Final sem craques

“Final sem craques
Botafogo e Vasco chegam à final do Carioquinha sem grandes times e sem astros de primeira grandeza. Se reunirmos os dois elencos, apenas Jefferson, goleiro do Botafogo, tem nível de seleção. O resto, no máximo, pode ser visto como bom jogador. Ambos, porém, tem uma virtude: são equipes taticamente bem armadas e extremamente briosas na luta por bons resultados.

Méritos para os técnicos René Simões e Doriva, que estão conseguindo tirar leite de pedra. Tomara que isso seja suficiente para que tenhamos dois grandes jogos na decisão. Coisa raríssima durante todo este triste campeonato do Rubinho, onde peladas deficitárias, em gramados horrorosos, diante de gatos pingados foram a tônica, tal como erros grosseiros de arbitragem, uma constante. Em suma: um horror.”

Mil perdões por começar o texto de hoje com um trecho da coluna deste cidadão. Se faz necessário.

O Vasco teve, em sua história, alguns grandes times, recheados de craques. O expresso da vitória, nos anos 40 e 50. O time de 97 – 2000, com Edmundo, Romário, Felipe, Juninho, Juninho Palista, Pedrinho e tantos outros. No entanto, o que sempre caracterizou os times do Vasco foi a garra, a vontade, a luta. O time campeão brasileiro de 74 é um desses exemplos. Um Roberto em início de carreira como estrela de um time sem grandes expoentes. O campeão carioca de 77, de Roberto, Zandonaide e companhia, bateu o grande Flamengo de Zico, Tita, Adilio e o resto da máquina tricolor, mostrando que craques não são sinônimo de vitórias. Em 82, Antônio Lopes colocou meio time reserva em campo e ganhou do mesmo Flamengo, já campeão brasileiro, sum-americano e mundial. Parênteses: Não sou daqueles que desmerecem a Copa Toyota como mundial. Acho que os senões são outros – não cabendo aqui. Ganhamos em 1982. Ganhamos duas vezes em 1981 e só não ganhamos a terceira por causa do famoso ladrilheiro – celebrado depois no Le Coin II pelos dirigentes da Gávea.

A maior prova da maldade do texto é que o texto escrito se aplicaria também caso a final fosse Fla x Flu. Ou será que o jornalista vê craques na Gávea? E nas Laranjeiras? Fred, talvez. Mais algum? Alguém acredita que o texto seria o mesmo? Pois é…

Em suma, craques? Queremos. Mas antes queremos um time. E isso, depois de muito tempo, temos. É ver hoje o que vai dar.

Ainda sobre os craques, assisti (tentei assistir) na 4a feira a Barcelona X Paris Saint Germain, pela Champions League. Cochilei. Apesar de muitos incensarem o futebol dos Catalanos, eu acho o resultado um troço chatíssimo. Bolinha pra lá e pra cá, 22 jogadores embolados num espaço curto de campo, pouquíssima objetividade. Soporífero. Fiz esse comentário no meu facebook no dia. Uns poucos curtiram. Ninguém criticou. Em tempo de unanimidades publicadas nas redes sociais, ai daqueles que ousam transgredir o que é de aceitação (imposição?) comum.

Ou seja, a ausência de craques não significa, de forma alguma, uma partida desinteressante. As vezes muito pelo contrário. Duas equipes em busca de auto-afirmação, com jogadores querendo colocar seus nomes na história. Prenúncio de dois grandes jogos. Tomara que o sejam. Até pra desagradar o mensageiro do apocalipse do início do texto.

Maior fé de que dessa vez a coisa vai. Vasco!