Eurico: começo, meio e fim

Abjeto, genial, excêntrico, truculento, messiânico. Estes são alguns dos adjetivos, dentre muitos, que definem uma pessoa que se tornou um personagem além do tempo: Eurico Miranda. É dificil escrever sobre um personagem de várias facetas. E o que aqui será abordado, também pode não ser o correto.

Eurico surgiu na década de sessenta como diretor de cadastro do Vasco. Em 1967, foi escolhido para ser vice-presidente de Patrimônio, na gestão de Reynaldo de Matos Reis. E a primeira vilania: na reunião do Conselho Deliberativo que abordava o possível impedimento de Reis, Eurico desligou a luz da Sede da Lagoa. De nada adiantou. Reynaldo Reis foi deposto do cargo e Agathyrno da Silva Gomes assumiria em eu lugar, ficando no Vasco até 1980.

E no tempo de Agathyrno na presidência, Eurico ficou submerso. Então trabalhou na Besouro Veículos, de propriedade de Olavo Monteiro de Carvalho. A sua atuação por lá nesse tempo foi bem controversa. Quando Agathyrno sai da presidência em 1980, Alberto Pires Ribeiro assume. E então Eurico volta ao Vasco, como assessor especial da Presidência. E atuou ativamente na volta de Roberto Dinamite ao Vasco na época. Com isso, foi escolhido como representante do clube na Federação. É aí que nasce o personagem.

Eurico começa as tentativas de chegar à presidência. A primeira em 1983. Goleado por Antônio Soares Calçada, que foi vice de futebol de Alberto Pires Ribeiro. Na eleição de 1985, acontece o fato que projetaria Eurico para a história do Vasco e do nosso futebol: em mais uma derrota para Calçada, este o convida para ser vice-presidente de futebol. Uma jogada de mestre de Calçada, pois ao mesmo tempo em que ele pacifica e une o clube, ganha o melhor vice de futebol que o Vasco poderia ter. Foram 13 anos de glórias em que o Vasco ganhou tudo o que podia.

E no pós-glórias, veio a derrocada retumbante. Calçada sai de cena e apoia Eurico Miranda a ser presidente do clube no final do ano 2000. Acordo feito lá em 1986. A partir daí, a queda do alambrado em SJ, o famoso logotipo do SBT, na final do Brasileiro em 2000, e a compra de uma briga inútil com a Globo, fizeram com que o Vasco vivesse o maior período de trevas em sua bela história. Foram 18 anos em que amargamos 3 rebaixamentos no Brasileirão, 2 deles com sua culpa direta. Ou seja, Eurico elevou e rebaixou o Vasco. Fez o bem o fez o mal. Mas o mal causado reverbera até hoje.

Descanse em paz.

Indubitavelmente, o fato é que o Vasco se divide em antes, durante e depois do Eurico, embora antes o Vasco tenha tido grandes glórias como o super campeonato de 1958, Copa Rio de 1953 e o Torneio de Paris de 1957. Mas é fato que ele elevou o Vasco a um patamar jamais imaginado. Mas também nos impôs uma queda súbita. Que agora o Vasco possa seguir em frente. E em paz.