Gabrielle Andersen

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Esta, para os mais novinhos, é Gabrielle Andersen, uma maratonista suíça que entrou pra história das olimpíadas (de Los Angeles, 1984) ao heroicamente cumprir sua prova e chegar quase morta à linha de chegada, tendo recusado toda e qualquer ajuda para atingir seu objetivo.

Ontem, ao testemunhar mais aquele espetáculo deprimente proporcionado pelo Vasco em Pelotas, sendo derrotado pelo fraquíssimo Brasil local, foi dessa moça que me lembrei.

De forma alguma pelo heroísmo, coragem e determinação da atleta, que arriscou a vida para atingir seus objetivos.

O Vasco se arrasta em direção ao fim do ano exatamente como a maratonista. Forças esgotadas, tentando empurrar de qualquer forma os ossos na direção da série A. Não há mais tempo para qualquer intervenção.

E nós estamos aqui, testemunhando essa desgraceira, assistindo aos últimos suspiros agonizantes do bando vestido com a camisa do Vasco, jogo após jogo. A sensação é idêntica à da corredora. Não se sabia se ele iria resistir aos últimos passos, ou se iria cair morta a poucos metros do seu objetivo. No caso dela, ela resistiu e conseguiu o objetivo. No caso do Vasco, não temos ideia. Ontem eu estava lá, na frente da tv, vendo aqueles moribundos bem remunerados.

Prova cabal de que não há mais nada a fazer ou dizer, depois de quase quinze dias treinando, o Vasco fez ontem talvez sua atuação mais amorfa, mais patética, no primeiro tempo contra o poderosíssimo Brasil. A partir dos vinte e cinco segundos de jogo, Martin Silva (que, junto com Douglas, são os dois únicos órgãos vivos daquele corpo que caminha) começou a defender bolas e mais bolas, e mais bolas, até que uma entrou.

É um troço revoltante. Inaceitável. Parece mesmo um grupo rachado, onde cada um tenta resolver a merda em que nos metemos sozinho. Pior de tudo, o time ainda é mal escalado e as trágicas substituições tem a força de piorar a desgraça.

Parabéns aos corajosos que conseguiram assistir aquilo até o final.

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Vou me poupar de esculhambar um a um os jogadores. Eu e você, que está lendo, não merecemos isso. Só vou dedicar tempo a dois cidadãos que espero que sublimem de São Januário antes do final do ano.

Quem vocês acham que dava condição ao atacante do Brasil de Pelotas no lance do gol? Sim. Ele. Madson.

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Para meu desespero, o Vasco voltou para o segundo tempo com Thalles em campo. Não vou citar nenhuma das barbaridades que ele fez com a bola. Com dez minutos do segundo tempo, portanto dez minutos em campo, córner para o Vasco. Lá foi ele mexer na toalha do goleiro adversário em busca de água. Sim, o atleta profissional queria água após dez minutos de esforço físico.

Não tinha água entre os apetrechos do goleiro.

O extenuado Thalles voltou desconsolado para a área, onde fez figuração até o final do espetáculo deprimente.

Assistamos apavorados o que vai acontecer ao final dessa maratona. Graças à ajuda dos demais, o morto ainda caminha.

Não sabemos até quando.

Oremos.

Depois, a gente fala de política.