Lelé da cuca

“No Boteco do José”.

Vamos lá!
Que hoje é de graça
No boteco do José
Entra homem, entra menino
Entra velho, entra mulher
É só dizer que é vascaíno
E amigo do Lelé

Esta é uma marchinha de Linda Batista, feita para o carnaval de 1946. O sujeito jogava tanta bola que virou música.

O Lelé homenageado na composição é um dos maiores artilheiros da história do Vasco. Chegou ao Vasco em 1943, junto com Isaías e Jair da Rosa Pinto – que acabou se tornando o mais famoso dos três.

Lelé marcou 147 gols em cinco anos atuando pelo Vasco. A marca é ainda mais espantosa se levarmos em consideração que a quantidade de jogos disputados anualmente nos anos 40 não chegava aos pés da quantidade atual. Era um atacante lento, mas tinha um chute poderoso de direita.

Anos depois, chega ao Vasco um lateral direito com um potente chute de direita. Jogou com Abel e Moisés, na chamada “Barreira do inferno”. Batia bem. Jogava sério. E, ao contrário do que se pensa, o apelido não é por ser considerado maluco, mas pelo chute violento, que lembrava o do Lelé dos anos 40. O apelido pegou e Orlando virou Orlando Lelé até sua morte precoce, aos 50 anos, em decorrência de um acidente obscuro em Brasília, onde treinava o Gama.

E por que estamos falando desses dois? Porque o Lance, numa matéria comemorativa dos 120 anos do Vasco, em agosto de 2018, publicou a lista dos dez maiores artilheiros da história do Vasco e cometeu um pequeno errinho. Trocou o atacante dos anos quarenta pelo lateral dos anos 70. E ainda criou a explicação para os 147 gols do lateral:

“ORLANDO LELÉ – O lateral-direito era muito importante no apoio ao ataque, e se destacou em grande parte de sua carreira por esse atributo, marcando 147 gols. Além disso, fez parceria com Dinamite, nos anos 70 e 80.”

Imaginem que fantástico. Um lateral direito ser um dos maiores artilheiros da história do clube, fazendo mais gols que Felipe, Pedrinho, Bismarck, Geovani, Tita, Mauricinho, Maneca, Friaça, Jair da Rosa Pinto, Chico Aramburu, Edmundo, Luisão, Walter Marciano…

De qualquer forma, devemos agradecer ao Lance por nos lembrar desse par de boas figuras.