Eurico, para pensar

EURICO 2014

Na noite do último domingo, o programa Balanço Esportivo da CNT recebeu como entrevistado Eurico Miranda. Parei para ouvir.

A verdade é que, entre céus e infernos, paixões e recusas, Eurico é um dos símbolos mais emblemáticos de minha memória como torcedor do futebol. Goste-se ou não dele, seus depoimentos são sempre impactantes, seja por intervenções esperadas ou surpreendentes. É admirado e odiado, contestado ou referendado, jamais ignorado.

Não entro na seara de analisar o candidato Eurico por ora. Trata-se de algo muito complexo nestas poucas linhas para um escritor tricolor como eu. O que posso dizer é muitas vezes discordo de suas afirmações. Em outras, sigo o relator. Eurico me faz pensar. Os grandes vascaínos, inclusive aqui da casa, podem avaliá-lo de forma bem mais precisa.

Irreverências, arroubos e bom humor à parte, o que me chamou atenção em sua fala tem a ver com algo muito sério no futebol brasileiro: a questão dos valores de cotas de TV pagos aos clubes de futebol. Como se sabe, CRF e Corinthians vivem um universo à parte, agraciados que são pela Rede Globo nos contratos de transmissão. O veterano dirigente bateu firme como de costume: não aceita de jeito nenhum a espanholizacão do futebol brasileiro por meio da opressão econômica hoje vigente.

Trata-se de uma causa evidente, mas mascarada por parte da imprensa esportiva. Nela, como Eurico é um “vilão”, não teria “credibilidade” para apontar soluções. E nem apontou, mas não se pode tirar a precisão de seu ataque: o problema do desequilíbrio nas cotas atinge gravemente a todos os grandes clubes brasileiros, exceto a dupla global. O Vasco vem sendo vilipendiado sucessivamente em função disso. E, claro, os principais meios de comunicação ligados à TV que detém a transmissão simplesmente não tocam no assunto – preferem satanizar o candidato vascaíno. É mais barato.

Longe aqui de fazer campanha pró-Eurico, nem combatê-lo ou mostrar falsa moralidade. Mais longe ainda de um posicionamento em cima do muro. Apenas entendo que o candidato foi preciso num ponto crucial do descalabro nas contas do futebol brasileiro. Eurico, eleito futuramente ou não, admirado ou não, faz pensar que é fundamental para o novo governo vascaíno, seja ele qual for, assumir esse combate ao descalabro da ditadura binomial, preferencialmente alinhado a outros clubes igualmente prejudicados.

@pauloandel