Hora de ter calma

Começo esse texto, na manhã seguinte de  Vasco 1 x 2 Vila Nova, avisando que eu não tenho sangue de barata e que eu desisti da ideia de escrevê-lo ontem mesmo, ao fim daquele espetáculo de horrores do qual só o Douglas se salvou. Acho que nenhum vascaíno aguenta mais ver o que viu ontem. E no jogo anterior. E no jogo anterior. E no jogo anterior. E no jogo anterior.

Até quando?

Não sei responder, mas queria marcar aqui alguns pontos que me parecem importantes.

Boa parte de vocês sabe que eu escrevo também no Panorama Tricolor e que, por isso, acabo ouvindo muita coisa que vem de lá. Ontem, conversava com o Andel sobre a atual fase do Vasco e sobre o mal terrível que essa pausa forçada fez ao time. De lá veio uma lembrança super viva e dura. Renato Gaúcho, então técnico, resolveu poupar o time do Fluminense por cerca de um mês, em 2008, para que este ficasse se preparando para as finais da Libertadores, com a LDU. O resultado foi tomar quatro gols nos primeiros 45 minutos.

Esta interrupção fora de hora do campeonato foi uma verdadeira desgraça para o time, que vinha num ritmo razoável. Ficamos mais de 15 dias sem atuar, só treinando. O resultado todos estamos vendo. Nenê fora de forma e contundido, Martin Silva lento em suas reações, o time inteiro sem volume de jogo. O gol que Jordi tomou ontem, ao sair alucinadamente do gol é, claramente, sinal de falta de ritmo de jogo. Claro que todos os times ficaram parados, mas nessa hora, a nossa “velhice” influi. Certamente levamos mais tempo para a recuperação física e técnica do que os nossos competidores, lotados de garotos, correndo feito loucos o jogo inteiro.

Como vimos pela história do Fluminense, no parágrafo anterior, esse fenômeno está longe de ser exclusividade nossa. No caso deles, foi feita uma opção erradíssima de tirar o time de ritmo de jogo. No nosso, não havia opção. Talvez o de realizar amistosos Brasil afora, o que não foi feito.

Vira e mexe temos exemplos como esse. Treinamento nenhum substitui jogo. Se dê dez dias de folga do trabalho e fique só estudando para quando voltar. Usando a teoria de Neymar, garanta que você não vai encher seu pote, comer tudo o que não pode comer, ficar acordado até os píncaros da noite, acordando fora de hora… E ai, no dia de voltar ao trabalho, estará lá uma múmia sentada em sua cadeira, morgado de sono, lento.

Enfim, o Vasco não é diferente da gente. É composto de gente. Uns melhores, outros (bem) piores. O resultado está ai. Trocar técnico não vai adiantar nada. É hora de ter calma. E aturar essas atuações patéticas. Infelizmente.

A tal da “gordura” era tanta e os adversários são tão ruins que mesmo fazendo 2 pontos em 12 disputados, seguimos líderes isolados e com cinco pontos de vantagem sobre o quinto colocado. É pouco, já foram 11, mas é o que temos. Paciência. Sábado tem mais. Espero que acordemos.

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Perdão por voltar ao assunto, mas pior que testemunhar o jogo é ver a mesma meia-duzia de oportunistas que, frustrados como eu, aproveitam para atribuir à presidência a culpa por todo esse fracasso. É irritante e desgradável. Uma breve olhadinha para a tabela do campeonato vai mostrar que não é bem assim. Seguimos com média muito próxima a dois pontos por jogo, o que é maravilhoso em qualquer campeonato – exceto para aqueles que acreditam que deveríamos estar já com 66 pontos e que já perdemos vinte e cinco pontos.

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Perdão por voltar ao assunto, mas eu não aguento mais o Madson. Não é possível que a comissão técnica não consiga ver a quantidade inaceitável de cruzamentos errados, passes a esmo e contraataques do time adversário que são armados com suas atuações medíocres.

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Ironia das ironias: ontem vi, pela primeira vez, Victor Bolt jogar. Fez um partidaço. Passe de cinquenta metros. Pelo menos não fez gol. Era o que faltava.