Medo

E eis que a escolinha da minha filha resolve marcar a festinha do dia das mães para as três da tarde de um sábado, na hora da final da Champions League. Incrível que uma escola marque uma festa justamente para esse horário. Na escola, vários pais enfurecidos esperavam o fim do evento para vazar de lá o mais rápido possível.

E eis que alguém marca o jogo do Vasco para as quatro da tarde de um sábado, na hora da final da Champions League. Incrível que um time (dirigente, federação) marque um jogo justamente para esse horário.

Não bastasse a tristeza do espetáculo, ele ainda traz o requinte de concorrer com o principal jogo interclubes da temporada. Jogo de segunda divisão num estádio marcado para todo o sempre como um dos mais deprimentes da história do Vasco. Para deprimir.

Não, não vi o jogo do Vasco. Ao chegar em casa, liguei a tv e ela já caiu num dos canais que passavam o duelo de Madrid. Enquanto assistia, resolvi ver o que se passava no jogo do Vasco a partir das comunidades do facebook. O que se dizia nelas era tão apavorante e eu estava num dia de tal stress, que resolvi abstrair. Sim, o Vasco precisa de mim, mas não precisa me impor (ainda mais) sofrimento. Fiquei quieto vendo o jogo da Champions pensando que o Vasco estava perdendo de dois ou três a zero. Curiosamente nenhum post dizia o resultado. Nem sequer dava a entender. Kiko Abreu me deu a “boa notícia” do empate sem abertura de placar bem depois do fim do jogo.

Mas não deixei de me aborrecer. O juiz deu inexplicáveis cinco minutos de descontos para o Real Madrid fazer seu gol ao apagar das luzes. Mais um gol no fim. Mais um gol com o beneplácito da arbitragem para o lado mais protegido. Prova de que não se precisa de um roubo a mão armada para influir decisivamente num resultado. Sutilmente se beneficia os de sempre.

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Parece estar confirmada a demolição da sede do América para o dia 1o de julho. Em plena Copa do Mundo, um dos patrimônios futebolísticos do Brasil perderá o que resta de sua identidade e história. Provavelmente tudo passará em branco, disfarçado em Messis e Cristianos Ronaldos da vida.

O medo do título vem dai. Em pouco tempo, alguns poucos anos, saímos de uma realidade de um dos maiores clubes do Brasil para uma realidade de penúria, muito mais próxima da do América do que de seus rivais da cidade e do Brasil. Não podemos cair no engodo de pensar que temos torcida, e que isso bastará para nos salvar.

Por causa de um trabalho – não concretizado – entrei em duas comunidades Americanas do facebook. Fiquei apavorado com as semelhanças. A torcida está toda lá, sofrendo como nós. Jovens, velhos, adolescentes. Milhares de pessoas. Engana-se quem acha que o América é uma coisa do passado como os faraós. Estão vivos. Infelizmente parece que perderão definitivamente seu amor.

Que Deus nos livre desse fim. Amém.

abraços

Zeh