Entre Eurico e a oposição inerte

Março acabou, mas não a sequência de eventos surreais que o Vascaíno teve de aturar.

Começamos com a atuação patética da equipe em São Januário frente ao Vitória. Conseguimos um empate na bacia das almas graças a um pênalti batido por Nenê. Ante a bizarra atuação da equipe, São Januário mandava Cristovão tomar naquele lugar e Eurico fazer o mesmo. O grande líder desapareceu de sua sala. Cristovão fez alterações catastróficas, como de costume. E piscou muito. Saiu de campo sob um justíssimo mar de vaias e impropérios.

Em quase qualquer clube do mundo dormiria desempregado.

Não no Vasco.

Como fez com Celso Roth em 2015, Eurico se nos esfregou a continuidade de Cristovão nas ventas, provando quem manda no Vasco. Pouco importou a ele o quanto custou a todos nós sua pirraça – em ambas ocasiões. Manteve Cristovão. Mas esteve longe de ser o único culpado da situação toda. O próprio técnico, depois do coro em uníssono das sociais e arquibancadas de São Januário, deveria ter admitido sua incompetência. Era a hora de pedir o boné e sair dignamente. Ignorante (no sentido literal da palavra) de sua própria incapacidade, incapaz de ver que já não tinha mais (nunca conseguiu ter) o comando do time e confrontando a fúria das arquibancadas, persistiu.

Durante a semana de intervalo entre os dois jogos contra o Vitória (por sinal um bando em campo), Eurico foi um dos centros das atenções esportivas no Brasil. Deu mais uma de suas teatrais e constrangedoras entrevistas na tv, ao vivo, na ESPN, na qual desfilou sua costumeira arrogância, botou a culpa dos problemas que enfrenta nas gestões anteriores e em terceiros e sentou o pau em quase todos os seus opositores no Vasco.

Nessa parte, a maior tristeza da entrevista: Praticamente todas as críticas (a Roberto, Juninho, Julio Brant, Edmundo, oposição no Vasco, tv Globo entre outros) infelizmente verdadeiras – o que ajuda a dar aos incautos a falsa impressão de estarmos diante de um injustiçado.  Um Dom Quixote a lutar contra os poderosos moinhos adversários.

Passada a entrevista, dois dias depois, aconteceu o que todos infelizmente esperávamos: fomos eliminados pelo Vitória no Barradão e melancolicamente jogamos nosso primeiro semestre no lixo.

Nesse momento, Eurico demitiu Cristovão e teve seu único acerto do ano: trouxe Milton Mendes para comandar a equipe. O time melhorou quase instantaneamente. E assim caminhamos rumo ao final do mês e a uma aparente tranquilidade.

Até o surgimento, nestes primeiros dias de Abril, da surreal venda de Luan, a preço de banana e em suaves cinco prestações, para o Palmeiras. Tudo isso acompanhado de mais uma declaração catastrófica (felizmente) de Euriquinho, dizendo que o beque precisava desta mudança para seguir avançando em sua carreira.

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Não posso imaginar momento mais propício para o lançamento de um nome para confrontar essa tragédia que se abate sobre nosso clube do que esse. Uma sucessão de desvarios, ações destrambelhadas, crise com um técnico incompetente, doação de (mais!) um dos nossos patrimônios para outro clube brasileiro.

E nesse período, o que vimos da oposição no Vasco?

Outra conversa de Julio Brant com um possível patrocinador – nesse caso a Crefisa, patrocinadora exatamente do Palmeiras, que nos levou Luan por dois tostões – numa conversa de minutos, repetindo a famosa carta de milhões de um Sheik árabe, da última eleição e que, como sabemos, jamais se materializou.

Como Vascaíno, eu me recuso a acreditar que o Vasco, três anos depois, vá de novo colocar seu destino nas mãos de um desses dois senhores. Não é possível que não surja alguém para nos salvar destes destinos. Não é isso que espero para o meu Vasco. Nem um, nem outro.

Na entrevista na ESPN, Eurico tripudiou da oposição no clube, perguntando “que oposição?”. Desde novembro de 2016 eu escrevo por aqui acerca da necessidade do surgimento de um líder que nos conduza à saída desse caminho de trevas que estamos trilhando.  As respostas de então, vindas de elementos da Cruzada Vascaína, um dos grupos principais de oposição ao Eurico, me pediam calma e diziam ser precipitado o lançamento de uma candidatura naquela ocasião. Garantiam que em março este nome estaria lançado.

Março acabou, já estamos em abril, e Eurico e Euriquinho seguem fazendo um sem-número de barbaridades, enfurecendo ainda mais o Vascaíno, que já não aguenta mais este estado das coisas. Não poderia ter havido momento mais favorável para se ter lançado um candidato. Mas não há candidato. Há inclusive uma nota no site da Cruzada dizendo que a vaga para o posto de candidato está aberta para os interessados e que esta escolha será feita da forma democrática que sempre norteou as decisões do grupo. (link para a nota)

Não cumpriram o prometido. Não aproveitaram a fragilidade do momento do Eurico. Se (Deus queira!) o time engrenar e ganhar o Campeonato Carioca, a(s) candidatura(s) de oposição vai(ão) ser lançada(s) contra um Eurico triunfante.

Mais desesperador ainda, se a Cruzada não o fez, e está sendo aqui criticada por isso, ninguém mais o fez. Não há esperança no horizonte.

Sendo bem claro: Eurico Miranda (e companhia) não pode continuar à frente do Vasco. Julio Brant não é o homem que procuramos. Não é possível que o Vasco, o nosso grande Vasco, se limite a essas duas opções tenebrosas.

Vamos rezar para que a oposição acorde. Não é possível que ela  permaneça democraticamente inerte, como está até agora.

É preciso agir, para ontem, exatamente como eu escrevi quatro meses atrás.

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 me restam!