A hora e a grana

estádio nacional de brasilia

Problemas à parte (conturbação política, escassez de recursos etc), lá vai o Vasco para mais um passo de consolidação rumo ao principal objetivo em 2014: retornar para onde nunca deveria ter saído.  E agora é a vez de atual no belo Estádio Nacional de Brasília, ainda com antigo e inesquecível nome: Mané Garrincha.

A Colina, com 31 pontos ganhos e encostada no líder Ceará a três rodadas do fim do turno, enfrenta o Vila Nova de Goiás, lanterna da competição com apenas 8. O segundo lugar não será perdido nem em caso de uma pouco provável vitória do time goiano, uma vez que o terceiro colocado, Luverdense, tem 27 pontos e poderá chegar no máximo a 30, isso se vencer o América-MG no Estádio Independência.

Por mais que o cenário seja favorável a São Januário – e é -, partida para ser levada a sério porque em futebol ninguém vence antes do fim dos noventa minutos. O momento é de afirmação e não de soberba.

Mesmo com tudo isso, o que me chama atenção trata de outras coisas.

A primeira delas, por causa do horário. Por que essa partida deveria ser jogada às 21.50 da noite, logo num dia que tradicionalmente já não é o que muitas torcidas se acostumam ao futebol? Já não bastam as partidas da série A às quartas-feiras para irritar milhões de torcedores trabalhadores que, por conta do avançar da noite, ficam simplesmente alijados de acompanhar seus times no estádio, na televisão e até mesmo no rádio?

Segunda, o preço. Por mais que haja uma promoção da diretoria do Vila Nova, onde torcedores tem direito a pagar 50% do valor da entrada na doação de alimento não perecível, a mesma continua caríssima: a chamada Cadeira Hospitallity a módicos R$ 160,00 e a Cadeira Inferior na superpromoção de R$ 100,00.

A segunda coisa, aliada à primeira, é quase um convite para não se ir ao estádio, por mais que o Vasco passe um bom momento dentro de campo. Mesmo com a meia-entrada a R$ 80,00 por exemplo, parece claro que o objetivo é ter um público mediano que ofereça a receita a ser obtida com casa cheia.

Tanto em jogos da Série A quanto a B e mesmo a C, o objetivo é fazer com que alguns dos estádios reformados/ construídos para a Copa do Mundo tenham utilidade. Não seria mais atraente fidelizar o público, oferecendo preços mais acessíveis e horários mais convidativos?

É claro que os muitos vascaínos que residem em Brasília tem interesse em acompanhar a partida in loco. Uma oportunidade dessas seria para ocupar os 69.349 lugares do estádio em questão. Com as tais medidas de preço e horário, levando-se em conta a má campanha do Vila Nova, qual será a estimativa de público para o confronto? Talvez 30.000 pessoas? Ou 20.000? Ou menos ainda?

Parece claro que tudo isso é diretamente ligado ao descompromisso de quem tem os direitos de transmissão – a Globo. Não há preocupação em se fazer de Brasília um palco de grande público, mas apenas o de usar o estádio e faturar razoavelmente num momento pontual.

Entretanto, futebol não vive só da frieza dos números. Há muito mais em jogo.

@pauloandel

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