Não era sonho

Jurava que a partida no Chile seria na 4a, e só entendi que as minhas contas estavam erradas já pelas oito da noite. Dias de jogo do Vasco, ainda mais jogos decisivos, têm aquela tensão, aquela ansiedade que me acompanha o dia todo, até a hora do jogo. Ontem, por essa razão, isso não aconteceu, e talvez por isso acabei me atrasando e ligando a TV aos 15 minutos do primeiro tempo, para descobrir que, milagrosamente, o Vasco já ganhava de um a zero. Mais milagre ainda, o time jogava bem. Depois, para minha surpresa, vi que o gol tinha sido de Bruno Silva.

Sentei-me, então, calmamente, para assistir ao jogo debaixo de cobertor – a noite estava gelada. No resto do primeiro tempo, nada. Um ou outro contra-ataque, o camisa dez adversário infernizando a nossa lateral direita, e pelo menos duas defesas importantes de Martin Silva.

Veio o intervalo e… apaguei. Perda total.

Teria acordado hoje pela manhã no sofá se minha filhinha de oito anos – que deveria estar na cama há horas – não tivesse aparecido do nada e feito um carinho no meu rosto. “Papai, você tá dormindo…”. Dei um salto. 30 do segundo tempo, ainda um a zero.

Naquele segundo tive a certeza de que conseguiríamos a vitória necessária. Não era um acaso que a figurinha tivesse vindo me acordar, o que nunca fez, tarde da noite para terminar de ver um jogo do Vasco. Adrenalina e confiança. Até a bola definitiva de Martin Silva para Pikachu. A cabeçada levou uma eternidade para chegar às redes. Mas chegou.

Conseguimos mais um pequeno milagre, num estádio muito cheio, contra uma torcida que empurrou de forma impressionante os noventa minutos. Palmas novamente para um time que foi, de novo, guerreiro e corajoso. Orações para que nunca mais Zé Ricardo volte a asilar Pikachu na lateral direita, onde não marca direito e, ficando preso, não consegue fazer sua parte ofensiva, que todos sabemos ser fundamental para este time.

Esta foi a última partida de Martin Silva antes de sua apresentação à Seleção Uruguaia, para disputar a Copa da Russia. Feliz e incrivelmente, Martin é banco para Muslera, que engana no gol uruguaio há anos. Titular fosse, é certo que apareceria algum time europeu com um caminhão de dinheiro – que não sei se chegaria ao Vasco – para levá-lo embora de São Januário. Entretanto, não dá pra torcer para que não seja titular. Merece, como pessoa e atleta. Que tenha sucesso por lá. E que Zé Ricardo não invente Gabriel Félix por aqui.

Por último, elogios a Andres Rios e Wagner, que têm sido fundamentais para o prosseguimento da temporada. São dois atletas que poderiam estar na tal foto dos vaiados, tal a pressão que ambos sofrem de críticas da torcida. Mas estão lá, dando o sangue dentro de campo.

Vamos adiante. A Sulamericana consiste de cinco mata-matas. Trinta e dois times farão a segunda fase. O torneio está lotado de brasileiros. Vamos ver o que virá por ai.

Última forma: Conseguimos a proeza de perder para o time horroroso do Bahia por 3 a 0 no jogo de ida da Copa do Brasil. Virar é difícil, mas vascaíno que se preza não desiste. Fui sacaneado de todas as formas por torcedores do império do mal – sempre só deles – que já dão a eliminação como favas contadas. Espero ansiosamente por este jogo.