Não é apenas futebol…

Amigos,

Infelizmente começarei minha coluna não da maneira que eu gostaria, dizendo que o Vasco voltou ao seu lugar, que espero que o clube se comporte e aja como o gigante de outras épocas.

Neste momento é impossível não falar da comoção que envolveu o mundo com o acidente trágico da Chapecoense.

Um time mediano, que alcançava seu lugar no Brasil e na América do Sul jogando um bom futebol, que é jovem, permanecia na série A sem sustos e com uma gestão eficiente, ajudada por empresários locais.

Um time que sonhava em conquistar seu primeiro título internacional e fez por merecer para estar lá. Quis o destino que, ao em vez de disputar uma final e conquistar esse torneio, conquistasse o mundo. Um mundo em que vivemos momentos de angústia, de valores invertidos, em que não existe esperança, em que até no esporte os valores estão sendo perdidos. O que importa é ganhar a qualquer custo, sem respeito ao adversário, tendo regras rasgadas a todo o momento.

Quis o destino que essa tragédia acontecesse e voltássemos a ver um mundo com solidariedade, compaixão, amor ao próximo, respeito e, acima de tudo, para que nos colocássemos no lugar dos outros.

O que vimos foi tão bonito, tão comovente e tão próximo de nós que foi impossível não nos sensibilizarmos, como se a vítima fosse algum parente nosso. Vários times europeus, jogos na NBA, todos prestando um minuto de respeito. Os valores que tanto admiramos, os craques de quem tanto esperamos exemplos.

Quantas vezes me vi chorando pelas vitórias, pelos gols no último minuto dos jogos, pela defesa espetacular no final do jogo, como Danilo fez e levou o time dele à final, pelos títulos e tristezas pelas derrotas. Mas nada nunca me tocou dessa maneira.

Pensei muitos nos meus amigos atletas e ex-atletas que vivem o esporte de maneira tão intensa, que deixam suas famílias de lado para proporcionar isso que sentimos quando nosso time entra em quadra ou em campo. Fiquei essa semana muito sensível. Impossível ficar alheio a isso tudo e não se comover.

Eles que tanto idolatramos são seres humanos como nós, que estavam no auge de suas carreiras e carregavam sonhos assim como nós.

Sonhos esses que foram perdidos, mas que para nós foram resgatados através de tudo que presenciamos: o que foi a Colômbia? O que foi aquele gesto de amor e compaixão do Atlético Nacional de oferecer o título ao clube, de encher seu estádio e fazer uma cerimônia no local e na hora do jogo com uma multidão do lado de fora? Eu não sei dizer. Só sei que através dessa tristeza aprendi mais ainda que isso não é apenas futebol

É a capacidade do esporte de transformar pessoas, para que sejam melhores, de doar, de aprender a respeitar a dor do próximo e de, mais do que tudo, unir os povos com um único propósito: a paz.

Obrigada Colômbia! Obrigada Atlético Nacional! Inesquecível, emocionante, que sensibilidade em dar conforto! Não sei se seríamos capazes de promover esse alento da maneira que vocês nos proporcionaram.

E fica uma reflexão: viva o hoje intensamente, não deixe para amanhã.

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Essa tragédia me fez ter orgulho do Vasco. Fomos rebaixados três vezes. Isso não nos traz orgulho nenhum e não aprendemos a nos organizar em termos de gestão em nenhuma das vezes. Porém, sempre que caímos, na bola voltamos. Na bola, como mandam o campeonato e as regras.

Como está feia essa manobra do Internacional, de primeiro dizer que vivia sua tragédia pessoal e meio que ser insensível diante dos fatos. Depois se manifestou dizendo que não iria jogar por não ter condições. Não é pela situação – é pela manobra para não cair.

Enquanto nos surpreendemos com tanto gesto bonito, somos surpreendidos com gestos tão medíocres.

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Parabéns aos clubes que se colocaram à disposição para ceder jogadores a Chapecoense, em ajudar o clube e, principalmente, não permitir o rebaixamento até eles se reorganizarem. Essa solidariedade precisa ser seguida para que possamos crescer como país e voltarmos a ser uma potência mundial.

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Voltamos à séria A. Foi sofrido. Não foi bonito. Precisamos apenas de cinco minutos do Thalles brilhando, mas o objetivo foi alcançado. Que a diretoria acorde e veja que nossa realidade é dura e difícil e que, com esse time, não iremos longe.

Não gostei da volta do Cristóvão, mas irei torcer sempre pelo Vasco e por essa camisa e espero sucesso nessa caminhada. Estarei sempre presente apoiando.

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Sempre ao seu lado. Incondicionalmente.

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E você já é sócio do Vasco? Está esperando o quê?

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Toda segunda-feira tem o PROGRAMA FALA VASCAÍNO às 22 horas. NÃO PERCAM!!!!
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Carolina Sousa
E-mail: carolinasousao@globo.com