O presidente que queremos

Imagine a tarefa que é presidir uma nação com a população de Portugal, hoje em torno de 10,5 milhões de pessoas. Pense em como é complexo administrar o Rio Grande do Sul, com seus 11 milhões de habitantes e distintas regiões. Ou como deveria ser a gestão de uma cidade que englobasse o Grande Rio (além da capital, os municípios de Belford Roxo, Duque de Caxias, Guapimirim, Itaboraí, Itaguaí, Japeri, Magé, Maricá, Mesquita, Nilópolis, Niterói, Nova Iguaçu, Paracambi, Queimados, São Gonçalo, São João de Meriti, Seropédica e Tanguá), com quase 12 milhões de habitantes.

Dureza, não?

O que se exigiria de um presidente, de um governador ou um prefeito de uma região deste tamanho? Em primeiro lugar, conhecimento das particularidades do que orá administrar, para gerir bem. Depois, desprendimento, para usar os recursos que entrarem no caixa visando unicamente a melhoria da vida dos cidadãos deste país, estado ou cidade. E, sobretudo, dedicação dia e noite para solucionar problemas, sem pensar em si mesmo. O ideal, vejam, seria alguém que amasse profundamente a bandeira que jurou defender.

Agora, vamos supor que este país, estado ou cidade, com 10 a 12 milhões de habitantes, tenha somente 15 mil pessoas aptas a votar, ou pouco mais de 0,1% da população geral. E que, curioso, destes 15 mil, apenas 7 mil pagassem impostos – com 8 mil isentos. Pense na responsabilidade deste ínfimo eleitorado diante da grandeza da nação, da unidade federativa ou do município. Agora, pense que, destes 7 mil eleitores contribuintes com impostos, uma massa de 24% seria composta por estrangeiros ou gente que não mora na cidade ou estado e quer que ele se dane.

Um perigo, não?

Bom, este país existe, Chama-se Club de Regatas Vasco da Gama. Tem uma população de torcedores que varia de 10 milhões a 12 milhões, segundo as estimativas mais conservadoras do mercado. Tem o tamanho de Portugal, do Rio Grande do Sul ou do Grande Rio. E vive essa incômoda situação eleitoral: cerca de 15 mil podem votar, e 1.700 deles são suspeitos de integrarem um mensalão, pago supostamente por um dos candidatos e seus apoiadores – um deles, segundo se comenta à boca pequena, é admirador da Angélica e adora um táxi.

Agora, veja só a nossa encrenca: hoje, em sã consciência, temos alguém com o perfil acima? Alguém com conhecimento, desprendimento e dedicação? Alguém que faça isso por amor, amor incondicional ao Vasco, amor absurdo, acima da lógica?

Ao menos por enquanto, não temos alguém com este perfil. Neste momento, com a desistência do homem que ocupou o lugar do ídolo Roberto Dinamite, só temos o sr. Eurico Miranda, que de forma alguma, ao menos na minha modesta opinião, se enquadra na descrição que fiz. Não que eu ache que a “herança maldita” que ele deixou tenha sido equacionada pelos que lá estão neste momento. Não foi pelo tamanho, mas também pela falta de agilidade em resolver os problemas – e, sobretudo, por alguns hábitos parecidos, em especial o de achar que “o Vasco é meu”, quando ele é de todos nós.

Fala-se muito em Jorge Salgado, em Fernando Horta, em Leonardo Gonçalves, em Roberto Monteiro, mas nunca se concretiza um nome que seja definitivo e que unifique todas as correntes – o Vasco dividido é presa fácil para Eurico. Essa angústia em se definir alguém que possa enfrentá-lo numa eleição é um atraso para o Vasco. Aos poucos, e especialmente após o jogo de domingo, vejo crescer o discurso enviesado de que “se o Eurico estivesse lá, o Vasco não seria roubado”. Um discurso que esquece-se das papeletas amarelas, um escândalo sem tamanho de corrupção no futebol carioca, que levou o campeonato de 1986 para o Império do Mal graças a suborno, mas que jamais foi questionado na justiça pelo mesmo ex-vice e ex-presidente.

Eurico não quer estar lá para defender o Vasco. Ele precisa mais do Vasco que o Vasco precisa dele. Sobretudo porque, sem o Vasco e os vascaínos, ele nunca mais será parlamentar – e um cargo, creiam, abre portas e mais portas…

Acho que chegou a hora de os grupos oposicionistas se unirem. Cruzada, Vira Vasco e os demais. Eu espero, sinceramente, que almoços nas Casas dos Poveiros, do Minho e outras tantas selem rapidamente uma chapa de interessados em erguer o Vasco. E que tenhamos um presidente que queira servir ao Vasco, e não se servir dele, pois o Vasco não é repasto para a sanha de ninguém.

Diogenes

Aqui, do meu canto no Planalto Central, sigo igual ao cidadão aí de cima, o Diógenes de Sinope, ou “Diógenes, o Cínico”, um grego que se mudou de sua cidade natal (Sinope) para Atenas e que foi discípulo de Antístenes, antigo seguidor de Sócrates. Tal como Diógenes, sou um mendigo que vive no barril e carrega a lamparina em busca de um homem honesto para guiar os destinos do Vasco. Um homem com virtudes, ações e que não queira se servir do imenso poder conferido ao condutor de uma nação com o tamanho do nosso clube.

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Trabalhei com Eurico Miranda na década de 80, quando ele era o gerente-geral da Besouro Veículos, na Praça da República. Eu era supervisor da locadora de automóveis. E lembro de várias histórias. Um dia eu começo a contá-las…

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Bola rolando ontem, e vencemos o Bangu com certa dificuldade. Mais pelo visível abatimento do time. E eis aí um problema sério que há quando a gente é assaltado em campo: os jogadores desanimam. Se ganhassem domingo, como era justo e legal, o time, que ainda está se encaixando, tinha entrado com a faca nos dentes. E cresceria mais na competição.

O legal é que a postura de um jogador me surpreendeu. Fellipe Bastos jogou o que eu nunca tinha visto. Não que tenha tido uma atuação de Pelé. Ao contrário. Mas jogou com raça e vontade. Foi um dos destaques, ao lado de Montoya e Thalles, que entraram muito bem, e de Douglas, outra grande aquisição para esta temporada.

Tomara que Fellipe Bastos siga assim. Pode mudar minha ideia e eu começar a achá-lo útil.

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Não falei nada antes, mas nosso goleirão Martín Silva precisa corrigir seu posicionamento. O futebol brasileiro é diferente do uruguaio e paraguaio, e isso influi tremendamente na colocação do goleiro na pequena área. Pelo quarto jogo seguido, ele falhou por causa de posicionamento, o que compromete, por extensão, sua saída de gol. Primeiro foi com aquele lance que fez o Téo José, na Band, soltar um “saiu mal pra c$%%#$” na partida contra o Volta Redonda. Erro que se repetiu contra o Nova Iguaçu e que resultou em um gol bem anulado, pois a bola foi ajeitada por um jogador impedido. Contra o Flamengo, o lance da falta que teria entrado 22 cm foi outra clara falha de posicionamento, que não saltou aos olhos de todos devido à lambança em campo. Ontem, uma nova saída errada e ele foi jogar de lateral…

Tudo isso pode ser jeito. A pergunta é: será que a comissão técnica já reparou?

Em tempo: é um baita goleiro. E um cara calmo. Se pegar a posição certa, eu fico ainda mais tranquilo. Porque o mundo é outro sem Alessandro, Diogo Silva e Michel Alves, o Hobbit.

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O que falar do Rafael Vaz??? Talvez só que a fama seja maior que a bola.