Martin Silva

Já se vão quase trinta e cinco anos. Depois de um primeiro tempo horroroso, o grande Acácio saía de campo, no Maracanã, para o intervalo de um Vasco x América debaixo de uma chuva de vaias. Se não estou louco, tinha problemas familiares. Foi substituído por Paulo Sérgio (Terá sido Roberto Costa? Prometo que cato a informação e publico aqui abaixo). Passou uma grande temporada no banco. As finais do Brasileiro de 1984, contra o Fluminense, foram disputadas com Roberto Costa debaixo das traves. Voltou depois e nos trouxe muitas alegrias. A meu gosto, foi o melhor goleiro que vi jogar no Vasco. Seguido por Helton e Martin Silva.

Este Martin Silva que agora xingam.

É fato que todo carnaval tem seu fim. Toda carreira se esgota, como vimos acontecer recentemente com Guiñazu – que por sinal segue jogando. Mas não, este não é o caso com Martin Silva.

Em julho de 2015 eu estava no Rio e tive o desprazer de ir a São Januário ver o Vasco levar uma sova de quatro do Palmeiras, com uma atuação tenebrosa de Martin. Curiosamente, apesar de falhar durante todo o jogo e ter culpa direta em todos os gols, o lance que marca essa partida é de Herrera. Vocês infelizmente lembrarão… O cidadão dribla o goleiro, espera o beque voltar pra dentro do gol e solta um rojão no travessão. Me perdoem por fazê-los rever mentalmente essa tristeza. Pois bem, naquele dia, parecia que a história de Martin no Vasco estava encerrada.

Como sabemos, não estava. E se vivemos um período de vacas magérrimas, estas, as vacas, não morreram muito por causa de Martin Silva e seus milagres. Jogando à frente de defesas ridículas, sua principal virtude foi duramente posta à prova. Quando se vê cara a cara com um adversário com a bola dominada à sua frente, é um monstro. Nessa situação, eu nunca vi nenhum goleiro tão bom. Ganhamos dois cariocas. Fomos rebaixados. Foi nosso representante na Copa da Russia. Não nos largou na segunda divisão. Aturou times pífios e seguiu conosco na batalha.

Infelizmente, toda vez que é convocado pelo Uruguai e se ausenta por período longo, se apresenta pior do que quando foi. O jogo do Palmeiras de 2015, que citei acima, é um exemplo disso.

Está longe de estar no final de sua carreira. Mas está fora de forma. Fato.

Só que este sujeito tem comportamento, dentro e fora de campo, de ídolo, líder do time. Ele deve ser respeitado e tratado com todas as reverências possíveis, porque ninguém no time foi tão importante para o Vasco da Gama quanto ele nos últimos anos.

Críticas são sempre muito bem-vindas, em qualquer esfera, quando visam melhorar. Fiquei com vergonha alheia de muita coisa que li de vascaínos. Convido-os a refletirem. Onde estaríamos a essa altura se não tivéssemos Martin debaixo dos paus nos últimos três anos? Com a dedicação que tem, aos 35 anos, o que o impediria de agarrar mais uns três anos em altíssimo nível pelo Vasco? Buffon tem 40 anos, no PSG. Casillas 37, no Porto. Neuer, fisicamente mais frágil, 32.

Saber digerir as falhas também é dever de um bom goleiro. Sigamos adiante. Força, Martin.