Juninho Pernambucano

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Juninho Pernambucano é meu ídolo.

Craque. Um dos integrantes de um dos melhores Vascos de todos os tempos, junto a Edmundo, Pedrinho, Felipe, Juninho Paulista. Sujeito família. Pai de três vascaínas.

Sujeito simpático e articulado, não passou muito tempo depois de pendurar as chuteiras para que a TV visse nele um bom comentarista de futebol. E fosse parar na Globo, comentando jogos do Vasco.

E assim começaram os problemas. Uma chuva de comentários nas redes sociais pró-Juninho e contra Juninho.

Como tudo por aqui no Panorama, o que vem aí abaixo no texto é uma opinião pessoal da qual você tem direito de concordar ou discordar veementemente. Mas o que tem acontecido nas nossas redes sociais é que Vascaíno tem batido boca com Vascaíno, cada qual tentando impor seu ponto de vista aos demais. Lembrem-se de que já temos problemas demais e que, sem união, certamente não chegaremos a lugar algum.

Voltando ao Juninho, repito: é meu ídolo. Mas isso não significa Deus ou infalível.

Fosse algo próximo disso, ele não teria cruzado a bola do jogo contra o Corinthians, final do mundial de 2000, no Maracanã. Sem brincadeira, já sonhei (mesmo) com esse lance algumas vezes. Pra quem não se lembra, Juninho entra pela grande área sozinho, quase até o bico da pequena área. Ao invés de chutar, prefere passar a responsabilidade para outro. Cruza pro meio e a jogada é abafada. O resultado todos nós sabemos. Nunca aceitei ou entendi a opção que ele fez. Vida que segue. O tempo não volta e, como disse, ninguém é infalível.

Então o cidadão resolve – e tem todo o direito do mundo de fazê-lo – ir trabalhar na Globo como comentarista de futebol.

Acontece que a Globo é inimiga do Vasco. À Globo não interessa de forma alguma um Vasco coeso, unido, vencedor. Interessa um sparring de luxo, um coadjuvante do seu investimento: o Clube de Regatas Flamengo. Lembrem-se que em 2016, a não ser que algum fato novo e revolucionário ocorra, o clube mais querido da emissora vai receber quase 100 milhões a mais do que o Vasco e os outros dois clubes do Rio, o que será mais um fator de desequilíbrio protagonizado pela emissora em favor de sua rêmora, junto com o número desequilibrado de transmissões de jogos e a quantidade de tempo dedicado aos “grandes craques” como Paolo Guerrero.

Então, quando Juninho passa a trabalhar para esta entidade, torna-se parte dela. Parte do jogo dela. Literalmente como se tivesse assinado com o Flamengo. Porque na prática é isso que aconteceu.

Não se pode afirmar que seus comentários tenham sido efetivamente roteirizados pela empresa. Mas os empregados de qualquer entidade que se preze trabalham pelos objetivos da instituição. Missão, visão, valores. Objetivos. Investimentos. Então, não se pode esperar do Juninho independência de pensamento. Quem está ali falando é o Juninho da Globo, na realidade quase o Juninho do Flamengo, e não o meu ídolo do Vasco.

Uma vez entendido isso, será muito mais fácil compreender críticas irritantes e inaceitáveis vindas dele. A mim e a alguns outros Vascaínos próximos – acho que posso citar o Kiko – embrulharam o estômago. Cito, como exemplo, o momento patético em que disse já ter recomendado ao Lyon a contratação do grande Jonas Schweinsteiger. No jogo seguinte, contra o Vasco, o indivíduo quase arrancou a cabeça do Gilberto. Não creio que o Lyon tenha se interessado.

Enfim, tal qual Roberto Dinamite, Juninho optou por um roteiro desagradável (embora, repito, tenha todo o direito – e até vocação legítima – de fazê-lo) para a continuação de sua carreira. Cabe a nós lembrarmos de ambos dentro de campo, com a Cruz de Malta no peito.

Roberto já manchou definitivamente sua história. O Juninho não. Segue meu ídolo. Tomara que espirre logo de lá.