O Capitão Vascaíno

Há um time que nasceu predestinado. Este time segue a sina dos grandes e verdadeiros profetas.
Uma cruz-de-malta brilha sobre o mar! Ainda que tenha sido usurpada por mercenários, o símbolo é inconteste. A cruz iluminando ao mar é a representação e a mensagem da união dos povos! Não ao preconceito, não a opressão! É a Cruz-de-Cristo!

O time predestinado é o pioneiro em tudo a que se propôs! É o primeiro popular! Aleluia, o futebol furou os círculos fechados da aristocracia! Hosana ao povo que vai construir o maior estádio da América Latina com a força de seus próprios braços e ombros!

O time que popularizou o futebol no Brasil, também foi aquele que popularizou o futebol brasileiro no planeta! Foi o primeiro nacional campeão internacional!

E adivinhem como o Brasil conseguiu a sua primeira Copa do Mundo em 1958? Com a força e o talento de jogadores pobres e negros! Havia até um aleijado! Ah, se não fosse o Vasco…

Uma historia (na verdade são várias) fundamental na trajetória do futebol brasileiro, pertencente à época citada é estranhamente (propositadamente?) pouco contada na mídia nativa: Pelé foi convocado para a seleção brasileira pela primeira vez por suas atuações com a camisa do Vasco! O Negão, além de ter sido convocado, manifestou abertamente o desejo de permanecer em São Januário! Os mesmos dirigentes que desmantelaram um time memorável, que inclusive foi campeão batendo o Real Madrid de virada na bola e na porrada em 57,  e supersupercampeão em 58, são os culpados por Pelé não ter ficado na Colina!

E a Seleção Brasileira precisava de uma referência para se tornar temida pelo mundo! O brasileiro ainda tem, e tinha mais, um enorme complexo que muitos chamam de “vira-latas”. Alguém que se impôs diante das dificuldades da vida, da economia, da falta de educação, da violência, de tudo precisava surgir! E, bem ao seu feitio e ao do Vasco, surgiu! O nosso capitão em 1958 foi Bellini!
Hideraldo Luís Bellini!

O menos técnico, porém, o mais sério e determinado! Aquele que enfrentou a todos e a tudo de peito erguido, até hoje tem uma historia pessoal em consonância e misturada à historia e aos grandes momentos do Vasco!

O garoto recém-chegado do interior de São Paulo diante de um time que só tinha feras ouviu “seu” Flávio Costa dizer: “zagueiro não enfeita, dá de bico!”. O garoto seguiu à risca, encarnou a lição e mesclou a sua vida pregressa à do clube que foi rejeitado e perseguido por abrir as portas a negros, operários e analfabetos! Identificou-se porque nutriu-se da seriedade que só tem aquele que já se sentiu preconceituosamente excluído! O garoto chegou, viu e, já homem, venceu!

Aquele gesto da taça sobre a cabeça e do mundo sob seus pés só alcançou a repercussão que teve porque foi executado, acima de tudo, por um ser demasiadamente humano e que, não pelos dirigentes, mas por força dos deuses que controlam a tragedia humana, só poderia mesmo ser vascaíno!

Abraços Capitão, és imortal!