Dentro do esperado, mas temos que ligar o alerta.

Primeiramente me apresentarei. Vascaíno doente, 34 anos, advogado e muito crítico, o que rende umas críticas e uns “xingamentos” de “mulambo”, flamenguista e corneteiro.  Já torci muto na base da emoção, indo a todos os jogos e sempre acreditando que tudo daria certo. Porém, após presidentes incompetentes, 3 rebaixamentos, anos de crise, junto à maturidade que vim ganhando nos últimos anos, acabei me tornando um torcedor mais racional. Hoje, acompanho, assisto os jogos, porém sempre com os pés no chão.

Vamos ao que importa, o jogo de hoje contra a querida Chape.

O Vasco começou o jogo claramente com a proposta de se defender e tentar matar o jogo em contra ataque, fato confirmado pelo Andrezinho em entrevista no fim do jogo. Milton Mendes conhece o que tem em suas mãos e trabalha com isso, o que me dá um certo alento, pois ele trabalha pensando a cada jogo. Inclusive, achei correto o fato de poupar o Luis Fabiano. De fato, não era um jogo pra ele. Sabíamos que seria um jogo truncado, contra um time bem armado dentro de casa. Ganhar lá não é fácil. Um empate seria excelente, mas a derrota é dentro do esperado.

O Vasco começou mal, o que trouxe a Chapecoense, que não jogava bem, para dentro de nossa área. Arrumaram um gol, onde nossa defesa deixou o Girotto subir sozinho para cabecear para as redes. O Vasco, por sua vez, achou um gol com o limitado Jean, num lance praticamente idêntico ao gol do adversário.

No segundo tempo, até melhoramos, mas enfrentamos um time muito bem armado. Sentimos mais uma vez a falta de um meia. Quando enfrentamos um time treinado, simplesmente não sabemos o que fazer com a bola. Repararam que o Vasco pegou a bola aos 42 do 2º tempo e ficou tocando até o final do jogo do meio pra zaga e da zaga pro meio porque simplesmente não sabíamos o que fazer?

Quanto ao jogo de hoje, continuamos mais do mesmo. Zagueiros perdidos, batendo de frente com adversários que não recebem o devido combate desde lá da frente, laterais inúteis e preguiçosos que não apoiam direito e não protegem atrás, um meio campo e ataque esforçados e só. Não temos elenco, logo os que entram não vão mudar muita coisa.

Todo time tem que ter um Camisa 10, um cara que pega a bola, levanta a cabeça, orienta, chuta etc. E isso é um problema que ainda vai nos dar muita dor de cabeça, porque aparentemente a diretoria não contratará mais.

Muitos falam que temos o Mateus e o Nenê, além de Andrezinho e Douglas. Bom, eu particularmente não considero o Nenê como um meia de ofício. Além dele não aguentar mais jogar 90 min em alta performance (perceberam como ele só reapareceu após os 30 minutos do 2º tempo?), o acho um jogador muito agudo, muitas vezes se confundindo com um segundo atacante. O Matheus Vital vem jogando bem, mas ainda é um menino. Não vai assumir o meio campo de um time gigante de uma hora para outra. O Andrezinho claramente está sem ritmo de jogo e a idade avançada já dá sinais de que não dá pra contar com ele. Douglas, por mais bola que jogue, não é um meia ofensivo a ponto de assumir uma posição que precisamos, até porque ele é importantíssimo na recuperação da bola e contra ataques.

A falta desse meia reflete diretamente no time.  Dos últimos 5 gols que fizemos (2 contra Corinthians, 2 contra Sport e 1 contra a Chapecoense), todos vieram dos lados, sendo 3 gols de escanteio. O Vasco não chuta a gol. A bola, quando está no meio, logo é jogada para os lados para os nossos limitados e preguiçosos laterais, que em 90% das vezes cruzam da intermediária, o que só facilita o corte da zaga e um consequente contra ataque.

Sigo confiando em nosso técnico. Como disse acima, quando trabalhamos sabendo o que temos de mão de obra e que o objetivo é mínimo, no nosso caso, escapar do rebaixamento, tudo fica mais fácil, o que pode até gerar surpresas boas lá na frente.

Me preocupa muito o fato do time ter levado 17 gols em 7 jogos, isso é media de time rebaixado. Não vou falar que está muito cedo, porque esse é sempre o discurso, até quando não dá mais tempo e o desespero bate. Temos que ligar o alerta, acertar o sistema defensivo e, fazendo isso, creio que teremos um fim de ano tranquilo. Longe de brigar entre os 10, porém tranquilo quanto ao rebaixamento. Espero estar certo.

O Vasco tem que fazer seu dever de casa. Ganhar obrigatoriamente dos considerados pequenos e médios em casa, tentar ganhar ou pelo menos empatar contra os grandes. Fora de casa, tentar empatar com os pequenos e médios e jogar bem fechado contra os grandes, em jogos que podemos considerar derrotas como absolutamente normais.

Sigamos.