Força

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Tenho estado aqui semanalmente há quase dois anos. E contado com o respeito de todos os torcedores do Vasco que aqui têm me prestigiado. Houve uma exceção, mas não de alguém digno do Vasco – apenas um babaca. O saldo é positivo.

Acabei de chegar em casa e saber do desastre do jogo de hoje. Tinha ido ao cinema. Vi um belo filme sobre futebol, chamado “Democracia em branco e preto” – todo mundo que gosta de futebol merece vê-lo. Uma linda reflexão sobre o mundo.

Não é preciso torcer para o Vasco para respeitá-lo, reconhecer sua importância mundial no futebol e e servi-lo. É o que tenho tentado aqui. O fato de ser um tricolor não me torna um inimigo. Aqui estou por amor ao futebol, respeito a um coirmão e em apoio a um grande amigo.

Por estar aqui, ao saber do placar há pouco, levei um soco no queixo. Não me alinho ao pensamento mesquinho de que a minha vitória precisa ser a morte do outro. Meu coração 100% tricolor já emprestou sua torcida muitas vezes em arquibancadas cruz-maltinas e botafoguenses. Sou do tempo do Maracanã com clássicos de 100 mil torcedores, as rádios ecoando sem parar, a festa da geral.

Não pensem que essa derrota de hoje e toda a campanha vascaína doem apenas nos legítimos torcedores de coração. Na verdade, doem em todos os que mendigam pela memória de um lindo futebol que se perdeu. É o que sinto nos YouTubes da vida e nas colunas aqui publicadas sobre 40 ou 50 anos atrás.

Não vi os gols. Só pude ver a bela manifestação do goleiro Muriel, consolando o jovem Jordi. A solidariedade é um dos bens mais preciosos. Ela anda em falta pela Terra em geral.

Torcedores de times rivais às vezes perdem o tom e confundem brincadeira com escárnio. Felizmente nunca foi meu caso. Às vezes, um rival é mais solidário do um amigo ou aliado.

Muriel foi esplêndido. Ele entende o que é o futebol. Aconteça o que acontecer, o Vasco ruge e vibra há 120 anos, o que nenhuma divisão esmorece.

@pauloandel