Invictus XXX

Já estava passando da hora do Vasco vencer no Mané Garrincha – remodelado em 2013.

Até ontem, nas seis vezes em que jogamos na Capital Federal no novo estádio, tínhamos amargado três empates e três derrotas. Sem contar que uma dessas derrotas foi em 2014, para o próprio Vila Nova. Perdemos por 2×1, gol do lateral direito Carlos César (lembram dele?). Nesse jogo eu também estive presente, e me recordo que o lateral esquerdo Christiano acabou com o jogo, com uma bela atuação e assistência para gol. Em 2015, o mesmo Christiano veio para a Colina, não jogou nada e se notabilizou por ser uma avenida para os atacantes que caiam pelo seu setor.

Mas voltando a ontem de noite, me surpreendeu o numero de torcedores do Vila Nova presentes ao estádio. Logo trago a explicação: era feriado em Goiânia – que fica a 200km de Brasília. Então, possivelmente, vários vieram passar o dia aqui, tirar uma fotos lá na Esplanada dos Horrores…digo…dos Ministérios… Estavam animados, cantando gritos de guerra, trocando insultos com vascaínos, mas enfim…

O primeiro tempo foi bem equilibrado. Jorginho escalou Pikachu bem aberto na direita e ele quase acertou um sem-pulo espetacular num ótimo cruzamento de Júlio Cesar. Logo depois, Jordi cortou um ataque do Vila e a bola tomou tamanha velocidade em direção do outro gol que nos deu a impressão nítida que iria entrar. Foi por pouco. Depois desse início promissor, o Vila Nova passou a ter o controle do jogo, justamente porque ontem, seja com Pikachu ou depois com Eder Luis, o time ficou demasiadamente ofensivo, espalhado no gramado enorme do Mané, com apenas Mattos e dos Santos na marcação (Andrezinho fez muita falta, porque além de organizar o time pra frente, compõe este meio de campo pra trás com extrema maestria, compactando o time). E foi assim que Jordi apareceu com duas defesas sensacionais, cara a cara com os atacantes adversários.

Parece uma compensação dos Deuses do Futebol termos hoje Martin e Jordi nos defendendo em altíssimo nível, pra tanto sofrimento que tivemos com goleiros seja em 2013, quando a gente lembra do tripé Diogo Silva, Alessandro e Michel Alves, como na década 2000-2010, onde também sofremos muito com Tadic, Everton, Cassio, Roberto, Erivelton, Elington (o arqueiro dos 2×7 pro Furacão em 2005) e Rafael (aquele que largou o Vasco pra ir pro Fluminense e agora tomou 4 sacodes jogando pelo Sampaio Correa).

Veio o segundo tempo e com ele o reequilíbrio do time de Jorginho com a entrada de Diguinho no lugar de Julio dos Santos. A defesa ficou menos exposta, o time mais compactado, além do fato que o gás do Vila também acabou, pois marcaram pressão na saída de bola vascaína os primeiros 45 minutos do jogo. Tomamos conta do jogo e, em duas cabeçadas de Marcelo Mattos, já poderíamos ter aberto o placar. Foi então que o craque Nenê resolveu aparecer. Sofreu um penalti. Teve a sorte de converter, pois o goleiro quase defendeu pulando no canto certo. E logo depois bateu magnificamente uma falta, matando o jogo e nos deixando na liderança da competição.

Eu, que estava meio engasgado com a empáfia da torcida do Vila e com a insistência de nos chamar de “cariocas favelados”, me virei para uns torcedores deles que estavam próximos a mim e disse: “Vocês perceberam agora a diferença de um Vasco para um Vila Nova de Goiás? Isso aqui é Vasco! A estrada fica por ali e pra driblar a tristeza da viagem de volta coloquem um CD de musica sertaneja, a Corno Music …“

Que venha agora o Bahia do Doriva. Jogo perigoso. Tomara que a Colina esteja bem cheia de gente. Vai ajudar muito ter o nosso estádio lotado pra empurrar o time.

Saudações vascaínas sempre meu amigo Kiko!
Érico Moreira Vasconcellos
Brasilia DF