Estamos muito doentes

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Brasília é lotada de Vascaínos. Rivalizamos em quantidade com o império do mal. No entanto, estádio vazio, divulgação fraquíssima, mobilização nenhuma. Se houve alguma interação do time com a torcida, eu não soube de nada. E assim vamos nos apequenando, comportando-nos como um time qualquer.

Por que os vascaínos não foram ao estádio?

Gastei 50 reais e um quilo de açúcar pra testemunhar Atlético Goianiense 1 x 1 Vasco. Não levei minha mulher nem minha filhinha de 4 anos, que faria sua estréia num jogo de futebol, exatamente por essa razão. Preço caríssimo para a situação do clube. Vinte reais e o estádio estaria muito mais cheio.

Aliás, parênteses para a completa falta de clareza das regras para crianças e afins. Na Copa do Mundo, crianças de colo pagavam ingresso normal, mesmo que não ocupando lugar algum – uma vergonha, mas pelo menos uma regra clara. Nos campeonatos locais, incógnita. Não há nenhuma orientação para o pai. Deveria ser gratuito para até 7, 8 anos de idade. Precisamos de renovação. Onerar o pai de família não irá nos resolver nada. Nem as finanças nem a torcida.

Segundo tempo de jogo. Inacreditavelmente o Vasco trocou o toque de bola do primeiro tempo por chutões. Convidou então o Atlético para dentro de seu campo. O estádio inteiro, mudo, se entreolhava sentindo o que iria acontecer. Olhava-se para o estádio – emudecido – e via-se duas dúzias de torcedores do dragão berrando mais que sete mil vascaínos. Eu inclusive. Há um quase conformismo na torcida. Olha-se em volta e as pessoas estão sentadas, observando, com a quase certeza de que no final vai dar merda. Ai, dá-se a merda, as pessoas lamentam, cabisbaixas, e se conformam com nosso destino.

Acredito piamente que Joel Santana terá muito a acrescentar a esse time. Não são de todo ruins, mas parece faltar, até hoje, qualquer noção de treinamento. Em determinados momentos, tem-se a exata noção de que o time não tem ideia do que fazer com a bola. Rodam, rodam, rodam… e nada. Botam a bola pra trás. O time empatando, precisando ganhar, e a bola sendo constantemente recuada.

A saída de jogo do Vasco foi toda em cima de Maxi Rodriguez, que saiu de campo completamente morto, de tanto correr para todos os lados para dar opção de jogo para o time. Foi muito bem, apesar do erro catastrófico no final do primeiro tempo ao cabecear uma bola que saía da área de volta pro ataque do Atlético. Sua figura em campo – jeito de correr, posição, participação – me lembraram muito de Luis Carlos (Martins), que atuou no Vasco dos anos 80 – Vítor, Luis Carlos e Gersinho – e depois se tornou banco para Dunga, Geovani e Tita, no meu Vasco preferido. O cruzamento para o gol do título de 87, de Tita, é dele.

Surreal que um jogador que chegou há tão pouco tempo no elenco tenha se tornado tão fundamental. Gostaria de saber as condições do contrato. Será que fica ao final do ano?

Pra completar a completa desgraça tática que foi o Vasco de hoje, Thales, posto em campo, atuou como um meia, embolando com os demais. Na hora em que a bola chega ao comando de ataque, ninguém está lá.

Joel, meu caro, contamos com você e seus miracles.

Work, my friend, work…

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Complementando o texto: Leio hoje no jornal que o Vasco jogará sua próxima partida 3a feira, ali pertinho, em Manaus. Não posso acreditar que o time vá voltar pro Rio estando no meio do caminho da longa viagem até o Amazonas. Fica por aqui? Treina em Brasília? Vai hoje ainda pra Manaus?