O medo

França x Alemanha, Brasil x Colômbia. Duas partidas semelhantes. Dois fregueses históricos contra seus maiores algozes. Duas atuações muito parecidas. Resultados iguais e esperados.

Há na França um ditado popular que diz que “Futebol é um jogo que se joga com onze jogadores e no final, a Alemanha vence”. França e Alemanha fizeram um dos piores jogos da Copa diante de um Maracanã lotado. Muito por causa da atuação medrosa da França, que não teve coragem para atacar e pressionar a Alemanha nem quando o jogo acabava com sua derrota. Levou um gol de bola parada no início da partida e pronto. Até o final do jogo, o ritmo do jogo parecia o de um empate que favoreceria a ambos. A França foi medrosamente deixando o tempo passar. Sim, tentou fazer seu gol, mas parecia escrito nas caras de seus jogadores a certeza de que não iriam conseguir, pois eles próprios não acreditavam nessa possibilidade.

De maneira semelhante, a Colombia não acreditava na possibilidade de vencer o Brasil. Entrou em campo já derrotada, e mostrou isso em sua atuação no primeiro tempo, onde teve uma atuação completamente distinta de todas as outras quatro partidas que já havia disputado. Foi-se a ousadia. A Colombia parecia aquele garoto que apanhava na rua de um menino maior, cresceu e reencontrou seu algoz. Tem físico pra bater no oponente, mas no íntimo tem medo do adversário. A Colômbia só conseguiu se libertar de seu medo quando já perdia por dois gols. O pênalti de Julio Cesar em Bacca com cerca de 30 minutos do segundo tempo ainda deu alguma esperança aos colombianos, mas em nenhum momento a tranquila vitória brasileira foi verdadeiramente ameaçada.

A maior ameaça de derrota veio mesmo do banco do Brasil. As alterações gastas em cinco minutos – trocando Hulk por Ramires e Paulinho por Hernanes – deixaram uma única alteração sobrando. Esta foi usada na troca de Neymar por Henrique. Se, por um capricho dos deuses, entra uma bola para a Colômbia e vamos para uma prorrogação, teríamos em campo um bando, sem qualquer estrutura tática. Certamente caminharíamos para uma derrota. Felipão tem, sistematicamente, errado em suas alterações, piorando o time com substituições alucinadas.

Se ontem começou a ganhar o jogo com a escalação de Maicon no lugar de Dani Alves, fechando o buraco pelo qual todas as adversárias brasileiras jogaram nas partidas anteriores, sua atuação no banco de reservas deixa muito a desejar. E também na convocação, levando um Jô, por exemplo.

Veremos agora o que vai fazer pra resolver as ausências de Neymar e Thiago Silva. Terça feira tem mais. Um ataque mais aberto com Bernard? Dani Alves de meia? A saber…