O Punguista

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Fui hoje assistir ao meu terceiro e último jogo de Copa do Mundo. Argentina e Bélgica era pra ser um dos grandes jogos da Copa. Tinha as maiores expectativas nesse sentido.

Não foi. Muito por causa das circunstâncias. Mais ainda por causa do juiz, o punguista do título.

A Argentina teve a grande sorte de achar um gol aos oito minutos de jogo, numa jogada em que a bola espirrada se ofereceu para Higuain, livre, na entrada da área, virar no canto de um surpreso e indefeso Courtois.

A partir desse lance, a Argentina, sólida na defesa e com a ilustre colaboração belga, cujos atacantes estavam num péssimo dia, passou a fazer cera. Seu goleiro consumia 30, 40 segundos a cada tiro de meta. Laterais era batidos a passo de cágado (com acento). Isso desde os dez minutos de jogo.

Sob o beneplácito de sua excelência, o juiz. Italiano boa-pinta, um dos favoritos da Fifa, muito econômico nas faltas e cartões. Como todo italiano, gosta de conversar.

Um juiz não precisa inventar um pênalti para ajudar A ou B. Não precisa entrar em campo armado de um apito e expulsar cinco jogadores de um time em quarenta minutos para ser decisivo num jogo. Não precisa de tanto. Milhares de maneiras de fazê-lo.

O de hoje me roubou um jogo de futebol. Não tivesse o jogo sido tão irritante, me daria o trabalho de contar o tempo que o senhor me roubou de futebol. Sim. Paguei, e caro, para ver futebol, e não argentinos milongueiros enrolando toda e qualquer oportunidade de bola parada. O expoente do “recurso”, o goleiro argentino, repetiu a atitude um sem-número de vezes, sem qualquer providência de sua excelência.

Cereja do bolo, quando a Bélgica exercia sua (inoperante) pressão final, ele próprio se encarregou de atrasar o jogo aos 45 do segundo tempo para admoestar dois que se agarravam na área, ajudando a esfriar o time que atacava, e colaborando com o time que fazia cera.

Depois, cinco minutos de tempo acrescido e o juiz se exime de qualquer culpa. Cinco minutos é o padrão Fifa para um grande desconto. Certamente teria de ter dado o dobro. Mas ai falta coragem. Dez minutos provocariam a fúria dos argentinos em campo e nas arquibancadas.

Acabaram neste segundo os pênaltis que levaram a Holanda adiante. A Costa Rica também amarrou o jogo, mas sem usar dos subterfúgios que a toda-poderosa Argentina usou. Coisa de time pequeno.

Que o futebol a julgue e condene.

A seguir, cenas dos próximos capítulos.