O grande dia chegou

A bola vai rolar mais tarde para sabermos quem enfrenta o Flamengo na final do Carioca – depois dos 3 x 0 de ontem, só Salvador Cabañas nos daria uma alegria imensa, mas ele assinou contrato com o Tanabi, não com a Cabofriense. E, por incrível que possa parecer, vamos partir para cima do Fluminense, caso a escalação que vem circulando por aí seja confirmada pelo Adílson Batista. Martín Silva, André Rocha, Rodrigo, Luan e Marlon;  Guiñazú, Pedro Ken e Douglas; Everton Costa, Edmilson e Reginaldo é um time que nem, que gosto de atacantes, ousaria escalar – confesso que trocaria Pedro Ken por Aranda e ficaria na dúvida entre Montoya e Bernardo para substituir Reginaldo.

A coragem repentina de Adílson é fruto de algumas variáveis interessantes. A primeira é a necessidade de desfazer a vantagem do Fluminense de uma vez – e ganhar ou perder tanto faz neste quesito. Evitar o empate é o primeiro desafio. Vencendo, a coisa fica mais interessante. E vencendo bem, melhor ainda. Para isso, só tem um jeito: atacar com vigor, embora isso mexa em duas características deste time: a defesa sólida, a menos vazada da competição, e a marcação intensa no meio.

A outra variável que pode ter mexido com a cabeça do treinador foi a boa atuação ofensiva do Vasco no primeiro tempo do jogo contra o Duque de Caxias. Ok, você vai dizer que o Fluminense é galáxias melhor que o Duque, e eu concordo com isso. Mas houve um fato, que não deve se repetir hoje, para corroborar a tese de que este time ofensivo é o melhor: ao achar um gol a menos de 8 segundos de jogo, o Vasco desmontou toda a estratégia do adversário. A aposta, talvez, seja sufocar o Fluminense nos primeiros minutos, garantindo um placar confortável para a administração no segundo tempo.

Aí é que a porca torce o rabo. Em todos os clássicos, jogamos um bom primeiro tempo. Mas não mantivemos a mesma regularidade ofensiva no segundo e, fora o encontro com o Botafogo, acabamos cedendo o empate ou levando a virada – certo, essa teve ajuda fundamental daquele cegueta arrependido que fica junto à trave. Mas o time caiu, e muito, no segundo tempo.

Falta ao Vasco um equilíbrio maior das ações ofensivas e, fundamentalmente, um ritmo de jogo que nos permita vencer um clássico sem problemas. Mas vamos aguardar. Como o campeonato começa agora, temos quatro jogos para mostrar se aprendemos a encaixar o jogo e a vencer. Destes quatro jogos, dois são muito equilibrados, pois jogamos contra um bom time, o do Fluminense, que pode sentar em cima da vantagem. Mas é uma parada de igual para igual.

O problema é que, se passarmos, pegamos na final o Flamengo. E aí, já sabemos. Temos de superar o bom goleiro, a zaga razoável, o meio de volantes botinudos, o ataque rompedor, o juiz ladrão, os bandeirinhas mal intencionados, os auxiliares cegos, a pressão da Flapress com suas materinhas desestabilizantes antes do clássico, a cobertura desigual da Globo… É muita gente para derrotar!

*******************

cocada

Quem tem menos de 36 anos não se lembra direito da última vitória do Vasco sobre o Flamengo em decisões de Carioca. Eu lembro, até por que estava no Maracanã naquela noite. Lembro de detalhes. Fui ao jogo com um tricolor, Paulo Henrique, um colega de faculdade que, do nada, parou de falar comigo – nem sei, até hoje, qual foi o motivo.

A partida foi um sufoco. Com a vantagem de poder empatar, depois da vitória por 2 x 1 no domingo anterior, o Vasco tinha de segurar o ímpeto ofensivo do Flamengo. Levou bola no travessão, deixou o rival alugar o meio-de-campo e a duras penas chegamos aos 40 da segunda etapa com o placar em branco.

Ao meu lado, o Paulo Henrique ria do meu sofrimento e chegou ao ápice da tortura ao comprar a faixa quando o relógio bateu nos 40, vaticinando que o Vasco já era bicampeão carioca. Queria colocar a faixa em mim de todo jeito, e eu dizia que não. “Colocar essa porra antes da hora dá azar, c*&%$lho…”.

O tricolor só ria.

A entrada de Cocada no lugar de Vivinho, aos 41, mudou o jogo. Em quatro minutos em campo, ele marcou o golaço que selou o título, foi expulso, puxou uma briga história e colocou a faixa no meu peito.

O Vasco daquele dia?  Acácio, Paulo Roberto, Donato, Fernando e Mazinho; Zé do Carmo, Henrique e Geovani e Bismark; Vivinho (Cocada) e Romário. Técnico: Sebastião Lazaroni.

*******************

Roberto Dinamite avisa que pode ser candidato. Talvez motivado pela possibilidade de ganhar um Carioca, o dirigente se levanta da tumba e ameaça tumultuar o processo eleitoral do clube. Sua atitude só ajuda a candidatura de Eurico Miranda, que hoje derrotaria fácil todos os rivais – Nelson Rocha, Roberto Monteiro e o Coronel Tadeu. Vou mais além: acho que Eurico venceria esta turma até sem o mensalão.

Enquanto isso, cadê Horta? Cadê Salgado?

Eurico anda tão feliz que virou melhor amigo de Carlos Leite, empresário que cansou de encaixar jogadores no começo da gestão de Dinamite. Pizzas e charutos os unem. Logo, se não houver alguém para liderar, já sabemos quem montará o time. E na lista vai ter Ramón, Wellington Saci, Fágner, Pedro Beda, Titi, Camacho, Neto Coruja, Bruno Meneghel e outros do mesmo nível, com a possibilidade de, junto, chegar um Diego Souza ou um Rômulo. Muito pouco…

É, o futuro na Série A de 2015 promete ser sombrio…