O jogo de ontem e o divórcio time/torcida

Ontem à noite para um público de 1943 testemunhas, a equipe cruzmaltina derrotou por 2 a 0 o time do Joinville (o JEC) no estádio de São Januário. Isto mesmo, 1943 torcedores. E aí você se pergunta: 1943 em um jogo do outrora Gigante da Colina ? Pois é, está um tanto ou quanto claro o divórcio entre a torcida e o time; porém existem outros fatos a se considerar.

Quanto ao jogo, ontem o Vasco jogou o bastante para vencer. O JEC armou uma forte retranca para explorar os contragolpes. No primeiro tempo chegou a dar um. No mais, só deu Vasco. Depois de um primeiro tempo sonolento em um ataque contra defesa, um gol de Julio Cesar mal anulado e tal, no segundo tempo o Vasco veio com mais disposição e marcou logo aos 4 minutos em uma cabeçada fulminante de Junior Dutra em escanteio bem cobrado por Andrezinho, fazendo com que o JEC saísse mais para o jogo. E então, Madson entrou, Pikachu foi deslocado para o meio campo e fez um golaço por cobertura em uma jogada em que ele roubou a bola de um zagueiro do Joinville e bateu por cobertura sobre o goleiro Jhonatan, 2 a 0. E foi só. O bastante para nos mantermos na liderança da Série B. E no próximo jogo, o nosso perseguidor de sempre nesta edição de Série B, o Atlético-GO. Um jogo de risco, tendo em vista que eles estão em ascensão há 9, 10, jogos sem perder; portanto em um melhor momento que o nosso. Aguardemos pois.

Quanto às 1943 testemunhas em São Janu ontem, existem uma série de motivos para a torcida cruzmaltina estar neste divórcio com seu time, mas certamente o principal é: motivação. Qual a razão para o torcedor do Vasco a ir a um jogo de Série B pela qual o Vasco passa pela terceira vez em 3 anos ? O torcedor perdeu a paciência e isso faz com que o torcedor se afaste do estádio, fazendo assim com que o Vasco hoje tenha a sexta média de público da Série B. De 2000 para cá uma Copa do Brasil e 3 estaduais. É muito pouco para a grandeza de um clube. Sim, apesar dos pesares o Vasco ainda é um clube de tradição pela história de conquistas relevantes; mas nestes 15 anos passa por uma disputa interna que se vê interminável e que só tem levado o clube à lona. A torcida não aguenta mais tanta chacota, tantos times medíocres, jogadores que não estão à altura. Passaram tantos: Tadic, Faioli, Valdir Papel, Valdiram, Cris, Yotún, Robinho foram algumas dessas pérolas que passaram por esse período de trevas. Parece que é uma crise sem fim. Os 34 jogos de invencibilidade ainda levavam alguns torcedores, mas com o fim dela, acabou a motivação, sem contar a série de 6 jogos sem vencer. Então, tudo isso levou a nossa torcida a simplesmente perder a motivação e então decretar o divórcio, além da divisão clara de nossa torcida entre os partidários da atual diretoria e os contrários. Com essa divisão da própria torcida e os anos de incompetência administrativa seguidos, não há torcedor que aguente.