O que VOCÊ pode fazer.

Vou partir do pressuposto de que você QUER que o Vasco saia desse lamaçal em que se encontra. Se esse não é o seu caso, por favor: interrompa a sua leitura por aqui. O que vou escrever a seguir, em nada te interessa. Obrigado por me ler e não perca a minha próxima coluna!

Agora, antes de mais nada (ou “antes de tudo”, para os mais puristas da língua portuguesa…), é preciso que você se pergunte: “Eu realmente me importo?” E vejam: não há mal nenhum em não se importar. Você pode querer ver o Vasco fora dessa mas não se importar. Afinal há outras prioridades na sua vida. Justo. Normalíssimo. Conheço muitos e muitos vascaínos assim, e por eu me importar, não me sinto nem um milímetro sequer menos ou mais vascaíno que estes. Essa é uma questão de foro íntimo. Cada um sabe de si e não me cabe tecer esta crítica porque você não se importa.

Novamente, se você QUER ver o Vasco fora dessa, mas NÃO se importa, por favor, interrompa a sua leitura aqui. Obrigado por me ler e não perca a minha próxima coluna!

Àqueles que querem ver o Vasco fora dessa situação e se importam com isso, vou sugerir algumas ações que estão ao nosso alcance. Sim. É pouco o que o torcedor comum pode fazer (veja bem: eu disse PODE, e não disse DEVE fazer…), mas se você quer e se importa, quem sabe não podemos ajudar de alguma forma?

Eu não elegi o Eurico Miranda. Na verdade, apesar de sócio proprietário do Vasco desde 2008, eu nem votei na última eleição. Tive o azar de sofrer uma cirurgia no joelho na véspera da eleição o que me impediu de me deslocar até São Januário para votar. Mas meu voto não seria nele.

Mas ele foi eleito. Torci muito para que ele viesse diferente, mas o que temos até o presente momento é mais do mesmo: bravatas ao vento e só. Infelizmente eu estava certo na minha opção e mais infelizmente ainda, a maioria dos sócios que votou não estava certa.

E o que você pode fazer? Só há uma maneira de mudar isso: tornar-se sócio. Voltando às questões iniciais, como você chegou até aqui, posso inferir que você quer ver o Vasco melhor e que isso tem uma importância relevante na sua vida. Aí eu coloco a terceira condicionante: se você tem condições financeiras, torne-se sócio do Vasco.

Não há outra via para tirarmos quem está, no momento, nos fazendo passar tantas humilhações. Sim, eu sei… A contrapartida é péssima. Eu mesmo vivo isso… Moro na zona sul do Rio de Janeiro, sou sócio proprietário do Vasco e minha filha, vascaína até ultimo fio de cabelo, nada no… Fluminense! O que fazer? Mesmo que o parque aquático abandonado pela administração anterior seja reformado, a distância entre minha casa e a sede do Vasco me impediria de colocá-la para nadar lá. É duro vê-la com aquela touca tricolor, mas o que posso fazer?

Mas é esse o ÚNICO caminho para tirá-lo de lá. Aliás, particularmente, é a minha maior motivação em manter-me absolutamente em dia com as minhas mensalidades.

Mas e além de ser sócio, o que você pode fazer? Novamente, se você quer ver o Vasco fora dessa e se importa com isso, compareça aos jogos. Vá e incentive. Se esgoele! Grite! Apoie! Nem comece a pensar que eu estou colocando a culpa de tudo isso na nossa torcida. EU NÃO ESTOU FAZENDO ISSO! É perfeitamente compreensível, afinal, para a maioria das pessoas, essa ação não passa de masoquismo. Ok. Compreendo. Mas, levando em consideração as condicionantes que coloquei acima, como disse a Carolina Sousa na sua coluna de ontem, se nós, que torcemos para o Vasco, não acreditarmos, quem mais vai? Os flamenguistas? Os tricolores? Os botafoguenses?

Eu sei, eu sei.. É muito difícil fazer isso para o… Ou para aquele jogador… Enfim: para qualquer um dos que hoje envergam a nossa camisa, mas é isso que nos resta: torcer! Incentivar!

