Eu prefiro o Maracanã!

Assim como todo vascaíno, eu tenho um imenso orgulho do Estádio Vasco da Gama – nome oficial de nosso estádio conhecido como São Januário por conta do nome de uma das ruas que circundam nossa sede.

Fruto do sonho e do espírito empreendedor de nossos antepassados, inaugurado em 21 de abril de 1927 como uma resposta à discriminação que sofríamos por nossas origens e conduta.

Nossa casa, construída contra tudo e contra todos, transcende apenas o sentido pragmático de apenas ter um estádio próprio. Ela é muito mais que isso! A belíssima história que envolve a sua construção – fruto do esforço único e próprio de sua torcida, contra uma série de empecilhos impostos tanto por adversários como pelo próprio governo brasileiro à época.

Mas o tempo passou e o Vasco da Gama se tonou um gigante mundial do futebol. Um gigante digno de um palco maior, de um estádio que possa comportar a sua imensa torcida bem feliz, tanto com maior disponibilidade de acentos como com maior conforto e melhor acesso.

Nosso velho estádio, de 87 anos, hoje se tornou pequeno e acanhado para a nossa torcida. Pouco confortável nas sociais onde o torcedor tem que enfrentar as duríssimas cadeiras de ferro (eu já perdi a conta das vezes que cortei o joelho por lá…). Pouco confortável nas arquibancadas sem proteção contra a chuva e sol, ou com uma visão ruim atrás do gol onde a distância é enorme até a linha de fundo. Há ainda os diversos limitantes impostos pelas autoridades (polícia militar, corpo de bombeiros, etc.) que hoje limitam a sua capacidade a cerca de 18 mil pessoas. Pouco para a enormidade de nossa torcida.

Na nossa mesma cidade há o Estádio Jornalista Mário Filho – conhecido como Maracanã (palavra de origem tupi-guarani que corresponde ao som emitido pelos pássaros que ali viviam). Nossa segunda casa para alguns. Nosso “salão de festas” para outros. Estádio em que conquistamos por direito o lugar fixo de nossa torcida. Estádio onde fomos Campeões Brasileiros em três oportunidades, Campeões Cariocas em inúmeras outras, e palco de muitas vitórias memoráveis.

Sou um ferrenho defensor de que a primeira opção do Vasco, tem sempre que ser o Maracanã. É lá que enfrentamos nossos maiores rivais. É lá que nossa grandiosa torcida pode comparecer e grande número. Sobretudo foi lá que nos tornamos um grande do Brasil.

O Maracanã deveria ser utilizado mais vezes pelo nosso clube. Hoje, dos grandes do Rio, somos o que menos utilizamos. “Temos casa própria!”, dirão alguns. Sim, nós temos, mas a nossa casa ficou pequena e pouco confortável para o nosso gigantismo.

Não defendo que tenhamos que abandonar São Januário, mas sim que ele deva ser utilizado, enquanto não se efetue uma total reformulação nele, para jogos de menor apelo. Como diz um grande companheiro de arquibancada: “O Vasco desaprendeu a jogar no Maracanã… Tornamo-nos menores assim…”.

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Já fazia algum tempo que eu não batia um bom papo e dava umas boas gargalhadas com o meu amigo Zequinha (o meu amigo botafoguense).

Eis que no último sábado, véspera das eleições, no momento em que saia de São Januário depois do empate (mais um!!) contra a Ponte Preta, toca o meu celular…

– Fala Zequinha! Tudo… – Ele nem deixou eu terminar o meu cumprimento…

– PORRA! Onde você estava?!?!? Tenho te ligado um monte de vezes nestas últimas duas semanas!!!

– Calma cara… Eu estava viajando… – E mais uma vez fui interrompido.

– CACETE!!! E o Botafogo aqui se fudendo!!! Na próxima vez me avisa! Agora diz aí: Fogão contra as “forças do mal”: quanto vai ser?

– Kkkkk… Calma… Vai ser… Sei lá… Dois a um…

– Dois a um quem? QUEM?!?

– Dois a um para o Botafogo – respondi já sem conseguir segurar as gargalhadas.

– Beleza. Depois nos falamos.

Resultado: dia seguinte almocei por sua conta em agradecimento pelo retorno da sorte ao seu Botafogo e ao meu palpite certeiro… Vai entender esse meu amigo botafoguense…