Honestidade

Curto e grosso:

Não se passaram mais de cinco anos da invenção destes inúteis juízes postados na linha de fundo. Quando do surgimento destas figuras em campo, a justificativa era que a posição dos bandeiras não permitia a visualização de lances capitais das partidas. Postados a alguns metros da trave, sem obstruções na visão, seriam os olhos dos juízes dentro da área. O objetivo dessa medida era reduzir a zero erros capitais de arbitragem, como pênaltis e bolas que passam (ou não) da linha de gol.

Na prática, aqueles dois sujeitos estão ali como enfeite. Tal como na falta de Douglas, contra o Flamengo, em 2014, em que todo o estádio viu a bola dentro do gol, menos os cinco integrantes da quadrilha de arbitragem, que, como ontem, nada viu.

Como o Vasco da Gama não é Flamengo, não houve interferência externa, logo, não se anulou o gol marcado com a mão.

Não se fala em outro assunto no Brasil de hoje que não seja corrupção. Onde se coloca a mão, aparece um milhãozinho roubado aqui, um desvio de 100 milhões dali, propina paga a vereadores, deputados, senadores, empresários, ministros, presidente da república. Em todas as esferas, públicas ou privadas.

No futebol não. Desafio a você, que lê esse texto, a lembrar de alguma reportagem, algum jornalista que tenha lançado, nos últimos anos, qualquer mínima dúvida sobre a existência de corrupção e roubalheira no mundo do futebol. Não se toca nesse assunto. Ninguém sequer cogita a possibilidade de um arbitro ou bandeira, ou quarto, ou quinto árbitro, estar vendido. Roubar. Intencionalmente deixar de ver algo. Nesse Brasil de hoje.

Sem ir mais longe: o lance que definiu o jogo de ontem premiou a loteca de uns e tirou a chance de outros. Já se imaginou perdendo um milhãozinho por causa de um gol de mão do Jô?

Como é que se vai sentar o pau nos políticos ladrões se um jogador de futebol de um dos clubes mais populares do Brasil sai de campo, após marcar um gol com o braço, e diz que não sentiu onde a bola tocou em seu corpo? É preciso uma cara de pau infinita para mentir para o país inteiro, ao vivo, em rede nacional. Pior, muita gente acredita. Hoje certamente tem muita criança corinthiana achando que aquilo tudo foi feito sem querer. Porque o Jô assim o disse.

Não se consegue mudar a mentalidade “esperta” de um povo, quando exemplos como esse se sucedem, premiam o malfeito e são amenizados. A primeira reação da equipe de transmissão de ontem foi perguntar se a bola já havia ultrapassado a linha – numa tentativa de tornar válida a irregularidade cometida. Depois do jogo, um repórter perguntou ao jogador se ele confessaria que o gol tinha sido ilegal se assim o considerasse. Tudo no condicional, indicando a saída canalha para o jogador – que dela fez uso, infelizmente. Hoje pela manhã o gol já foi chamado de “polêmico” na TV.

Polêmico é o cacete. Maldita era do politicamente correto.

Por último, engana-se aquele que acha que uma revisão por vídeo vai resolver calhordices como essa. Muito pelo contrário, vejo ai um enorme perigo para a lisura do futebol. Quem pilotará o vídeo será um cidadão com as mesmas deficiências visuais do quarto árbitro que estava a cinco passos de distância do lance. É muita ingenuidade achar que a tecnologia vai melhorar alguma coisa. Ela só servirá quando convier, exatamente como acontece hoje. Muito pior, será uma forma legalizada de se intervir externamente nas partidas. E nada garante o equilíbrio dessas intervenções. Ao invés de estarmos aqui enfurecidos por um “errinho” inaceitável de árbitros de campo, chegará o dia em que estaremos discutindo a intervenção feita em um lance a favor do time A e a não intervenção feita para o time B. Basta colocar na balança os últimos erros a favor dos times brasileiros para que se veja para onde caminhamos.

A tecnologia será pilotada por homens. E homens erram. E se omitem. Acidental ou propositalmente.

 

 

 

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