Vasco x Atlético GO – Fui, mas não fui.

 

Anos 80 e 90. Maracanã. Perdi as contas dos jogos aos quais fui com mais de 100 mil presentes. Saía de casa, no Méier, por volta de duas da tarde, de ônibus, para o estádio. Algum tumulto para comprar ingresso, mas em alguns minutos, lá estava eu subindo a gloriosa Rampa do Bellini para minha maior diversão. Dentro e fora de campo era tudo muito mais divertido.

Estamos em 2017 e, incrivelmente, a tecnologia, os computadores, que vieram “facilitar a vida do homem moderno”, dificultaram a venda de ingressos para jogos de futebol. O Brasil (não só o Vasco) desaprendeu a lidar com eventos de grandes proporções.

Estacionei meu carro confortavelmente na Rua Argentina, pertinho do estádio, às 9:30h. Não imaginava ter nenhum problema para assistir o jogo, uma hora e meia depois.

Doce ilusão.

Um mar de Vascaínos inundava São Januário. Deu orgulho. Certeza de que nossa paixão vive. Pulsa. Famílias inteiras. Gente feliz e ansiosa para ver um jogo contra um dos patinhos feios do campeonato. Só que, minutos depois, deu pra ver que eu estava no caos. As pessoas tentavam entrar. Bate-boca na fila para sócios, na qual não pude entrar (longa história, para outro texto). Dirigi-me, então, à fila de não sócios, cujo final chegava quase à “Mega Store” e é colocada no meio da rua. Sem separação alguma dos que passam.

Esta fila concentra também as pessoas que compraram ingressos para a arquibancada pela internet e tem de retirar o ingresso para entrar no estádio – sejam estas sócias ou não. Isso faz algum sentido? Claro que nenhum.

E esse absurdo não é exclusividade do Vasco.

Atrás de mim, na maior das confusões, na “fila”, uma família colombiana. Pais de seus 50 anos, dois filhos jovens. Perguntei de onde eram e se na Colômbia era assim. A mãe, simpática: “Mais organizado, mas muito menos animado…”. A fila permaneceu imóvel por cerca de dez minutos. Enquanto isso, a mãe atravessou a rua e comprou, numa barraca, dois lindos bonés do Vasco para os filhos. Ela certamente não soube da existência da “Mega Store”. Quase dez e meia da manhã, começou a rolar na fila o boato de que os ingressos para a arquibancada tinham se esgotado. Estava ainda quase em frente à entrada principal de São Januário. Tinha andado uns vinte metros na meia hora de fila. Dali, não conseguia sequer ver, ainda, a bilheteria. Decidi voltar para casa. Os gringos haviam desistido minutos antes. Saíram frustrados e com uma história ruim pra contar. Dei a volta no estádio, por onde uma grande quantidade de Vascaínos ainda chegava correndo para o jogo. O som da torcida ecoava no entorno.

Cheguei em casa, na Tijuca, a tempo de ver o gol.

Estamos vivos. Somos maltratados, e estamos lá, pelo Vasco. Sócios e não sócios. É fundamental acabar com essa tristeza. Estamos perdendo dinheiro, torcida, apoio. Eu voltei pra casa. Os gringos desistiram.

E na tv, um mar de assentos vazios nas sociais.

Do jogo, uma falta muito bem batida. Ponto.

Discordo do Pedro, em seu texto aqui do Panorama. As duas laterais estão destruindo as atuações do Vasco. São centas bolas cruzadas e quase nenhuma delas chega nos atacantes. Falta treino. Falta nosso técnico, que era lateral (incrível!) botar aqueles cidadãos para cruzar 50, 100 bolas por dia em São Januário, até que aprendam. O problema não é o comportamento do time ou dos laterais, mas a total incapacidade de acertar os cruzamentos que fazem. Isso sobrecarrega todo o esquema de jogo do time, porque os ataques viram contra-ataques, com bolas nas costas de ambos. É só o que peço. A defesa interior já começa a melhorar.

Treino, Milton Mendes, treino.