Missão Cumprida!

Escrevo esse texto para compartilhar com vocês a enorme felicidade que tive na quinta-feira passada, quando levei minha filhinha de seis anos pela primeira vez a um jogo de futebol. Manu foi ver a seleção brasileira (com letra minúscula) e Neymar Junior desfilarem seus egos. Estádio abarrotado, atmosfera fantástica. Lá foi a menina, usando a camisa do Vasco que pertenceu à mãe, cuidadosamente guardada por mais de trinta anos. Assistiu à partida – péssima, como todos vimos – feliz e interessada. Resmungou um pouquinho da falta de gols. Mas saiu felicíssima.

E pedindo pra ir ver jogos do Vasco.

Quem tem um filho sabe o quanto é difícil hoje em dia passar adiante o seu amor por um time. O futebol vem gradativamente se fazendo perder o interesse. E ainda temos a enorme concorrência dos times estrangeiros e do maior time do universo.

Mais complicado ainda, estamos falando de uma menina. Queiram ou não, o futebol não é um mundo naturalmente feminino. Felizmente, a mocinha daqui de casa é mais moleca e não tem interesses só no universo mulherzinha. Mesmo assim, é muito mais difícil despertar a paixão por futebol (e pelo Vasco!) numa mulher do que num menino, que joga bola e cujos amiguinhos têm, em sua maioria, algum time. Camisa de time de futebol é um desejo normal de um menino. Não de uma menina.

Já recebi críticas de gente que diz que eu influencio a Manu. Claro que influencio. Todo pai deveria fazê-lo. Se eu não o fizer, alguém vai. O mundo vai. Então, por que não passar aquilo que eu mais prezo pra minha filha?

Durante esses seis anos de vida, por três vezes tive de me indispor com pessoas que tentavam catequisá-la para torcer por outro time. Não preciso dizer pra que time torcem todos esses seres. A primeira a fazê-lo foi uma prima da minha mulher. Com a Manu aprendendo a falar, a cidadã pedia que ela repetisse “mengo”. Fez isso por duas vezes. Mandei recado de que não haveria uma terceira. Tirou o time de campo.

Acho esse tipo de atitude uma tremenda indecência. Brinco com pirralhos amigos que torcem para outros times, mas por pura implicância. Tentar impôr a sua paixão ao filho dos outros é uma falta de respeito. Ok, tem gente que não liga pra futebol. Mas tem muitos que ligam. E isso não se faz.

Foram anos de trabalho para associar o Vasco a algo positivo, à felicidade. Em 2014, chamei Manu pra ver na tv seu primeiro título (o carioca), subtraído naquela roubalheira que todos vimos. Com quatro anos, ela ainda não tinha total ciência do que acontecia. Tive de disfarçar o ódio que sentia.

Passei a xingar muito menos as barbaridades que via. Disfarçar as derrotas amargas. Comemorar as raras vitórias de então. Lembro de um Ponte-Preta 2 x 0 Flamengo, comemorado como uma vitória Vascaína. Deu trabalho e, se hoje ela é Vasco, isso se deve sim à dedicação que tive nesse projeto.

manuvascoH

Enfim, não há mais muito o que dizer. Tenho uma vascaininha feliz dentro de casa. São Januário e o Maracanã nos esperam.

Dedico esse texto aos meus dois amigos Kiko e Helinho Mendes e às suas filhas Gabi e Manu. Hélio, prepare-se e tome o remedinho, porque vai ter molambo torrando sua paciência e querendo furar seu olho!

Missão cumprida. Vasco!