como herança” (aquele velho papo da “herança maldita”, que para mim e nas palavras de Felipe Cardoso, “isso é uma chatice!”), “Roberto pegou uma canoa furada” etc. Do outro lado, Penido em tom muito mais brando combatia essas colocações: segundo as palavras do locutor, “não era bem assim”, “o Vasco caiu em 2008 porque Roberto saiu mudando tudo no meio do caminho”, “eles (Roberto e MUV) sabiam o que estavam pegando e ainda tinham seis meses de campeonato brasileiro, com o Vasco estando na nona colocação” etc. Fiquei acompanhando a discussão, já com o carro desligado e com minha hora quase estourando, mas não pude deixar de ouvir até o seu cessar, com TODOS os demais membros da equipe calados, Rafael Marques (ÚNICO vascaíno presente), inclusive.

Não é de ontem que sabemos que Penido, de forma velada como tantos outros jornalistas vascaínos da crônica esportiva, possui um apreço pelo ex-Presidente Eurico Miranda, apesar de ser ele, jornalista, torcedor tricolor declarado; assim como não é de ontem que soube da aversão de Eraldo Leite, hoje Presidente do Sindicato dos Jornalistas do Estado do Rio de Janeiro, ao ex-Presidente. Por motivos óbvios, que levam a ele e a tantos outros repudiar certas atitudes que Eurico tomou em resposta a certas colocações da mídia esportiva com relação ao Vasco e a ele, próprio, enquanto Presidente do clube.

Mas se teve uma coisa que ficou MUITO claro, pelo menos para mim, é o quanto boa parte da mídia ainda tenta jogar na conta do ex-Presidente aquela primeira queda. Fico imaginando: e se o Vasco fosse campeão brasileiro naquele ano com as mudanças que Roberto e MUV promoveram no balneário: o mérito seria, também, de Eurico? Evidentemente que não! Para o bom entendedor se recordar: Roberto e seus parceiros políticos tiveram o apoio da parte majoritária da mídia, em especial, da respectiva emissora. Quem assumiu o poder estava ao lado de pessoas como o Sr. Olavo Monteiro de Carvalho, que prometeu uma “fila de investidores”, mas que, em menos de quinze dias no poder, já estava desiludindo a torcida, ao afirmar que “o Vasco não estava em condições de realizar grandes contratações”; dentre outras atitudes mais como desestruturar todo um ambiente montado, demitir funcionários em massa e denegrir a autoestima dos jogadores após entrevistas desastrosas de Roberto, Neca e companhia, sendo a mais emblemática de todas aquela em que Roberto disse: “já joguei em times mais fracos do que esse!”.

Confesso que já fui iludido com o discurso da imprensa de que a culpa do rebaixamento de 2008 foi por conta de Eurico Miranda, mas como dizem meus “gurus” que me dão a “voz da sabedoria”: “o tempo é o senhor da razão”. Naquele ano, Eurico deixou o Vasco com sérios problemas, mas todos são unânimes ao afirmar que, hoje, o Vasco está em condição muito pior. Obviamente, grande parte da mídia não repercute isso, afinal foi ela que colocou em nossa cabeça, na minha inclusive, que Roberto era a solução para o Vasco. É tal como a fala do repórter Cláudio Perrout, em certo vídeo postado no youtube, que fala a respeito de um especial pela QUEDA (vejam bem, NÃO É por título, é PELA QUEDA!) do Vasco, em 2008:

“A falta de planejamento que vigorou durante essa temporada, a troca de treinadores, o improviso…e há também um outro fator que quase me foge que é também o afastamento do ex-Presidente Eurico Miranda. É o fim de uma era, o estabelecimento de uma outra, com a vinda do Presidente Roberto Dinamite. Desnecessário dizer que mudanças para melhor independente do que aconteça com o Vasco”. (Cláudio Perrout, repórter do Sistema Globo de Rádio, em Especial ESPN: os erros fatais em “Os bastidores da queda do Vasco” – minuto 3:54.

