O empate de quarta e os protestos dos sócios e torcedores

A noite de quarta-feira tinha tudo para ser a noite da redenção: jogo em rede de cadeia nacional, expectativa de incentivo, jogo importante para ganhar e ficar próximo do acesso…..No entanto, na prática só ocorreu o primeiro fato; os outros dois redundaram em uma noite melancólica.

O empate em 0 a 0 com a equipe do Avaí em um primeiro momento não seria tão ruim em termos de acesso; afinal temos agora 58 pontos e continuamos a precisar de 2 vitórias para obtermos o acesso. Só que com o momento conturbado do Vasco, com jogadores a se arrastar em campo, a derrota para o CRB em casa que perdeu para o Goiás 3 a 0 nesta rodada, o que traz uma revolta ainda maior, provocou a ira de sócios e torcedores nas sociais de SJ. Um espetáculo deprimente.

Quanto ao jogo, o Vasco dominou inteiramente a partida. Se esperava mais do Avaí, que ele ao menos atacasse, fizesse um jogo de igual para igual. Que nada. Eles se defenderam praticamente o jogo todo e só chegaram com perigo ao gol do Vasco umas 2 vezes a rigor. De resto só deu Vasco. E qual a razão do Vasco não ter conseguido fazer pelo menos um golzinho ? O goleiro deles, Renan ex-Botafogo e a insistência cruzmaltina nas bolas altas. Isto consagrou a defesa do time catarinense.

Ainda que o Vasco tenha dominado o jogo, foram dois Vascos distintos. O do primeiro tempo correu mais, brigou mais, perdeu muitos gols, sufocou o adversário. O Avaí só chegou 2 vezes ao gol cruzmaltino. No mais, um bombardeio e pelo menos quatro defesas de Renan em chutes de Nenê, Ederson e cabeçadas de Rodrigo, Madson. Mas o Vasco insistiu demais em bolas altas; e o Avaí ganhava quase todas.

Já no segundo tempo, o Vasco caiu um pouco nos primeiros quinze minutos por conta da intensidade de movimentação no primeiro tempo e o Avaí passou a ter mais a posse de bola. Mas rapidamente, com a entrada do lateral Alan Cardoso, o Vasco retomou o controle do jogo e obrigou Renan a uma série de defesas, duas delas em cobranças de falta de Nenê, outra em chute forte de Jorge Henrique e a defesa do jogo: em uma cobrança de escanteio de Nenê, cabeçada de Thales no canto direito e Renan tira com a ponta dos dedos. Mas o Vasco insistu muito nas bolas altas, como no primeiro tempo; e então não obteve a vitória.

Findo o jogo, acontece uma confusão nas sociais de SJ: uma parte dos sócios do clube decide protestar contra a atual diretoria; ao que tudo indica, tudo começou com uma discussão entre um associado e Zé Colmeia, ex-fisioterapeuta de Romário, pois um grupo de sócios começou a protestar contra Eurico Miranda; o protesto foi estrategicamente em frente à sala da Presidência do clube; Eurico Brandão resolveu tomar as dores do pai e estabeleceu-se um princípio de confusão, logo debelado pela PM com gás de pimenta; tudo em frente às câmeras. Agora vão dizer os membros da diretoria que isso é coisa da Globo, do Temer que todo o mundo quer acabar com o Vasco. A verdade é uma só: está certa a torcida, estão certos os sócios que protestaram. Em que pese a volta do basquete que por sinal venceu o Flamengo ontem por 104 a 98, é simplesmente medíocre comemoramos apenas vitórias sobre os mulambos: isso é uma cortina de fumaça para encobrir os sérios problemas que o Vasco atravessa. Desculpem os partidários do sapo sol mandatário atual, mas o Vasco hoje está em mãos arcaicas, administrado como se fosse um botequim de quinta. Precisamos de uma administração moderna. Olhem os mulambos, o Palmeiras e o Galo. E até o Botafogo. Não à toa, os 3 primeiros estão a disputar o título da Série A. O Botafogo está em quinto e estava onde estamos há um ano atrás. Temos que olhar para a frente. Viu-se quem é Eurico Brandão. Com gente como essa, o Vasco não sairá da mediocridade geral em que se encontra. Precisamos de gente com a mente antenada para nos comandar. E é para ontem. Temos que olhar para nossos próprios problemas e parar de culpar a Globo, o papa, o Barack Obama. Basta de desmandos. Ponto.

P.S: a coluna aqui vem parabenizar o colunista Paulo Andel, do Panorama Tricolor pela excelente coluna sobre o momento político do tricolor publicada ontem. Por lá também está uma guerra política santa, semelhante à nossa. Mas pelo menos por lá tem CT, divisão de base com boa estrutura. Lá a briga é por outros motivos que para quem é de fora, não há o menor sentido. Mas a gente hoje só tem o CAPRES como estrutura. Campo anexo para treinamento….façam-nos o favor.