Minha casa, minha vida

São Januário 700

“Domingo de sol, adivinha para onde nós vamos…”.  Contrariando o saudoso e ilustríssimo vascaíno Dicró, nada de praia de Ramos. Para um bom vascaíno, nada melhor do que chegar bem cedo nos arredores do Bairro de São Cristóvão.

Diversos bares e botecos para todos os gostos. Eu particularmente não tenho preferência, procuro o melhor custo benefício (cerveja mais gelada e mais barata) e um bom aperitivo.

Na parte da tarde é sempre aprazível, vascaínos com suas famílias perambulando pelo entorno do belo alçapão. Na verdade só estão curtindo, pois os mesmos sabem o que lhes aguarda ao término do jogo, principalmente em caso de derrota.

As vielas, antes aprazíveis, se tornam um caos devido não somente à quantidade de carros e pessoas, mas sim porque até hoje não saiu nenhum projeto que alargasse aquelas ruelas ínfimas (sim, com redundância!). Seguindo o gado até a passarela 02 da Avenida Brasil, para adentrarem no maravilhoso transporte público carioca.

Antes que pensem que não gosto de São Januário, pelo contrário: sou apaixonado pelo lugar, tendo minhas ressalvas em relação à estrutura do estádio, vendo reformas em outros palcos pelo Brasil afora e, pelo tempo que acompanho, nenhuma diretoria se propôs a reestruturar o Caldeirão.  De Calçada a Eurico, chegando a Dinamite. Somente pinturas e a separação de acrílico não são suficientes, a arquibancada na parte externa é precária, os banheiros são de péssima categoria. Coisas pequenas que talvez sejam enormes para os dirigentes.

Projetos e idéias não faltaram; porém, não saíram do papel.  Acredito que seja devido a essa guerra política que o Vasco da Gama se tornou, vítima de vaidades e interesses próprios, inclusive com o senhor Carlos Roberto inserido nesse meio.  Lembro com clareza da chegada do Cristiano Koehler: “É melhor colocar abaixo”. Aposto que 99% da verdadeira torcida vascaína seria a favor, desde que se preservasse a fachada (tombada como patrimônio histórico, a capela e o parque aquático).

Palco de eventos históricos, tais como a consolidação da CLT, apresentações apoteóticas  de Heitor Villa Lobos e até desfiles de escolas de samba (que teve a Portela como campeã), São Januário, mesmo após 87 anos, ainda é o maior estádio particular do Rio de Janeiro.

Entre alegrias e tristezas, convivi mais com as primeiras. No ano de 1997, Vasco foi campeão brasileiro, fui praticamente a todos os jogos, sendo o mais emblemático Vasco 6 x 0 União São João, onde Edmundo marcou seis gols e ainda me perdeu um pênalti (mais um na carreira). A primeira partida da final da Libertadores também está fresca na memória; infelizmente tivemos que fazer o segundo jogo no Equador, mas só de ter ido naquele jogo valeu muito a pena.

Um lance que queria ver e não estava “in loco” foi o famoso gol do Vivinho em cima do eterno Capitão da Portuguesa (Gol do Vivinho), depois de três chapéus – esse sim eu considero um dos gols mais bonitos da história do Campeonato Brasileiro.

Toda vez que levo meu afilhado no Estádio também me engrandece a alma, ver que o moleque está satisfeito em estar ali. Mesmo o time não correspondendo é recompensador.

Tristezas tive poucas, porém não tem como esquecer o fatídico 07 de Dezembro de 2008. Nomes como Wagner Diniz, Jorge Luiz, Eduardo Luiz, Faioli e Jonilson estarão sempre na minha cabeça. Como esses infelizes conseguiram vestir a camisa do meu Vasco, isso não me entra na cabeça.

Ver a torcida se agredindo ao fim do jogo foi uma cena que me entristeceu fortemente, senti um vazio por dentro muito difícil de ser explicado, um aperto no peito que nunca senti novamente, uma vontade de não voltar para a casa.

O pior de tudo eram os telefonemas (eu sem entender nada!) falando para eu não me jogar da marquise rss.  Fui ingênuo de achar que aquilo serviria para uma reestruturação, ledo engano.

Nos lemos em breve. Um abraço.

Imagem: soumaisvasco