Hoje, o Vasco será repassado ao sucessor de Roberto (pode até ser Eurico, inclusive) com o patrimônio dilapidado, com o Remo sem ter conquistado um único título, com o Vasco a ganhar muito menos que seu arquirrival nas vergonhosas cotas de TV, com a imagem do clube cada vez menos repercutida na mídia e, na grande parte das vezes, de forma negativa. E o que é pior: na segunda divisão, o que já justifica a condição de muito pior situação do que a situação entregue por Eurico a Roberto!

Em seus bastidores, um show de politicagem pura, contas que não conseguem ser aprovadas e que, quando foram, foi muito mais por voto político. Conselho Deliberativo que não consegue se reunir nem mesmo para votar as causas mais sérias, e o que é mais grave: só vai se reunir, na próxima quarta-feira, para tentar através de um “golpe” (palavra de Penido que corroboro plenamente) prorrogar o mandato do responsável que consentiu uma lista de sócios colocada sob judice. Ou seja: caso prorrogado, será um prêmio à sua própria torpeza administrativa, o que lhe garantirá não pensar no clube, mas sim, em seus interesses pessoais, tal como sempre pensou: expor sua imagem por mais alguns meses, garantindo seu “palanque” para reeleição na ALERJ, de onde é o segundo deputado mais faltoso, desde 2010!

Tudo isso passou por minha cabeça logo após desligar meu autorrádio. Numa fração de segundos, estava pensando em um tempo disponível, ainda antes de começar mais uma aula, para escrever sobre todos esses meus sentimentos.

Sentimentos de um iludido que um dia gritou “Ah, é Dinamite!”; que comemorou um título vergonhoso de série B tal como se fosse “o resgate” do clube; que acreditou um dia que Eurico era, mesmo, o único culpado pela queda em 2008. Passados alguns anos e vendo a gestão Roberto, percebi que Roberto também tinha parcela de culpa pelo primeiro episódio (já escrevi sobre isso, um dia). Passados mais três desastrosos anos, percebo que Roberto e companhia foram, de fato, os únicos responsáveis, sob minha ótica e dadas as observâncias de valores e atitudes que levaram ao Vasco sob a gestão MUV à primeira queda.

Em síntese: “Parabéns” a todos nós, que por desejar a troca de poderes e o fim da dinastia Eurico motivados pela voz da imprensa, em 2008, apoiamos tudo isso. Se Eurico é o passado já dado, Roberto é o presente que não convence e que, envolto em suas vaidades pessoais, comemora (como vimos em vídeo) a possível prorrogação (mesmo sem merecer) de seu mandato. Nada como um dia após o outro para “as máscaras caírem”, sem pena! Mais uma vez, me curvo aos meus gurus, e em especial, ao “senhor da razão”, o tempo, que não fala, mas que mostra toda a verdade! “A verdade prevalecerá”? Para mim, já prevaleceu faz muito tempo…

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Alguns “toques finais”:

Gostaria de saber o número da megasena da virada, para viajar para bem longe e esquecer essa “cachaça” Vasco de vez através da distância! Com a palavra, o jornalista Eraldo Leite, com a mesma convicção com que disse, em 2008, “o Vasco cairia de qualquer jeito”…

Gostaria, também, de saber se irá haver (mais um!) acordão com Roberto, para que seus sócios aderidos em massa votem em novembro e para que, em troca, ele (Roberto, deputado que “brinca” de ser Presidente do Vasco) tenha seu mandato prorrogado garantindo, assim, a exposição de sua imagem até as eleições de outubro, com o Vasco (mais uma vez!) sendo seu “palanque eleitoral”. Com a palavra, os candidatos envolvidos e que foram contra o adiamento do pleito eleitoral (os únicos, por sinal), Sr. Eurico Miranda e Sr. Roberto Monteiro…

Se Roberto quiser “por amor ao Vasco” (de verdade!) resgatar um pouco de sua imagem para conosco, vascaínos feridos por sua vaidade, inércia e inépcia, ele próprio não aceitaria sua prorrogação de mandato, se afastaria e deixaria a uma junta interventora comandar todo um recadastramento geral necessário dos sócios e a gerir ao Vasco até dezembro, sendo os próprios os responsáveis pela transição de poder, para que o novo Presidente assuma em condições um pouco melhores em janeiro de 2015. Mais uma vez a condicional SE, essa sim, que bate um bolão…

@crismariottirj