Lições da estreia

Vamos admitir duas coisas sobre a estreia de ontem: foi um péssimo resultado e, ao mesmo tempo, escapamos de boa. Péssimo, pois perder ponto em casa é sempre uma roubada, mesmo nestes intermináveis campeonatos com 38 rodadas entediantes. E escapamos de boa por que nosso time deu vaciladas enormes no sistema defensivo e quase deu a vitória de presente ao América Mineiro.

Claro que não dá para olhar esta partida sem levar alguns aspectos em consideração. O primeiro deles é a quantidade de desfalques – metade do time em números, mais de 60% em qualidade. Jogamos sem Rodrigo, o esteio da zaga; sem Guiñazu, o comandante da proteção à defesa; e sem Edmilson, o atacante que fez falta até na fatídica final do Carioca. E mais: sem Pedro Ken e sem Everton Costa – este, aliás, não deve mais jogar pelo Vasco, pois ficará cinco meses fora dos gramados, se um dia puder atuar de novo.

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O segundo complicador de ontem foi a falta de público. Jogar de portões fechados é um dos piores castigos impostos a um time – ainda mais quando este time teve seus torcedores atacados por uma malta criminosa, comandada por cartolas. Falta vibração ao jogo. Parecia um daqueles amistosos de pré-temporada que se faz com camisa – como o Eurico promovia para o Romário atingir aquela marca de mil gols. Só que ontem o jogo valia três pontos e, sem a torcida para empurrar e apoiar, fica complicado para o jogador buscar ânimo.

E, para finalizar, é bom dizer que o time do América Mineiro não é bobo. Tem um atacante que ainda sabe fazer gols, o Obina, um volante de bom nível, como o Leandro Guerreiro, e o Mancini no banco. Apesar de ter abusado do direito de fazer cera, vai dar trabalho e eu diria que estará brigando pelo acesso à Série A.

Vamos ver, no próximo sábado, o comportamento do time no jogo com o Luverdense, onde deveremos ter mais vascaínos que torcedores do mandante – aliás, nesta Série B, esta é a tônica na maior parte dos jogos. Deveremos ter a volta de alguns contundidos, como Edmilson e, talvez, o Pedro Ken, e o apoio da galera para atacar. O certo é que, mesmo com um grupo limitado, o Vasco tem o melhor elenco da Série B.

Aliás, melhor até que vários da Série A. Basta lembrar que, para tirar o título de campeão carioca de 2014 do time, foi preciso escalar uma série de bandeirinhas e auxiliares mal-intencionados. Em campo, com a bola rolando, nenhum dos grandes cariocas teve como parar o Vasco sem ajuda das arbitragens.

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Muitas vezes nos escandalizamos com os salários pagos aos jogadores de futebol. Mas o caso Everton Costa mostra que essa remuneração pode não ser tão injusta assim. Não sei quanto o jogador ganha, mas vamos admitir que ele receba uns R$ 100 mil por mês – o que dá R$ 1,3 milhão por ano. Um jogador como ele não deve ter recebido este salário durante toda a vida profissional, apenas uns cinco ou seis anos. Mas vamos ser camaradas e considerar que ele tenha recebido R$ 50 mil por mês dos 18 aos 24; R$ 100 mil dos 25 aos 31; e R$ 60 mil dos 32 aos 35. Em sua carreira, ele terá faturado R$ 16.770.000. Desta grana, deixará de 20% a 30% com um empresário, no mínimo – ou seja, até R$ 5 milhões.

Com os R$ 11,7 milhões restantes, ele terá de comer, pagar contas cotidianas e tudo mais. Para formar um patrimônio e investimentos suficientes para sustentar-se, sem precisar trabalhar, pelos 40 anos restantes ele contaria com apenas R$ 6 milhões. Ou seja, missão impossível, a não ser que viva uma existência sem grandes gastos a partir da aposentadoria – tudo o que o jogador não foi acostumado a fazer na sua época ativa.

É uma carreira difícil.

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A semana foi terrível para o Vasco. Começou com o empate na final, com gol roubado, que nos custou o título. Seguiu com a sofrida partida contra o Resende e terminou com a decisão de aceitar os mensaleiros no quadro social.

A decisão ameaça o futuro do Vasco, por asfaltar a volta do autoritário Eurico Miranda ou por permitir o florescimento do sr. Roberto Monteiro, uma espécie de sub-Eurico. Duas péssimas opções para tirar o Vasco do buraco em que ele se meteu – e que Roberto Dinamite, um dos que aprovaram este esbulho chamado “mensalão do Vasco”, contribuiu para aumentar.

A saída para o Vasco é uma aliança em torno de quem gosta do Vasco. E, neste sentido, diante dos últimos acontecimentos, passo a apoiar formalmente o movimento É Vasco, com o pessoal da Cruzada Vascaína e o Eduardo Machado. Urge buscar um candidato para evitar o pior – a entrega de nosso clube centenário a estes aventureiros.

A partir de hoje, sou do É Vasco e dos movimentos coordenados a partir dele.

E você?