Mas como assim?

Desde a semana passada que os blocos carnavalescos já fazem a Cidade Maravilhosa exalar o perfume de dias calorentos, mas não menos amáveis, de todos aqueles que vêem no inconsciente coletivo o que representa ser um carioca de verdade. Não importa como e de onde você vem. Pode ser um exilado da Síria, mas não tem problema, botou a camisa de um bloco ou de uma escola de samba e “#partiulapa” para ser um legítimo malandro. O problema é quando alguém se der conta do seu sotaque e do seu bronzeado (quando existe) em tons de Jornal dos Sports para tudo ir por água abaixo e ter que registrar B.O na delegacia do Leblon.

E o que isso tem a ver com essa coluna? Esse veículo?

Vamos lá. Na primeira participação no Panorama Vascaíno, vimos os modelos de gestão dos times com relação aos seus torcedores e suas consequências dentro e fora do campo. Como isso é feito lá fora (diga-se Europa) e aqui dentro, que em parte acena com espasmos de brilho como é feito no Palmeiras, por exemplo. Eis que você, torcedor da Cruz de Malta desde que engatinhava, vê um site ligado ao Futebolcard, de incentivo de torcedores.

Uau! Que legal! Enfim pensaram no torcedor!

Só que não…

Uma passada pelas vantagens apresentadas a esse modelo revolucionário, (Claro, por que não pensamos dessa forma nas mil e uma vezes em que se formou algo parecido?) de fazer uma espécie de união da torcida através de uma espécie de indulgências no formato de marketing esportivo, para perceber o quão pouco valorizam o sentimento do torcedor.

As cotas, divididas em quatro categorias, apresenta como melhor opção por módicos R$179,00 o acesso gratuito às sociais nos jogos em São Januário, pontuação em outro plano de vantagens e uma camisa oficial que você só vai receber depois de doze meses! Ou seja, quando um outro novo uniforme estiver nas lojas! Nas demais categorias, nem isso. É nesse momento em que você, típico malandro carioca, começa a tomar feições de turista estrangeiro, abordado por taxistas clandestinos na saída do Galeão.

Até agora não há de verdade uma administração que faça o relacionamento com a torcida ser estreita e que traga retorno para os dois lados. Esse é problema. Padecemos do mal dos muitos caciques para poucos índios e claramente todos querem fatias ainda maiores do bolo. A crise que assola nosso país cria oportunidades para os oportunistas no pior dos sentidos. Eles são os taxistas clandestinos dos nossos aeroportos e rodoviárias. Enquanto isso, a vida continua e o 7 a 1 fica com mais cara de eterno.