Eu, sócio do Vasco da Gama

Esta é a história de como me tornei sócio do Vasco. Ou não. Ou sim. Não sei.

Tudo começa em 2009, quando daqui de Brasília, minha mulher resolveu me dar de presente de aniversário um título do Vasco, pelo projeto “O Vasco é meu”. Fez a inscrição online e me avisou, toda feliz. O aviso era de que chegaria correspondência com o boleto para pagamento. Cerca de um mês depois, nada chegou. Ela ligou e solicitou novamente. Queríamos pagar. Nada. A história se repetiu por três vezes, meses a fio, sem que nada nunca chegasse à minha residência.

Desistimos.

Fim de julho de 2014. Eu estava no Rio, entre outras razões para acompanhar o que se passava na eleição do Vasco. A eleição seguia marcada para 6 de agosto. Tive uma interminável reunião de trabalho em Manguinhos, da qual sai por volta de 14h. Sem almoço. Ao voltar pela Avenida Brasil, decidi passar em São Januário, mesmo que fosse para matar as saudades. Resolvi passar na lojinha, que fazia uma queima de camisas oficiais. Comprei quatro por 120 reais. Felicidade.

Antes de ir embora, aquela olhada no gramado. Vazio, silencioso. Um literal gato pingado caminhando pelas sociais.

Não sei por que cargas d’água me lembrei do triste episódio da minha associação ao Vasco. Fui então à secretaria do programa O Vasco é Meu, do lado de fora do estádio, ao lado da lojinha. Fui recebido por uma moçoila que ouviu minha história e fez uma rápida busca no computador. Nada.

– Mas para o senhor ter total certeza, vá até a secretaria do clube pra eles consultarem lá.

Voltei a entrar no clube. Secretaria. Contei de novo minha história. Dei meu CPF.

– Senhor José Augusto?

– Isso!

O senhor é associado desde 2009! O senhor quer reativar seu título?

Acabava de descobrir que eu era sócio do Vasco desde 2009 sem ter pago um mísero centavo por isso.

– O que preciso fazer?

O senhor quer votar dia 6?

Acabava de descobrir que, além de sócio, eu poderia votar na eleição!

– Pode ser… Como?

– Bem, se o senhor pagar 900 reais, o senhor coloca o seu título em dia – pagando a anuidade de 2013 e o pró-rata de 2014 e está apto a votar.

– E se eu não quiser?

– O senhor paga só o pró-rata deste ano. 385 reais. A partir dai, 45 reais de mensalidade.

Agradeci, disse que iria conversar com minha mulher e desci da secretaria. Decidi não fazer nem uma coisa nem outra. Deixei meu título adormecido. Até porque não tinha nenhuma certeza de que aquilo que se dizia pra mim era a verdade.

Desse dia em diante, vi que o buraco no Vasco era muito mais embaixo. Com 900 pratas eu seria sócio do clube já há cinco anos. Elegível, portanto. Quantos outros na mesma situação? Só Deus sabe.

Não me recadastrei. Não tive a oportunidade de ir ao Rio na época. Com isso, não sei o que acontecerá (ou não) com meu título (ou não) de sócio (ou não) do Vasco da Gama.

Aguardem cenas dos próximos capítulos. Dentro de campo inclusive. Sigamos orando.

Zeh