Férias no fim (ou De volta à rotina)

Amanhã, fim do dia, retorno a Brasilia depois de 15 dias de férias no Rio. Férias inclusive do Vasco.

Mas hoje, infelizmente, não tinha como ficar sem escrever.

Ontem fiz algo que detesto, por princípios. Quando o Vasco tomou o terceiro gol ridículo na mesma partida, eu desisti e fui dormir. Fiz bem, como sabemos. Me poupei mais aborrecimentos. Tomar dois gols seguidos com o atacante adversário tabelando na entrada da área e saindo na cara do goleiro sem ninguém sequer próximo da jogada é coisa inadmissível até para time de pelada. Em algumas que frequentei até anos atrás, uma jogada como as de ontem faria o tempo fechar e o pau comeria certamente. O primeiro a dar porrada seria o goleiro. Como nada pode ser tão ruim, tomamos aquele gol do sonolento, letárgico e omisso Marlone, que carregou a bola por uma eternidade sem que qualquer jogador esboçasse reação de marcá-lo ou acossá-lo.

Enquanto isso, do outro lado do campo, o Corinthians baixava o cacete no ataque do Vasco, não dando sossego em momento algum para os que tentaram alguma coisa.

Resumo: não existe proteção alguma à cabeça da área com Julio dos Santos e Evander jogando de volantes. Junte-se isso a mais uma catastrófica atuação de Luan (convocado, meu Deus!) e teremos a fórmula do desastre de ontem.

Não acho que esteja tudo errado, não acho que seja hora para falar em rebaixamento, não vou começar a xingar jogadores. Tem-se de dar tempo ao tempo, mas é fato que se começou muito mal.

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No grande time do Vasco do final dos anos 90, jogava um cidadão chamado Ramon, que depois jogaria no Fluminense. Era o cracaço das partidas inócuas. Fazia partidaços contra adversários menores e em partidas de meio de campeonato. Bastava a chapa esquentar e o jogo realmente valer alguma coisa que ele desaparecia em campo. Era raríssima alguma boa atuação dele em jogos decisivos.

Esse foi o Cristovão no Vasco. Quando verdadeiramente submetido a pressões, sucumbiu. Estático, com as mãos nas cadeiras, piscando furiosamente os olhos. Quando o time precisa de sua intervenção, ela não vem. Vai muito bem nos treinos e nos bastidores, é bem quisto pelos jogadores, mas não mexe bem nos times que comanda, principalmente quando mais necessário.

É irritante. Na hora em que o time realmente precisa da atuação do treinador, ela vem errada e piora a situação do momento. Não é omisso, de forma alguma. Mas parece raciocinar por um caminho que só ele enxerga.

Escrevi isso em agosto de 2014, no Panorama Tricolor, quando o Cristóvão se tornou técnico do Fluminense. Dois anos e meio depois, o quadro é o mesmo. Acredito que Cristóvão vá sim montar um Vasco estruturado e competitivo dentro das possibilidades que tem em mãos, mas achei a escolha péssima – talvez baseada numa personalidade mais acanhada, mais sujeita a “sugestões”. E ontem, apesar de num momento de testes, esta principal característica do professor se manifestou. Quando a coisa vai mal, ela vai de mal a pior com suas mexidas. Que Deus nos ajude.

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Fui convidado pela Carolina Sousa, sábado passado, para um churrasco em frente ao nosso Vasco, em São Januário. Farta mesa de carnes, bela presença de vascaínos, conversa boa sobre o presente e o futuro.

O clube? Fechado, às moscas. Na fachada, mal cuidada, pelo lado de fora, se respira e enxerga a decadência da instituição. Ao lado, na mega store do Vasco, o nada. A loja às moscas, em termos de clientes e produtos. As pouquíssimas camisas oficiais à venda custando mais caro do que em boutiques da zona sul do Rio. Tirando essas, uma quantidade (ínfima) de produtos de quinta categoria, que não condizem com a marca Vasco e com sua história. Uma passada no Leblon, na porta da (horrorosa) sede do arqui rival mostra o chocante contraste do momento que vivemos. Portas abertas, loja abarrotada de gente e de produtos de excelente qualidade. Gosto não se discute. Lamenta-se.

Segue lá, em meio a esse vazio demográfico, uma quantidade abissal de livros sobre Eurico Miranda. O vascaíno que quiser ler sobre o clube só encontrará este best-seller na loja. Como se nossa história se resumisse a esse capítulo. Interminável.

Durante a tarde, um dos presentes ao churrasco foi até o clube. Foi interpelado pela segurança, pois vestia uma camisa (oficial) com o nome de Roberto Dinamite às costas.

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Essa, que estamos vendo, é a realidade do nosso Vasco em 2017. Poderia ser muito pior. Poderíamos estar vivendo um período de falsas vacas gordas, que desse a essa nossa torcida sofrida a esperança de que estivéssemos no caminho certo.

Não estamos.

E infelizmente terei de repetir pela enésima vez o que digo sobre o comportamento de nossos torcedores. Não será xingando e ofendendo aqueles que elegeram o atual mandatário que os faremos mudar de ideia. Não se convence ninguém dessa forma. Já deveríamos estar carecas de saber disso, mas as redes sociais vascaínas seguem lotadas de ofensas, palavrões e ironias. De ambos lados.

Já passou da hora disso acabar.

Reflitam.