Flamengo 2 x 2 Vasco, Brasília 26/03/2017

Assisti ontem, no Mané Garrincha, a uma grande partida de futebol e a uma atuação heróica de um Vasco inferiorizado numericamente.

O empate em 2 a 2 premiou a coragem de Milton Mendes, que teve a ousadia de tirar um marcador, Jean, inútil naquele momento, e colocar Thalles (inútil dali em diante, infelizmente). Vai ser difícil aturá-lo de novo, visto que Luis Fabiano deve pegar um bom gancho pelo ocorrido ontem.

O ponto recuperado veio graças à raça e esforço de todo o time, principalmente o de Manga Escobar e Douglas, que correram pelo resto do time (já exausto) e partiram para dentro do adversário, acuando o Flamengo mesmo atuando com um homem a menos.

Virada consumada, a flamengada pôs-se a um dos seus papéis prediletos: o de cantar vitória antes do fim. Saíram enfurecidos do estádio. E chorando o empate sofrido em um pênalti inexistente. Curioso é que, da posição em que estava no estádio, atrás do gol onde foi o lance, portanto de lado para a jogada, me pareceu pênalti claro. Vendo depois a jogada na tv, ficou claro o absurdo da marcação. Nenê, de frente para a jogada, aprontou um escândalo e marcou o pênalti no grito. Indio foi na onda.

Claro que estou feliz com o (justo) empate, mas não pela forma como este aconteceu. Roubado só é mais gostoso do lado de lá do Túnel Rebouças. Mas que é curioso ver a torcida adversária lamentar malfeitos de arbitragens, isso é.

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Quanto ao lance que marcou o jogo: é inadmissível que um jogador com experiência de Copa do Mundo protagonize uma bizarrice daquelas. Luis Fabiano teria de ter sido expulso mesmo se não tivesse tocado no juiz, o que fez. O Vasco fazia uma excelente partida, vencia o Flamengo e tinha a partida sob controle. Sua expulsão jogou por terra a vitória. Deveria ser multado, até pelos jogos nos quais vai desfalcar o time.

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Com mais de trinta anos de arquibancada, posso agora afirmar que vi, com meus olhos, um juiz simular uma agressão. Não creio que exista, em toda a história do futebol, algo parecido. A farsa encenada pelo senhor Luis Indio será eterna no futebol, comparável (bem lembrado, Andel!) com a bizarra encenação do goleiro Rojas e do time chileno no Maracanã, da qual também fui testemunha, e que lhes rendeu justos anos de suspensão. Este cidadão teria de ser suspenso de suas atividades por longa data. O mais incrível de tudo é que já foi suspenso, mas não pelo teatro, e sim pelo pênalti inexistente marcado contra o mais favorecido.

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Vi muito vascaíno pessimista, nas redes sociais, falando que só conseguimos equilibrar o jogo com o urubu por causa dos desfalques do adversário. Curiosamente, se esquecem dos, pelo menos, cinco ausentes do nosso lado. Martin Silva, Luan, Rodrigo, Guilherme Costa e Wagner fazem muita falta. Mas o gramado do vizinho é sempre mais verde…

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Meu amigo Kiko, eu espero que o senhor concorde que um goleiro de mais de um metro e noventa não pode tomar gol de cabeça em um córner, com o cidadão cabeceando de dentro da pequena área, a dois passos de distância, enquanto fica colado à linha de gol. Cabeçada dada, não há tempo para fazer nada, senão protestar. Acho que o chute do segundo gol era também defensável, mas acho a falha na saída de gol mais grave, pois mostra falta de coragem e de atitude. Tem de sair e socar tudo – bola, atacante, beque, o que tiver pela frente. Não o fez. Virou passageiro da jogada. Bola na rede.

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Quinze minutos antes do jogo começar, o telão mostrou as duas escalações e os respectivos bancos. Nesse momento, o estádio ficou sabendo que o Vasco inexplicavelmente não tinha nenhum beque em seu banco de reservas. Todo mundo (eu inclusive!) elogiou muitíssimo o Milton Mendes pela postura do time em campo, por fazer Yago Pikachu jogar bola pelo Vasco antes que o fizesse por algum time paulista, mas é preciso que se pergunte ao técnico por que cargas d’água o Vasco viajou a Brasília com apenas dois beques em sua equipe. Tinha de levar pelo menos um dos juniores.

Coincidentemente, imediatamente após a parada técnica, já perdendo de um a zero, mal foi dada a saída, um dois atacantes do Flamengo, Éverton, deu uma entrada criminosa em Rafael Marques. Falta para expulsão. Indio deu um amarelinho. O Vasco ficou uma eternidade com um homem a menos em campo e depois, muito pior, com o beque totalmente sem condições dentro de campo. Fomos salvos (quem diria!) por um apagão de quase dez minutos na iluminação do estádio, tempo usado para recuperar fisicamente o zagueiro, pois não havia beque reserva no banco! Demos muita sorte com a falta de luz.

Mas não tentem me convencer da coincidência desses fatos. Àquela altura, o estádio inteiro já estava ciente de que não havia substituto disponível. O adversário inclusive.

Infelizmente não acredito que saibamos a resposta para essa decisão totalmente questionável de não ter um reserva para a zaga no banco. Como isso pôde acontecer? Ninguém falou disso. Resta esperar que não se repita.

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Ao contrário da maioria da nossa torcida, acho Jomar melhor do que Luan. Creio que com uma boa sequência de jogos, como a que está tendo agora, pode se tornar um dos melhores beques do Brasil e legítimo herdeiro de Quiñones, Marco Aurélio e Odvan. Dedé era muito melhor do que todos esses.

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Por último, um viva eterno ao Vasco x Flamengo de ontem, no Mané Garrincha. Posso afirmar que não há nada mais parecido com o Maracanã dos anos 70 e 80, hoje em dia, do que um clássico em Brasília. Não há separação física das torcidas. No muito, isolam-se as organizadas em setores distintos do estádio. Nos demais lugares, as duas torcidas se misturam. Em paz, graças ao bom Deus. Ontem, desci as rampas do estádio, numa quase penumbra, cantando o hino do Vasco ao lado de flamenguistas cabisbaixos e enfurecidos com a vitória certa que se lhes escapou das mãos. Me lembrei das incontáveis vezes em que desci a rampa do Bellini lado a lado com os adversários, na mesma escuridão, voltando pra casa. Com o incrível detalhe de, na saída, só ver policiais no entorno do estádio. Não havia um único agente nas rampas e tudo se deu na mais gloriosa paz.

Que assim sempre seja.

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PS: Após fechar e publicar a coluna, a Carolina Sousa, daqui do Panorama, me explicou a falta de beques. Temos os quatro do elenco inscritos no Campeonato. E dois quebrados. Paciência.