No ano passado, demos um belíssimo exemplo de como uma torcida consciente deve se portar. Colocamos de lado o fato da verdadeira mulambada que vestia a nossa camisa, e comparecemos em massa nos últimos jogos que definiram a nossa volta à série A. Colocamos a seguinte prioridade na cabeça: “Temos que voltar para a série A, depois vaiamos essas porcarias que vestem nossa camisa”. Assim fizemos e assim voltamos.

E agora? Vamos deixar voltar para a segunda divisão? Ou acreditamos nas bravatas de nosso atual presidente que adora dizer que com ele o Vasco não cai?

Há outras opções: cornetar pelo Facebook… Marcar “encontros” com amigos vascaínos na série B do ano que vem… Xingar o Eurico nas redes sociais… Dizer que já sabia disso tudo… Que o campeonato carioca é uma ilusão… Que ganhamos pelo baixíssimo nível de nosso adversários ou por pura sorte… Blá, blá, blá…

Sim. E…?

De novo: você quer que o Vasco saia dessa situação? Isso é relevante na sua vida a ponto de te incomodar? Se sim, vá ao máximo de jogos que você possa ir e incentive como se fosse aquele time do fim dos anos 90! Se você tem condições financeiras e uma abnegação fora do normal, torne-se sócio!

Infelizmente, hoje é isso que nos resta.

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Ontem, contra o Sport, velhos erros se repetiram… Contivemos o ímpeto do mandante e não sofremos muitas ameaças mas novamente, de novo, mais uma vez pouco criamos… Um festival de toques para os lados e para trás…

O adversário bem que ainda tentou nos ajudar. Tirou o jogo do caldeirão que é a Ilha do Retiro e entrou totalmente letárgico no jogo… Mas no primeiro contra-ataque que foi encaixado, tomamos um gol (sim, eu acho que foi falta no Luan no lance).

Pelo menos dessa vez não tive aquela sensação de casa desmoronando… de pane que tem acometido o time depois de tomar o primeiro gol. Continuamos dominando, sem objetividade, mas ao menos empatamos.

Veio o segundo tempo e mantivemos a pegada. Aí vieram as substituições que eu tenho uma enorme dificuldade de compreender e o time aos poucos foi cedendo espaço ao Sport. Quando eu já considerava o empate um ótimo resultado, mais um gol de um lance onde não surgiu um pé vascaíno para chutar a bola para longe…

Ô fase!!! Tomar gols do André e do Wendel?!?!?

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Mas como desgraça pouca é bobagem, na semana que vem temos aquilo que nosso presidente bravateiro gosta de dizer que é um “campeonato à parte”. Pegamos o nosso maior rival (que convenhamos, também não está lá essas coisas…).

Para mim, esse será um divisor de águas. Se ganharmos, vai parecer para muitos que tudo, num passe de mágica, se resolveu. Um ilusão perigosa… Se perdermos, virá aquela sensação de terra arrasada, parecida com aquela que alguns sentiram na primeira partida do ano naquele torneio de verão de Manaus… Só que dessa vez, a “terra” vai estar… se não arrasada, muito perto disso.

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Gosto do Doriva e acho que ele tirou leite de pedra no campeonato carioca, mas hoje me parece evidente que ele está perdido.

O elenco não ajuda, mas ele também não. São substituições previsíveis que não mudam nada. Ou se mudam, mudam para pior, como ontem ao tirar o “primo do Messi” para colocar o Julio dos Santos. E olha que o “primo do Messi” fazia uma péssima partida, mas ele conseguiu colocar alguém que piorou mais ainda o nosso conjunto…

Para mim, não dá mais para ele. É preciso uma chacoalhada no grupo. Alguma novidade para afastar essas nuvens negras sobre São Januário.

Sugestão de nomes? Eu dou uma: Cuca. E você?

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Foi anunciada e confirmada a contratação do meia Andrezinho. Se eu gostei? Na boa? Longe… Muito longe de ser um craque, mas ao menos é melhor do que todos que estão ali no nosso meio.

Que venha e tome conta do time.

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Minha esperança se esvai a cada rodada… Mas ela ainda não morreu. Ainda acho que há tempo para reverter esse quadro, só que esse tempo é cada vez menor.

Que São Januário nos ajude…