O coelho da cartola!

Faltavam dez minutos para terminar o jogo, e o resultado até então, se não era catastrófico, afinal tudo ainda seria definido na disputa de pênaltis, terminaria com nosso longo e gostoso jejum de derrotas.

Nossa invencibilidade de mais de seis meses, de mais de 25 jogos, estava seriamente ameaçada. Jogávamos mal e nosso técnico já tinha tentado duas vezes mudar alguma coisa com as entradas de Éder Luiz no lugar do lateral Bruno Ferreira, e depois do menino Evander no lugar do volante Marcelo Mattos. Substituições que pouco ou quase nada mudaram o quadro da partida.

Nas sociais de São Januário, onde eu me encontrava, a apreensão era enorme. A sensação era de que um título estaria sendo perdido naquele momento. O nervosismo era grande e piorou, passando para revolta, quando percebemos que o zagueiro Rafael Vaz entraria em campo.

Primeiro pensamento que nos veio foi o de que ou Luan ou Rodrigo tinham se machucado… Ou talvez estivessem cansados por conta do campo pesado devido à chuva que castigou São Januário o tempo todo.

Mas essa impressão logo foi desfeita quando vimos que nenhum dos dois zagueiros davam mostras de que ou estavam cansados ou estavam contundidos. Bom… Então talvez ele estivesse colocando o Vaz para ser mais um que bate pênaltis bem… Afinal ele também é bom nas faltas…

Quando subiu a placa e nela aparecia o número nove, ficamos perplexos! Precisando muito da vitória, esse “professor Pardal” tira o centroavante e coloca um zagueiro? Para que? Por que???

Ainda tentávamos desvendar o mistério quando percebemos estupefatos que o zagueiro Rafael Vaz entrou e foi jogar de… atacante!! Aí é que ninguém entendeu mais nada!

Lembrei-me de um jogo há pouco tempo que o baixinho Jorge Henrique chegou a jogar de zagueiro, mas isso era demais!

Mas aos poucos percebemos que na verdade o nosso “mágico” Jorginho tinha era tirado um verdadeiro coelho da cartola! Rafael Vaz entrou muito bem e infernizou a defesa adversária. Fez muito mais em dez minutos do que o agora (talvez…) titular Thalles fez em 80…

E para coroar a noite, para premiar a ousadia do nosso bravo treinador, Rafael Vaz, aos 47 minutos do segundo tempo, como poucos centroavantes fazem, recebe o cruzamento de Éder Luiz e ao invés de fechar os olhos e chutar de qualquer maneira, como certamente um zagueiro que eventualmente se aventurasse no ataque faria, dá um tapa –  a lá Romário!! – e desloca o goleiro adversário, fazendo um belo gol!

Alma lavada! Comemoramos como se fosse um título! Nossa série invicta estava preservada pelo imponderável! Pela visão de nosso técnico que conhece cada um dos seus comandados e que sabe exatamente o que cada um pode fazer.

Obrigado Jorginho! Essa classificação, talvez pouco relevante para o ano ou para a Copa do Brasil, representou para mim e meus companheiros de social do Vasco, um título, uma conquista memorável, que guardaremos para sempre, daquelas que contaremos para nossos filhos e netos!

Li que depois do jogo, nosso “mágico” de tão nervoso, precisou tomar uma ducha no vestiário antes de dar a entrevista coletiva, para baixar a tensão.

Corretíssimo! Para vocês terem ideia da tensão, na hora do gol, eu dei uma porrada na cadeira vazia que se encontrava na minha frente na social, com a mão esquerda – na hora o dedo que carrego minha aliança de casamento inchou…

Claro que eu só percebi isso em casa, ainda a tempo de tirar a aliança do dedo – por conta do inchaço, ela quase não saiu.

Minha esposa olhou desconfiada, mas ela sabe que divide o meu coração com o Vasco…

Euforia à parte, convém verificar o que houve de errado ontem…

Jogamos mal. Não entendi bem porque começamos com o Bruno Ferreira no lugar do poupado Madson e Yago Pikachu no lugar do Julio dos Santos que estava no banco…

Bruno até começou bem, mas foi ficando nervoso e começou a errar tudo que tentava. Foi corretamente substituído no intervalo.

Éder Luiz entrou e, apesar de não ser nem sombra daquele de 2011, continua com o velho defeito de sempre tentar a jogada mais difícil. Ontem, em dois ataques em que Nenê se encontrava em muito melhores condições, ele tentou o chute… Errou feio nas duas vezes. Ao menos teve o mérito de achar o nosso “centroavante” no lance do gol.

Marcelo Mattos precisa urgentemente treinar passes curtos. Meu Deus! Como ele erra!!! E a cada erro, por conta de sua posição, um susto!

Na euforia da saída do estádio ontem, ouço o seguinte diálogo:

– O Martín não vai nos desfalcar por conta da Copa América?

– Sim… E daí…?

– Então, se o Jordi se machucar, coloca o Vaz no gol! Tenho certeza que o negão dá conta do recado!

É… Ele tem razão…