Isso aqui é Vasco!

“Isso aqui não é Vasco… Isso aqui é Flamengo…” Poucas vezes eu vi uma torcida entoar um canto tão verdadeiro. Tão cristalino. Tão óbvio! Sim! Aquilo lá NÃO é Vasco!!!

É claro que a megalomania patológica dos nossos maiores rivais não os deixa enxergar a obviedade de suas palavras, mas nós que estamos do outro lado da arquibancada ouvimos, interpretamos e até ficamos meio pasmos com tais palavras… Afinal para que reafirmar o óbvio?

Não. Isso aí não é Vasco! Não há do lado de cá títulos que eternamente deverão ser precedidos ou “pós cedidos” de asteriscos. Não há do lado de cá questionamentos sobre favorecimentos de arbitragem em momentos decisivos, ou mega exposição da mídia que só serve para piorar os sintomas da doença que os acompanha desde sempre: a megalomania.

Não há na nossa história a mancha do elitismo, do racismo ou do populismo. Nascemos de outra forma. Nascemos de um sonho, para superar dificuldades de praticar o nosso esporte preferido na época. Vocês nasceram de um sentimento de inveja, de um sentimento de posse… Megalomania na raiz!

Sim, passamos por divisões inferiores. Na verdade, no futebol, não quisemos ser favorecidos em troca de negar nossos valores. Divisões inferiores são o caminho que todos que sonham devem percorrer e nós percorremos quando nascemos. É necessário merecer as coisas. E nós merecemos. O futebol de vocês nasceu de uma briga, de uma dissidência, quase que “de mentirinha”, pois os que formaram o seu primeiro time, já eram atletas de outras modalidades no seu clube. E assim que nascidos, só receberam ajuda daquele de onde se desgarraram, como estádio para os jogos e principalmente o precioso apoio para estrear (?) diretamente na primeira divisão.

Passar por divisões inferiores não é novidade para nós. Erramos e devemos pagar pelos nossos erros. Sem favorecimentos. Sem viradas de mesa. Sentimos orgulho não da queda, mas sim de nos levantarmos sem a ajuda de ninguém.

Esse ano de 2015, de tantos sentimentos extremos para a nossa torcida, será para sempre marcado como o ano em que o forte, o correto, o bem venceu o mal, o engodo, o cheio de empáfia, aquele que fala demais mesmo depois de ser derrotado três vezes seguidas! Em campeonatos distintos, com duas eliminações no meio.

Nosso futuro? Quem sabe? Nascemos inspirados por um grande aventureiro que navegou ora por mares calmos, ora por grandes tempestades, mas no fim alcançou todos os seus objetivos e venceu todas as suas dificuldades

Assim será.

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E por falar em história, eu gostaria de fazer um apelo ao nosso atual presidente. Por favor: não manche a nossa história. Não me venha com qualquer ato ou ação que sequer possa ser interpretado como uma virada de mesa.

Peço até mais: se ocorrer algo nesse sentido, honre os seus suspensórios e coloque o Vasco para disputar em 2016 aquilo que merecer pelo desempenho no campo. Foi ruim? Paciência. Vamos à série B porque erramos e temos de pagar pelos nossos pecados.

Faça como nossos fundadores fizeram em 1924: negue qualquer favorecimento para abrir mão de nossos valores.

Não nos envergonhe! Não faça isso porque os outros fizeram. Não nos interessa a história e nem o “modus operandi” dos outros. Eles que chafurdem e expliquem eternamente os asteriscos de suas opções.

Por fim, inspire-se na torcida rival: Isso aqui é Vasco!

Imagem: Paulo Fernandes / Vasco.com.br

Posted By Kiko Abreu

7 Comments

Lucio Bairral

Fala Francisco, beleza?

Todos tem telhados de vidro e orgulhos de suas histórias. Mas engana-se quando diz que o Vasco nunca foi ajudado. Jogou mais de 100 jogos em Laranjeiras como mandante. Fez seu primeiro jogo lá, cedido pelo Fluminense. Seu primeiro título, inclusive, foi lá.

Grande abraço e saudações tricolores.

Fonte: http://www.memorialtricolor.com.br/historia/sem-ajuda-flu-o-vasco-nunca-teria-chegado-elite/

Kiko Abreu

Fala Lucio, tranquilo?

Amigo, acho que você não entendeu o sentido do “ajudado” no meu texto. Não me referia a ajudas desse tipo como você bem relembrou – aliás, essa dívida foi paga com juros e correção monetária a partir da construção de São Januário desde os anos 30, quando os clássicos passaram a ser disputados lá, e até os dias atuais, e provavelmente no ano que vem, com o fechamento do Maracanã e do Engenhão para as Olimpíadas.

Kiko Abreu

A “ajuda” a que me referi no meu texto foi aquela fornecida de maneira escusa, “por de baixo dos panos”, desonesta.

Todos temos vergonhas e orgulhos de nossas histórias, mas como todo respeitos aos demais grandes, as histórias de Vasco, Botafogo e Fluminense são superiores em muitos degraus a dos rubro-negros.

Abs e Saudações Cruzmaltinas!

Diogo

Deixa o freguês ter razão Kiko hahahah
Vai procurar um blog das flores por ai…

Diogo

Belo texto.
Quanto ao final dele.. é esperar demais do euvírus…infelizmente!

Marcio Maciel

Belíssimo texto amigo, nada como uma classificação em cima de nossos rivais para despertar o poeta que está em nós. Quanto ao futuro também penso como vc, não podemos negar nossa história, se for série B que seja, mas nunca nos marcharmos. Ah em tempo, pelo amor de Deus, pede pro Jorginho tirar o Cristiano dali, por favor, ele é ruim demais. Abraço a todos.

Carlos Alberto

Torcedores são como filhos, reféns das decisões de seus “país”. Cabe-nos apoiar e/ou criticar, ao mesmo tempo que amamos nossos clubes com todos seus erros. Mesmo que o Fluminense peça para voltar à série B e retorne ganhando, essa mácula nunca se apagará. Por mais que eu me envergonhe desse pequeno passado, isso nem de longe apaga as glórias do presente e nem compromete o futuro, porém serve de argumento covarde aos que xingam o passado de um time para apagar seu atual sentimento de fracasso.

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